13 de outubro de 2026

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Pesquisa revela que maioria prefere mais descanso a salário maior

Economia Trabalho 13/10/2026 14:27 Rede Cidadã

Levantamento da Rede Cidadã com 5.705 respostas mostra que 91,3% dos trabalhadores na escala 6x1 querem o fim do modelo. Para 75%, a folga vale mais do que um aumento salarial de 20%, e 66% aceitariam dias mais longos para trabalhar apenas cinco vezes por semana.

Uma nova pesquisa conduzida pela Rede Cidadã revela uma preferência clara por mais qualidade de vida entre os trabalhadores brasileiros. Dos 5.705 entrevistados, 75% afirmaram preferir ter mais dias de folga a receber um salário 20% maior mantendo a escala de trabalho exaustiva. O estudo, que ouviu pessoas com 16 anos ou mais, destaca que o bem-estar psicológico e o tempo livre estão valendo mais do que o ganho financeiro imediato.

  • 91,3% dos que trabalham na escala 6x1 (seis dias trabalhados e um de folga) são a favor do fim desse modelo.
  • 66,4% aceitariam jornadas diárias mais longas para trabalhar apenas cinco dias por semana.
  • 69,5% diriam que usariam o dia extra de descanso para lazer ou passar tempo com a família.
  • Só 2,7% declararam que usariam o dia livre para trabalhar e ganhar dinheiro extra.
  • Para 58,4%, a escala 6x1 é um fator negativo na hora de aceitar um novo emprego.

O apoio ao fim da escala 6x1 é massivo

O levantamento, intitulado "Escala 6x1: o que você pensa sobre essa mudança", coletou dados a partir da plataforma Taqe, focada em recrutamento e capacitação. No total, 90,3% dos respondentes são favoráveis ao fim da escala 6x1, enquanto apenas 5,1% se opõem e 4,6% ainda não têm opinião formada. Dentre aqueles que já trabalham nesse regime atual, o apoio chega a 91,3%, número muito próximo dos 93,1% de apoio entre os que trabalham na escala 5x2.

O desejo de mudança não se limita a um grupo específico. A preferência pela alteração é alta em todas as faixas etárias: varia de 86,7% entre os mais jovens (16 a 17 anos) a 94,2% entre os jovens de 21 a 25 anos. A única variação relevante é a preferência por manter a 6x1 com salário maior, que aparece mais frequentemente entre os de 16 e 17 anos (28,4%).

Qualidade de vida pesa mais que dinheiro extra

Fernando Alves, superintendente executivo da Rede Cidadã, explica que a discussão vai além do pagamento. "Os participantes valorizam o tempo de descanso, a convivência familiar e as oportunidades de estudo e desenvolvimento pessoal. São aspectos importantes para compreender o que as pessoas buscam nas relações de trabalho", afirma o executivo. Isso indica que, para a maioria, a saúde mental e o equilíbrio de vida profissional e pessoal são prioridades que superam o simples acréscimo salarial.

Para entender melhor essa motivação, os participantes foram convidados a imaginar o que fariam com um dia adicional de folga. A opção mais escolhida foi descansar, ter lazer ou passar mais tempo com a família, com 69,5% das menções. Em seguida, apareceram estudar ou fazer cursos (47,9%), realizar afazeres pessoais ou domésticos (22,3%) e cuidar da saúde ou praticar atividades físicas (20,6%). Era permitido marcar mais de uma opção.

Um dado surpreendente é que apenas 2,7% dos entrevistados disseram que utilizariam o dia extra para trabalhar novamente com o objetivo de gerar renda adicional. Isso reforça a ideia de que a escassez de tempo de lazer é uma dor maior do que a necessidade de ganhos extras.

Jornada concentrada é alternativa bem vista

O estudo também avaliou a disposição dos trabalhadores para aceitar mudanças na estrutura da jornada. Para 66,4% dos participantes, trocar seis dias de trabalho por cinco dias, mas com horários diários mais longos, é uma condição aceitável. Cerca de 24,1% não aceitariam essa troca e 9,4% não souberam responder. Esse cenário é visto positivamente por parte da sociedade, pois permitiria a implementação da semana de cinco dias sem necessidade de aumento salarial imediato.

Outro ponto crucial na escolha de emprego é a rejeição da escala 6x1. Ao questionar se aceitariam uma vaga em uma nova empresa mantendo a escala 6x1, 58,4% responderam que não, contra apenas 21,5% que responderam que sim. Isso demonstra que a escala pesa negativamente na atração de talentos, podendo dificultar o preenchimento de vagas para as empresas que mantêm esse regime.

Na avaliação dos fatores que pesam na decisão de aceitar um emprego, o salário continua sendo relevante, com a maior nota média de 4,32 (em escala de 1 a 5). No entanto, o indicador de dias de folga por semana ficou praticamente empatado, com nota 4,31, e a possibilidade de crescimento profissional obteve 4,30. A duração da jornada diária recebeu nota 4,12. Essa proximidade de notas indica que a decisão do trabalhador é complexa e envolve um pacote de condições, não apenas a remuneração.

A escala 6x1 está presente na vida de quase todos

A proximidade com o tema é quase universal entre os respondentes. 90,4% afirmam conhecer ao menos uma pessoa próxima que trabalha na escala 6x1. Mais de três quartos (74,5%) conhecem duas ou mais pessoas nesse regime, e 42,2% conhecem cinco ou mais. Isso mostra que o impacto da escala se espalha pelas famílias e comunidades, tornando a discussão sobre a mudança amplamente relevante.

Sobre o levantamento e a instituição

O estudo reuniu 5.705 respostas de pessoas com 16 anos ou mais, coletadas entre o fim de setembro e 8 de outubro, utilizando a base de dados da Taqe. O questionário abordou o perfil dos participantes, a escala atual, opiniões sobre o fim da 6x1, escolhas hipotéticas sobre salário e descanso, e prioridades na busca por emprego. É importante notar que os percentuais refletem apenas a amostra respondente, sem pretensão de representar estatisticamente toda a população brasileira. A Rede Cidadã, que há 23 anos promove inclusão por meio do trabalho, atua em 92 municípios de 10 estados e já inseriu mais de 160 mil pessoas no mercado de trabalho.