08 de outubro de 2026

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Investidores retornam para comprar apartamentos pequenos e baratos no Brasil

Economia Imobiliário 08/10/2026 11:03 Luana Hubner - Liveseo

Vendas de imóveis novos crescem e clientes voltam para comprar segundas unidades compactas como investimento; dados mostram alta na valorização e mudanças no crédito facilitam a recompra.

Apartamentos compactos de médio padrão atraem investidores de recompra e sinalizam novo ciclo de confiança no setor.

Segundo levantamento da Housi divulgado pela Exame, imóveis de até 40 m² representam mais de 41% das intenções de lançamentos no Brasil; incorporadoras como a Vanguard identificam clientes que retornam para montar portfólio de unidades como investimento. As vendas de imóveis residenciais novos no Brasil cresceram 5,3% no segundo trimestre de 2026, somando 113,6 mil unidades, e 5,4% no acumulado do semestre, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Brain Inteligência Estratégica. Um dos sinais mais claros desse aquecimento vem de um comportamento ainda pouco mapeado: a recompra. Incorporadoras do segmento de médio padrão têm identificado clientes que, após adquirir a primeira unidade para moradia, retornam para comprar um segundo e até um terceiro apartamento como investimento, formando pequenos portfólios imobiliários dentro de uma mesma marca.

  • Vendas de imóveis novos cresceram 5,3% no 2º trimestre de 2026.
  • Apartamentos de até 40 m² já são 41% dos novos lançamentos.
  • Valorização de imóveis compactos foi de 7,77% nos últimos 12 meses.
  • Teto do Sistema Financeiro da Habitação subiu para R$ 2,25 milhões.
  • FGTS terá R$ 144,5 bilhões para habitação em 2026.

Fenômeno da recompra ganha força

Na Vanguard, incorporadora do Grupo Plaenge com atuação em sete cidades brasileiras e três no Chile, o fenômeno tem se tornado recorrente. Vanessa Scaff, Superintendente da Vanguard em Campo Grande, observa que a recompra ultrapassa a lógica da transação única: "Quando o cliente volta, ele não está apenas comprando outro apartamento. Está validando a experiência anterior. A confiança na entrega, no prazo e na valorização da primeira unidade é o que motiva essa segunda decisão", afirma.

Dados mostram preferência por compactos

Os dados de mercado corroboram o movimento. Levantamento da consultoria Brain aponta que 52% dos brasileiros demonstram intenção de comprar um imóvel, maior percentual da série histórica; entre eles, 68% pretendem concluir a compra em até 24 meses. Dentro desse universo, os apartamentos compactos de um dormitório se destacam: registraram a maior valorização nos últimos 12 meses, com alta de 7,77%, e apresentam rentabilidade média projetada de locação de 6,67% ao ano, segundo o informe de Janeiro de 2026 do Índice FipeZAP.

Unidades de até 40 m² já respondem por mais de 41% dos novos lançamentos no país, reflexo tanto da demanda por locação em centros urbanos quanto do perfil de um investidor pessoa física que busca menor valor de entrada, alta liquidez e geração de renda recorrente.

Confiança no mercado imobiliário

Estudos divulgados pelo Portal Customer sobre fidelização de consumidores indicam que a probabilidade de um cliente realizar uma segunda compra gira em torno de 30%, mas, após essa segunda aquisição, a chance de uma terceira ultrapassa 50%. No mercado imobiliário, onde o ticket médio é alto e o ciclo de decisão é longo, essa recorrência ganha peso ainda maior como indicador de satisfação.

O cenário de crédito também passou por mudanças. Em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo do ciclo iniciado em março. O orçamento do FGTS destinado à habitação em 2026 alcança R$ 144,5 bilhões. O valor integra um orçamento total de R$ 173 bilhões, que inclui também descontos habitacionais, saneamento básico e infraestrutura urbana.

Outra mudança foi a elevação do teto do Sistema Financeiro da Habitação de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, o que ampliou o conjunto de imóveis que podem ser enquadrados no sistema. Na Caixa, a cota de financiamento passou a alcançar até 80% do valor do imóvel na modalidade SAC. Juntas, as medidas ampliam o acesso ao crédito e podem favorecer o ciclo de recompra já observado por incorporadoras como a Vanguard.