13 de outubro de 2026

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Tecnologia substitui fiador: aluguéis com garantia digital explodem no Brasil

Economia Locação 13/10/2026 12:03 Assessoria Avalyst

Garantias digitais, como seguros de fiança, saltaram de 4% para 37% dos contratos de aluguel, superando o fiador tradicional. A transformação é impulsionada por análises de risco em segundos, maior autonomia para inquilinos e agilidade para imobiliárias, segundo a Avalyst.

O mercado de aluguel no Brasil vive uma profunda transformação: as garantias pagas, como seguro fiança e fiança onerosa, saltaram de 4% para 37% dos contratos de aluguel no país. Esse crescimento, superior a nove vezes em menos de uma década (de 2017 a 2026), fez com que essas modalidades superassem o fiador tradicional, que agora representa apenas 25% dos casos. Os dados são da plataforma de gestão empresarial Superlógica e confirmam que a tecnologia se tornou o pilar central dessa mudança estrutural.

Essa virada de chave está diretamente ligada à digitalização da análise de risco. Com o avanço de plataformas digitais, o que antes exigia dias de burocracia agora acontece em segundos, reduzindo drasticamente a dependência de garantidores físicos. O CEO da Avalyst, empresa especializada em garantia locatícia digital, Rogério Tavares, destaca que essa combinação de tecnologia e dados trouxe mais eficiência e profissionalismo para a gestão de risco no setor de locação.

Principais destaques da transformação no mercado de locação

  • Garantias pagas (seguro/fiança digital) subiram de 4% para 37% dos contratos.
  • Fiador tradicional caiu de 60% para 25% no mesmo período.
  • Análise de crédito digital pode ser concluída em menos de 30 segundos.
  • Brasil registrou 83,9 milhões de consumidores inadimplentes em julho deste ano.
  • Objetivo é aprovar quem tem bom perfil, mas pouco histórico de crédito.

Para Tavares, as garantidoras digitais são grandes aliadas das imobiliárias. "As garantidoras digitais se tornaram grandes aliadas das imobiliárias porque conseguem qualificar um candidato em poucos minutos e tornar a decisão de locação muito mais rápida", afirma o executivo. Ele explica que o fiador tradicional exige tempo, documentos e a disposição de uma terceira pessoa, barreiras que a garantia digital elimina ao automatizar o processo.

Essa mudança ocorre em um cenário de desafio financeiro. Em julho deste ano, o Brasil alcançou a marca de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, o maior número já registrado pela Serasa. Nesse contexto, ter mais de 90% dos contratos com algum tipo de garantia sinaliza um mercado mais estruturado e protegido contra a inadimplência, priorizando a gestão preventiva do risco.

Como a tecnologia avalia o perfil do inquilino

Por trás da rapidez, existe uma robusta capacidade de análise de dados. As garantidoras digitais não olham apenas para a existência de dívidas; elas utilizam sistemas próprios, consultas a operadoras de crédito e plataformas de segurança para mapear o comportamento de consumo e o comprometimento da renda. Essa visão 360 graus permite identificar com precisão o perfil de risco e forma carteiras mais saudáveis para as imobiliárias.

A transparência e a ética são pontos centrais desse novo modelo. "Além das consultas de crédito, avaliamos o comportamento de consumo do potencial inquilino, o quanto da renda já está comprometido e as dívidas existentes. Também acompanhamos estudos sobre novos indicadores de comportamento. Qualquer dado novo só entra na análise com transparência, consentimento do candidato e total conformidade com a LGPD", esclarece Tavares. O objetivo, segundo ele, não é tornar a aprovação mais difícil, mas sim mais justa e precisa.

O executivo reforça que a tecnologia busca corrigir distorções. "Queremos ampliar o acesso à locação para quem tem um bom perfil, mas pouco histórico de crédito. A tecnologia permite uma avaliação mais completa e, potencialmente, mais justa", explica. Isso beneficia tanto quem quer alugar sem depender de familiares quanto os proprietários, que ganham segurança jurídica e financeira.

Da aprovação às chaves: o futuro é a agilidade

A digitalização também muda a experiência do inquilino, que ganha autonomia. Ao não precisar mais "pedir favor" a parentes para serem fiadores, o candidato pode avançar com a locação de forma independente. Para as imobiliárias, o ganho é a velocidade. Segundo a Avalyst, há casos em que a análise de um candidato é concluída em menos de 30 segundos, eliminando o que já foi o maior gargalo do setor.

Com a análise de risco cada vez mais automatizada, o foco agora é acelerar as etapas restantes. "Analisar um candidato já foi o maior desafio do setor. Hoje não é mais. O próximo desafio é reduzir o tempo de toda a jornada de locação", diz Tavares. A empresa trabalha com a perspectiva de que, na próxima fase de digitalização, será possível entregar as chaves do imóvel em até 24 horas, desde a aprovação até a formalização do contrato, tornando o processo de moradia muito mais ágil para todos os envolvidos.