20 de outubro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Assinatura em contrato social pode gerar problemas graves, alerta advogada

Economia Empreendedorismo 20/10/2026 11:48 Júlia Alexim, Advogada Criminalista

Advogada criminalista explica que ser sócio de empresa não traz culpa automática, mas exige cuidado com responsabilidades civis, tributárias e até criminais. Artigo alerta para fraudes em assinaturas e ensina como se proteger antes de assinar.

Muitas pessoas aceitam integrar uma sociedade empresarial acreditando que se trata apenas de uma formalidade. No entanto, a advogada criminalista Júlia Alexim, da Stamato Advogados Associados, alerta que a decisão exige a compreensão plena das responsabilidades assumidas. A confiança em alguém próximo não substitui a análise técnica dos riscos envolvidos. É essencial compreender o que significa ter o próprio nome registrado no contrato social, bem como os poderes e obrigações que isso acarreta.

Ninguém pode ser punido criminalmente apenas por ser sócio de uma empresa. A responsabilidade penal é individual e exige a prova de uma conduta ligada ao crime. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já rejeitou acusações baseadas apenas na participação societária. Essa distinção é fundamental para proteger o direito de cada indivíduo, separando a simples filiação ao grupo de uma eventual participação em ilegalidades.

Principais pontos do alerta jurídico

  • Ser sócio não gera culpa criminal automática, mas exige transparência nas decisões.
  • O quadro societário é frequentemente o ponto de partida para investigações policiais.
  • Inclusão fraudulenta no contrato pode exigir ação judicial urgente para suspensão.
  • É obrigatório verificar a saúde fiscal, trabalhista e judicial da empresa antes de assinar.
  • Documentos em branco e senhas compartilhadas representam riscos extremos de fraude.

O problema se intensifica quando a inclusão no contrato ocorreu sem autorização. Casos de assinaturas falsificadas podem levar a vítima a receber cobranças, citações judiciais ou intimações policiais sem ter tomado conhecimento prévio. A descoberta, muitas vezes tardia, gera prejuízos financeiros e reputacionais. Nesses cenários, a rapidez na ação legal é determinante para minimizar os danos causados pela fraude.

A prevenção deve começar antes da assinatura do documento. O ideal é ler integralmente o contrato social, identificar quem administra a empresa e entender os poderes atribuídos a cada sócio. É recomendável também pesquisar a situação fiscal, processos judiciais em andamento e o histórico dos demais envolvidos. Essa diligência ajuda a tomar uma decisão consciente e segura.

Outros cuidados envolvem a recusa de pedidos para assinar documentos em branco, compartilhar senhas de acesso ou entregar certificados digitais sem clareza sobre o uso. A consulta a registros oficiais, como o Registrato do Banco Central, complementa a verificação, permitindo checar contas e relações financeiras. Contudo, essa consulta não substitui a análise dos registros societários oficiais da empresa.

Consequências de ignorar os riscos

Antes de aceitar uma sociedade, é preciso saber o que se está assinando e com quem se está vinculando. O nome em um contrato representa a identidade, a trajetória e o patrimônio da pessoa. Tratá-lo como uma formalidade pode ter consequências que vão muito além do papel. A análise da advogada destaca a importância da due diligence (auditoria prévia) para evitar surpresas desagradáveis no futuro.