A executiva Daniela Garcia defendeu que empresas não devem tratar causas sociais como filantropia separada, mas sim integrá-las ao coração do negócio. Em evento em São Paulo, ela apresentou um modelo de gestão que inclui funcionários, fornecedores e comunidade no planejamento estratégico, buscando um crescimento que gere valor para todos os envolvidos.
A incorporação de questões sociais e ambientais nas decisões empresariais esteve no centro da participação do Capitalismo Consciente Brasil no 6º Encontro Impactos Positivos, realizado em 24 de setembro, na FIAP, em São Paulo. Daniela Garcia, CEO da organização, apresentou um modelo de gestão baseado em propósito, liderança, cultura organizacional e relações com os diferentes públicos ligados às empresas.
O encontro também marcou a premiação do 6º Prêmio Impactos Positivos. Nesta edição, os vencedores foram Aventura de Construir, na categoria Dinamizador; Pesqueiro Sustentável, em Ideação; TrackGains, em Operação; e Parque Ecológico Rio Formoso, em Tração/Escala.
- Daniela Garcia é a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO do Capitalismo Consciente Brasil.
- O modelo de gestão se baseia em quatro pilares: propósito, liderança, cultura e stakeholders.
- A proposta vai além da responsabilidade social, entrando na operação diária do negócio.
- O evento ocorreu na FIAP, em São Paulo, no dia 24 de setembro.
- A gestão consciente busca equilibrar lucro financeiro com impacto socioambiental.
Quatro pilares da gestão consciente
Durante a apresentação, Daniela Garcia explicou que o capitalismo consciente surgiu como um conceito de gestão nos Estados Unidos e passou a reunir empresas interessadas em analisar seu desempenho para além da relação entre produto, consumidor e resultado financeiro.
A abordagem se estrutura em quatro pilares: propósito maior, liderança consciente, cultura consciente e orientação para stakeholders. Na prática, o modelo considera que funcionários, fornecedores, clientes, investidores e comunidades fazem parte de uma rede de relações que interfere no desempenho e na capacidade de geração de valor de uma companhia.
Para Daniela Garcia, propósito empresarial não deve ser tratado apenas como uma declaração institucional. Ele precisa orientar decisões estratégicas e estar incorporado à atuação das lideranças e à cultura interna.
Entender o propósito é entender o que tem na alma do negócio, por que esse negócio de fato existe e a que ele serve, afirmou Daniela Garcia durante o encontro.
Relação com funcionários e fornecedores
O quarto pilar, relacionado aos stakeholders, amplia essa lógica para os grupos que mantêm relações com a empresa. Segundo a CEO, a relação com funcionários, por exemplo, não deveria se limitar à prestação do trabalho em troca de remuneração.
Quem é essa pessoa Como é que a gente cuida dela Como é que a gente faz com que ela prospere, questionou Daniela Garcia.
A mesma lógica alcança fornecedores. Na visão apresentada pela executiva, empresas podem estabelecer relações de maior prazo, apoiar processos de qualificação e rastreabilidade e compreender o fornecedor como parte da estrutura do negócio, e não apenas como responsável pela entrega de uma matéria-prima ou serviço.
Jornalista, Daniela Garcia acumula cerca de 30 anos de experiência em operações, comunicação, relacionamento, negócios e estratégias de impacto. Sua trajetória inclui atuação na conexão entre empresas, organizações do terceiro setor e iniciativas socioambientais, além de temas relacionados a ESG, experiência do cliente e reputação. Daniela Garcia é a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO do Capitalismo Consciente Brasil.
Impacto como estratégia de negócio
A executiva também relacionou o modelo de gestão ao cenário de desigualdade brasileiro. Para Daniela Garcia, questões como acesso de jovens ao mercado de trabalho e oportunidades para mulheres e mulheres negras podem entrar diretamente na estratégia das companhias.
Não se trata de responsabilidade social corporativa, trata-se de decisão de negócio, afirmou Daniela Garcia.
Essa distinção coloca o impacto dentro da operação empresarial. Políticas de contratação, desenvolvimento de funcionários, seleção de fornecedores e relacionamento com clientes passam, nessa perspectiva, a ser analisadas tanto por seus efeitos econômicos quanto pelas consequências para os diferentes grupos relacionados ao negócio.
Daniela Garcia também destacou a formação de lideranças como uma das frentes de atuação do Capitalismo Consciente Brasil. Segundo a CEO, a organização trabalha com empresas de portes distintos, desde estruturas com poucos funcionários até companhias com dezenas de milhares de trabalhadores.
Todas essas lideranças são convidadas a se formar, a se capacitar para serem líderes conscientes, disse Daniela Garcia.
A presença da organização no Encontro Impactos Positivos, segundo a executiva, permite levar essa discussão tanto a pequenos negócios quanto a grandes empresas e aproximar a gestão corporativa da agenda de impacto socioambiental.
A discussão ocorre em um momento em que empresas enfrentam pressão crescente para demonstrar como temas sociais e ambientais se relacionam com suas operações. O desafio para modelos como o capitalismo consciente está em transformar conceitos como propósito e gestão de stakeholders em decisões mensuráveis sobre contratação, compras, liderança e relacionamento com clientes.
Nesse processo, o impacto deixa de ocupar apenas uma agenda institucional paralela e passa a disputar espaço nas decisões que determinam como as empresas operam e distribuem valor.
O 6º Encontro Impactos Positivos também contou com a participação de sua fundadora e CEO, Gisele Abrahão, que esteve à frente da apresentação do evento.

Daniela Garcia, CEO do Capitalismo Consciente (foto:PIP)



