Estudo da MetLife revela que 68% dos brasileiros acreditam que conseguiriam lidar com imprevistos, mas apenas 36% se consideram financeiramente preparados. A pesquisa aponta um 'paradoxo da preparação' e mostra que 64% desejam soluções de seguro integradas a serviços do dia a dia.
Os brasileiros demonstram confiança para enfrentar situações inesperadas, mas essa percepção nem sempre se traduz em preparação financeira real. Um novo estudo da MetLife, intitulado Democratizando o acesso à proteção, revela essa lacuna. A pesquisa ouviu 4.373 pessoas e 497 tomadores de decisão de organizações no Brasil, Chile e México. No Brasil, 68% acreditam que conseguiriam encontrar uma forma de lidar com um imprevisto, enquanto apenas 36% se sentem preparados diante de sua principal preocupação financeira.
O estudo define essa diferença como paradoxo da preparação. A confiança em resolver um imprevisto está sete pontos percentuais acima da média dos três mercados analisados, enquanto a preparação está apenas um ponto acima. Isso indica que a crença na capacidade de reação não acompanha a disponibilidade de recursos e condições para enfrentar problemas concretos.
- 68% dos brasileiros confiam em resolver imprevistos, mas só 36% se sentem preparados.
- 55% poupam dinheiro ativamente e 53% evitam riscos ou tomam medidas de prevenção.
- A dependência financeira de outros é a maior preocupação, citada por 53% dos entrevistados.
- 55% esperariam encontrar proteção em aplicativos bancários.
- 64% demonstram interesse em seguros integrados a produtos e serviços do cotidiano.
Estratégias atuais de proteção e principais medos
Apesar da falta de preparação formal, os brasileiros já adotam estratégias próprias. 55% poupam ativamente e 53% evitam riscos ou adotam medidas de prevenção. Outros 25% recorrem ao apoio de familiares e amigos. Apenas 15% mencionam a contratação de um seguro entre os mecanismos utilizados. O apoio das redes próximas se destaca no Brasil, sendo oito pontos superior à média dos mercados analisados.
As preocupações refletem características específicas do mercado brasileiro. A possibilidade de depender financeiramente de outras pessoas é mencionada por 53% dos entrevistados, cinco pontos acima da média dos três países. O diagnóstico de uma doença cujo tratamento seja difícil de pagar também é citado por 53%, enquanto 46% apontam a perda prolongada de renda.
Gustavo Romero, VP do Xcelerator Brasil da MetLife, afirma: O brasileiro demonstra confiança na própria capacidade de seguir em frente e já combina diferentes recursos para se proteger. O desafio é ampliar essa capacidade de resposta, com soluções que complementem os mecanismos que as pessoas já utilizam e façam sentido para suas necessidades. Isso passa também por aproximar a proteção de momentos em que sua relevância fica mais clara para o consumidor.
Proteção integrada à rotina diária
O levantamento mostra que o momento e o canal de apresentação da solução podem aproximar a proteção das decisões cotidianas. Entre os brasileiros, 55% esperariam encontrar proteção em um aplicativo bancário. 33% a esperariam ao solicitar um empréstimo, e 25% em uma farmácia ou clínica. Apenas 17% esperariam ter de procurar uma solução por conta própria.
No entanto, barreiras ainda dificultam a transformação do interesse em ação. 29% dos brasileiros consideram os seguros caros. 28% os acham difíceis de acessar. 22% acreditam que são destinados a poucos, e 19% os consideram complexos.
O estudo sugere uma abordagem em que a proteção esteja conectada ao que as pessoas desejam preservar. Ela deve ser apresentada de maneira clara, em contextos nos quais a necessidade já possa ser reconhecida. No Brasil, essa lógica ganha relevância diante de um consumidor que confia na própria capacidade de resposta e recorre com mais frequência às redes próximas para enfrentar dificuldades.
Interesse em parcerias e seguros integrados
Um exemplo dessa evolução são as soluções de proteção embebida. Essa abordagem leva a proteção a produtos, serviços e experiências que já fazem parte do cotidiano. No Brasil, 64% dos entrevistados demonstram interesse nesse tipo de solução, oito pontos acima da média dos três mercados analisados. Entre as organizações brasileiras ouvidas, 78% demonstram interesse em considerar uma parceria com uma seguradora.
Para as organizações, a integração depende das condições da parceria. Contar com uma seguradora confiável é considerado importante por 70% das organizações brasileiras, 12 pontos acima da média dos mercados analisados. Um modelo comercial claro é mencionado por 52%, enquanto 38% destacam a importância de uma implementação simples.
O potencial do modelo vai além de apenas inserir um seguro em outro produto. Para gerar valor, a solução deve estar relacionada ao contexto e a uma necessidade reconhecível. Ela precisa ser apresentada em um momento relevante e proporcionar uma experiência clara e simples.
Método da pesquisa
O estudo se baseia em uma pesquisa quantitativa realizada entre abril e maio de 2026, em parceria com a Epiphany RBC. Foram entrevistadas 4.373 pessoas com 18 anos ou mais e 497 tomadores de decisão de organizações no Brasil, Chile e México. No Brasil, participaram 1.460 pessoas e 151 tomadores de decisão de organizações. A amostra considerou pessoas das classes socioeconômicas A, B e C que incluem a prática de poupar entre suas estratégias financeiras. Isso não significa, necessariamente, que os valores poupados sejam expressivos ou que essa prática ocorra de forma recorrente todos os meses.

Ilustração sobre o paradoxo da preparação financeira no Brasil (Ajustada por IA)


