Uma nova geração de empresários no Brasil está mudando a forma de gerir restaurantes, abandonando a ideia de que o dono precisa estar em todo lugar. O foco agora é em processos claros, autonomia para a equipe e indicadores financeiros para garantir lucro sem esgotar o proprietário.
O Brasil possui cerca de 4,9 milhões de donos de negócios com até 29 anos, segundo dados recentes do Sebrae. Essa nova geração está mudando as regras do jogo no setor de alimentação. Eles não aceitam mais a ideia de que ter um restaurante significa ter que trabalhar dia e noite, sem férias e com exaustão física constante.
Em vez de ficar preso na operação diária, esses jovens empresários buscam processos organizados, equipes lideradas por gestores capacitados e indicadores que mostrem a saúde do negócio. O objetivo é ter o controle e o lucro, mas com qualidade de vida.
- O Brasil tem 4,9 milhões de jovens empreendedores no setor de alimentação.
- A nova geração rejeita a exaustão física como padrão para ser empresário.
- Autonomia da equipe e processos claros são a nova prioridade de gestão.
- Apesar do faturamento, 42% dos bares e restaurantes tiveram lucro em julho de 2026.
- 69% da Geração Z têm interesse em assumir lideranças no futuro.
O fim da dependência do dono em cada tarefa
Marcelo Marani, fundador e CEO da escola Donos de Restaurantes, explica que a gestão precisa mudar. Medir o comprometimento pelo número de horas que o proprietário permanece dentro da operação é um erro, afirma ele. Se o negócio depende de uma pessoa só, desde uma compra simples até a resolução de uma reclamação, a empresa não está construída de forma saudável.
Essa mudança faz parte de uma tendência maior no mundo do trabalho. Uma pesquisa da Deloitte com 804 brasileiros mostrou que 69% da Geração Z e 74% dos Millennials têm interesse em assumir posições de liderança. No entanto, poucos (6% e 8%, respectivamente) consideram isso uma prioridade máxima. Os motivos Carga horária alta, responsabilidade excessiva e a dificuldade de equilibrar a vida pessoal com a profissional.
Processos claros substituem a presença física
Para profissionalizar a operação, decisões que ficam apenas na cabeça do dono precisam virar procedimentos escritos. Isso significa definir responsabilidades claras para compras, estoque, escalas, atendimento e caixa. O proprietário precisa saber exatamente o que precisa resolver pessoalmente e o que pode ser delegado.
Utilizar indicadores financeiros é fundamental. Dados como custo da mercadoria, margem de contribuição, ticket médio e fluxo de caixa permitem identificar problemas antes que eles cresçam. Uma boa gestão cria critérios para que as saibam o que fazer, até onde podem decidir e quando precisam envolver o proprietário. Delegar sem processo gera descontrole, mas centralizar todas as escolhas impede que a equipe amadurece e mantém o empresário preso à rotina, explica Marani.
Lucro não significa sucesso sem gestão
Vender muito não garante que o negócio esteja dando lucro. Dados da Abrasel indicam que apenas 42% dos bares e restaurantes registraram lucro em julho de 2026. Outros 37% ficaram no empate (equilíbrio financeiro) e 20% tiveram prejuízo. Isso mostra que ainda falta margem e eficiência em grande parte do setor.
Para resolver isso, é preciso formar líderes dentro da equipe. Em vez de o dono aprovar cada escala ou desconto, ele deve estabelecer limites e acompanhar os resultados depois. Quando a operação está estruturada, o empresário ganha tempo para focar no que realmente importa: planejamento financeiro, desenvolvimento de pessoas e crescimento da marca.
Vida pessoal não deve ser sacrificada pelo negócio
Mudar essa cultura não significa trabalhar menos, mas sim administrar melhor. A pesquisa da Deloitte aponta que longas jornadas são uma das principais fontes de estresse para a Geração Z. Eles questionam por que um restaurante precisa consumir a vida do dono para funcionar.
A nova geração não está dizendo que quer trabalhar menos, mas questionando por que um restaurante precisa consumir a vida do dono para funcionar. Uma gestão profissional precisa permitir controle, resultado e crescimento sem transformar a presença física do empresário em requisito para cada decisão, conclui Marcelo Marani. A tendência é que esse modelo de gestão mais equilibrada e profissional se expanda por todo o setor de food service no Brasil.

Gestao (IA)


