Novo estudo revela que as compras em mercados superaram as em restaurantes no uso de benefícios corporativos. A pesquisa analisou mais de 127 milhões de transações realizadas em 2025.
Os supermercados e mercearias se tornaram o principal destino do dinheiro gasto com vale-refeição pelos trabalhadores brasileiros. Segundo o novo estudo Panorama do RH 2026, esses estabelecimentos concentraram 24% das compras na categoria, ultrapassando os restaurantes, que responderam por 22%, e as redes de fast food, com 19%.
O resultado não indica necessariamente que o benefício esteja sendo usado para compras fora da finalidade original. A classificação leva em conta o código do estabelecimento (MCC), que identifica o tipo de negócio. Supermercados que vendem marmitas e refeições prontas podem ser categorizados como locais de refeição.
- Origem dos dados: A pesquisa foi feita pela plataforma de benefícios Caju em parceria com sua divisão de inteligência, a Cajuína.
- Volume analisado: Foram estudados dados de mais de 59 mil empresas e 127 milhões de transações feitas de janeiro a dezembro de 2025.
- Domínio da alimentação: As categorias de alimentação representaram mais de 104 milhões de compras, ou 82% do total.
- Valor médio: No vale-alimentação, a compra média foi de R$63,82, maior que os R$56,43 do vale-refeição.
- Duração do saldo: Em média, o saldo destinado à alimentação dura 15 dias após o depósito.
Mercado de bairro, conveniência e atacarejo dividem o orçamento
No vale-alimentação, os supermercados e mercearias lideraram com 41% das transações. As lojas de conveniência e mercados especializados vieram em seguida, com 17%, o que representa aproximadamente uma compra em cada seis. Os clubes de atacado responderam por 10% do total, enquanto padarias e restaurantes registraram 9% cada.
O valor médio das compras no vale-alimentação foi de R$63,82, superior aos R$56,43 observados no vale-refeição. A pesquisa aponta que essa diferença é coerente com a natureza das compras, que são maiores e destinam-se ao abastecimento da casa, inclusive em locais que vendem em volume.
Os números mostram que a rotina alimentar do trabalhador está distribuída entre diferentes formatos: há a compra mensal em grandes mercados, a reposição rápida nas lojas de conveniência perto de casa ou do trabalho e o pagamento de refeições prontas consumidas fora ou levadas para casa.
Auxílio-alimentação reflete uma jornada mais flexível
O auxílio-alimentação, que combina os saldos de refeição e alimentação, é oferecido por 63% das empresas analisadas. Nesta modalidade, os supermercados lideraram com 32% das transações. Foram seguidos por lojas de conveniência (16%), restaurantes (15%), fast food (13%) e padarias (8%).
Esse padrão indica que o trabalhador alterna entre abastecer a residência e pagar por refeições prontas ao longo do mês. Nesse cenário, a adoção de um cartão de benefícios pode reunir diferentes categorias em um único meio de pagamento. Assim, a empresa define os saldos e as regras de utilização conforme sua política interna e a legislação aplicável.
Os dados refletem que alimentação e refeição fazem parte de uma mesma rotina, embora atendam a momentos distintos. O colaborador abastece a casa, compra itens de reposição e também paga refeições prontas. Para o setor de Recursos Humanos, compreender esse comportamento ajuda a avaliar se os valores depositados, as categorias permitidas e a frequência dos depósitos estão alinhados às necessidades reais das pessoas.
Farmácias e streaming concentram outros benefícios
Fora da alimentação, o estudo também identificou os principais destinos para outros tipos de benefícios. Na categoria saúde, farmácias e drogarias receberam 93,5% das transações, com um valor médio de R$66,84 por compra.
Na categoria cultura, as assinaturas de streaming e televisão representaram 35% das compras. As mídias digitais, como livros, filmes e música, somaram 25%, as livrarias ficaram com 14% e os cinemas com 9%.
No auxílio home office, 21% das transações foram realizadas em lojas de materiais de construção. O dado sugere que parte dos recursos destinados ao trabalho remoto é utilizada na adaptação do ambiente doméstico, além da aquisição de itens tradicionalmente associados ao escritório.
Benefício precisa acompanhar o consumo real
O levantamento também mostra que o saldo destinado à alimentação dura, em média, 15 dias após o depósito. Esse dado não permite concluir sozinho se o valor é insuficiente, pois renda, composição familiar, região e hábitos de consumo variam bastante. Ainda assim, oferece um indicador relevante para a gestão de pessoas.
Para as empresas, acompanhar a adesão dos funcionários, a duração do saldo e a distribuição das compras pode ajudar a identificar benefícios pouco utilizados, categorias com maior demanda e diferenças entre os perfis da equipe. O objetivo não deve ser vigiar as escolhas individuais, mas sim avaliar se a política de benefícios cumpre sua função.
Para o varejo, os resultados confirmam que os benefícios corporativos integram o orçamento recorrente do trabalhador. Para o RH, reforçam que vale-refeição e vale-alimentação deixaram de ser percebidos apenas como complementos: eles se tornaram componentes concretos da segurança alimentar e da remuneração total dos colaboradores.

Panorama do RH 2026


