Conflito na região eleva preços do petróleo e pressiona inflação global, forçando bancos centrais a manter juros altos e gerando perdas nos mercados financeiros da Ásia nesta quinta-feira.
Os mercados financeiros da Ásia encerraram os negócios desta quinta-feira (8) em queda. O principal motivo foi a nova alta nos preços do petróleo, causada pelas tensões no Oriente Médio. Esse aumento do combustível tende a gerar mais inflação (alta de preços) e a fazer os juros dos governos e bancos centrais subirem no mundo todo.
O índice Kospi, da Coreia do Sul, foi o que mais caiu, perdendo 2,62% e terminando em 6.625,93 pontos. A sessão foi mais curta devido a um feriado local. As ações das grandes empresas de chips, Samsung Electronics e SK Hynix, caíram 2,4% e puxaram a queda do índice sul-coreano.
- O petróleo Brent, referência global, subiu cerca de 4%, ultrapassando a marca de US$ 104 por barril devido aos ataques no Oriente Médio.
- Os bancos centrais dos EUA, Japão e Europa já aumentaram os juros neste ano para tentar controlar a inflação causada pela guerra.
- A bolsa da China, que retornou após uma semana de feriado, também caiu, com o índice de Xangai recuando 0,79%.
- EUA e Irã não chegaram a um acordo para encerrar as hostilidades, e a Casa Branca está planejando possíveis ataques, segundo a revista The Atlantic.
- Os ataques do grupo Houthi, no Iêmen, contra a Arábia Saudita aumentaram o medo de que a oferta de petróleo na região se torne instável.
Desempenho dos principais índices asiáticos
Além da Coreia do Sul, outros importantes mercados da região também fecharam no negativo. Em Tóquio, o índice Nikkei caiu 1,42%, chegando a 69.042,11 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,43%, terminando em 23.785,70 pontos. Na ilha de Taiwan, o índice Taiex teve queda de 0,99%, parando em 49.313,44 pontos.
Na China continental, as bolsas retomaram as atividades após uma semana de feriados e também registraram perdas. O índice Xangai Composto caiu 0,79%, fechando em 3.811,90 pontos. Já o Shenzhen Composto, que é menos abrangente, apresentou uma queda maior de 1,63%, encerrando a sessão em 2.365,35 pontos.
Petróleo sobe e pressiona a inflação global
Os preços do petróleo voltaram a subir com força, impulsionados pela incerteza sobre a quantidade de petróleo disponível no mercado global. Essa volatilidade é vista com preocupação por investidores, pois o combustível caro afeta diretamente o custo de produção de diversas outras mercadorias.
O contexto geopolítico segue tenso. Estados Unidos e Irã ainda não conseguiram chegar a um acordo para encerrar a guerra. Segundo uma reportagem da revista The Atlantic, publicada ontem e baseada em falas de dois funcionários não identificados, a Casa Branca pediu ao Pentágono que preparasse opções de ataque contra o Irã antes das eleições de meio de mandato, que ocorrerão em novembro nos EUA.
Além da tensão entre EUA e Irã, os ataques do grupo Houthi, baseado no Iêmen e apoiado pelo Irã, contra alvos na Arábia Saudita reforçaram os temores sobre o fornecimento de petróleo na região do Oriente Médio. Com isso, no fim da madrugada desta quinta, o petróleo Brent saltou cerca de 4%, chegando a mais de US$ 104 por barril.
Impacto nos juros e bancos centrais
A forte alta do petróleo tende a elevar os rendimentos das dívidas dos governos (títulos soberanos) e torna mais difícil para os principais bancos centrais controlarem a inflação. Com o custo do combustível subindo, os bancos centrais podem ser forçados a manter os juros altos por mais tempo para evitar que a inflação saia do controle.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, os bancos centrais já agiram para conter a inflação. O Fed (banco central dos EUA) e o BoJ (banco central do Japão) aumentaram as taxas de juros uma vez cada. Já o BCE (Banco Central Europeu) anunciou dois aumentos de juros no período.
Na Oceania, a tendência de queda também foi observada. A bolsa da Austrália terminou o pregão em baixa, com o índice S&P/ASX 200 caindo 0,77% e fechando em 8.660,90 pontos.

Reuters (Ajustada por IA)


