Liderança da CACB reúne 330 presidentes de associações comerciais para lançar manifesto 'Rede Pauta Brasil', propondo fim da polarização política, liberdade de empreender e redução da burocracia para pequenos negócios, em preparação para o segundo turno e diálogo com o futuro governo.
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) promoveu, nesta terça-feira (06/10), um encontro virtual com cerca de 330 presidentes de federações e associações comerciais de todo o país. O objetivo central foi o lançamento do manifesto Rede Pauta Brasil: Pela reconciliação, pela liberdade e por um Brasil governado para todos. O documento busca superar a polarização política e estabelece princípios fundamentais para o próximo ciclo de governo, focando na reconciliação e no desenvolvimento nacional.
Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, liderou a mobilização. Ele destacou que a meta é ampliar a participação do setor no debate nacional, construindo uma agenda baseada nas demandas de quem empreende, trabalha e produz. Estamos lançando um manifesto para que toda a rede associativa tenha conhecimento das nossas propostas e, para aqueles que quiserem fazer sua adesão, possam participar. É uma forma de o sistema associativo se posicionar diante das questões que hoje envolvem o nosso país, afirmou Cotait.
- Encontro Histórico: Cerca de 330 presidentes de federações e associações comerciais participaram do lançamento virtual.
- Timing Estratégico: O evento ocorreu dois dias após o primeiro turno e 19 dias antes do segundo turno das eleições (25/10).
- Manifesto Aberto: O texto não cita candidatos ou partidos, podendo ser assinado por pessoas físicas (CPF) e empresas (CNPJ).
- Dados de Impacto: O Brasil possui 24,1 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo; em 2025, eles geraram 80,5% dos novos empregos formais.
- Agenda Proposta: O foco é criar um ambiente de negócios com menos impostos e burocracia, garantindo segurança jurídica e liberdade para produzir.
A iniciativa ocorre em um momento crucial: dois dias após o primeiro turno das eleições e 19 dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O manifesto não cita nomes de candidatos ou partidos, mantendo-se neutro, e está aberto à adesão de qualquer pessoa física ou empresa. De acordo com o presidente da CACB, o movimento apresentará à sociedade uma agenda de governo elaborada sob a perspectiva do associativismo. A proposta é reunir os principais temas econômicos e sociais que afetam empresas e entidades para abrir um canal de diálogo com o futuro governo.
Estamos preparando um programa de governo com a visão do associativismo e dos empreendedores, com os principais pontos que afetam os problemas econômicos e sociais da nossa sociedade, das nossas entidades e das nossas empresas. É uma abertura de diálogo com o futuro governo e, principalmente, um posicionamento das nossas empresas, disse Cotait.
União do setor produtivo e atenção ao Congresso
Além da ampla representação empresarial, a reunião contou com a presença de outras lideranças importantes. Participaram o presidente emérito da CACB, Guilherme Afif Domingos; a presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Cláudia Badra Cotait; e a deputada federal Adriana Ventura (Novo), reeleita por São Paulo. Afif Domingos destacou a importância da mobilização do setor produtivo diante das mudanças políticas e econômicas em curso. Para ele, além da disputa presidencial, o setor precisa acompanhar de perto a composição e a atuação do Congresso Nacional, organizando suas posições em torno de princípios comuns.
Todo mundo está concentrado na eleição do presidente, mas nós temos que olhar a representação no Congresso. Será um momento muito importante, em que teremos que nos mobilizar em torno de ideias e propostas, daquilo que pensamos para o Brasil, afirmou Afif. O ex-ministro também alertou para temas diretamente relacionados aos pequenos negócios, especialmente o regime do Simples Nacional e a reforma tributária. Nós temos uma reforma tributária e sabemos que, para o comércio do Simples, ela vai ser desastrosa, disse, ressaltando a necessidade de ajustes para proteger os pequenos empreendedores.
Papel da mulher e defesa do empreendedorismo
Ana Cláudia Badra Cotait, presidente do CMEC, destacou a adesão das mulheres ao manifesto e a ampliação da participação feminina na representação política e institucional. Ela confirmou que o Conselho divulgará o documento nas redes do CMEC em todo o Brasil para facilitar a adesão. Ana Cláudia também ressaltou o resultado das eleições para o Legislativo, celebrando a presença feminina nas novas bancadas como um passo importante para a representatividade.
O manifesto coloca o trabalho, a liberdade de empreender e o desenvolvimento econômico no centro da agenda defendida pelo Sistema do Associativismo. O texto afirma que a geração de riqueza está diretamente ligada à atividade de trabalhadores, pequenos comerciantes, produtores rurais, profissionais liberais e empreendedores. A CACB representa cerca de 2,3 mil associações comerciais e empresariais em todo o país. O peso dos pequenos negócios na economia reforça a importância da agenda defendida pela entidade: segundo dados citados no documento, o Brasil tinha 24,1 milhões de pequenos negócios com CNPJ ativo no segundo trimestre de 2026.
Em 2025, micro e pequenas empresas responderam por 80,5% do saldo de empregos formais, de acordo com levantamento do Sebrae com dados do Novo Caged. Nesse contexto, o manifesto defende um ambiente de negócios no qual o pequeno empresário não seja sufocado por impostos e burocracia. O documento reforça a necessidade de regras claras, segurança jurídica e liberdade para trabalhar e empreender, sustentando que o Estado deve estar a serviço do cidadão e que o desenvolvimento econômico depende da capacidade de trabalhadores e empresas de produzir, investir, inovar e gerar oportunidades.
Como assinar o manifesto
O documento pode ser assinado por qualquer pessoa ou empresa, utilizando CPF ou CNPJ, no site redepautabrasil.com.br. A página reúne a lista de signatários, formada por pessoas e entidades que aderiram ao texto e autorizaram a exibição do nome. Essa mobilização busca criar uma força política e social capaz de influenciar as políticas públicas futuras em favor do associativismo.

Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, liderou o encontro virtual que reuniu lideranças do associativismo


