A vitória de partidos de direita no Congresso Nacional fortaleceu a bancada do agronegócio. Com mais apoio legislativo, pautas como Ferrogrão, licenciamento ambiental e marco temporal ganham chances de avanço, embora resultados dependam também do presidente eleito.
No primeiro turno das eleições presidenciais, o Brasil assistiu a uma clara avanço da direita no Congresso Nacional. O PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, que liderava a disputa presidencial, elegeu 121 deputados e 19 senadores. Com isso, o PL detém agora a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado.
Essa mudança política impacta diretamente o agronegócio. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manteve boa parte de sua estrutura, mas ganhou força adicional, especialmente no Senado. O ambiente tende a ser mais favorável às demandas do setor rural.
- Mais de 180 deputados da FPA foram reeleitos, garantindo a manutenção de sua base na Câmara.
- Novos senadores de direita entram em vigor, ampliando a força ruralista no Senado Federal.
- Lideranças como Pedro Lupion (PL-PR) e Alceu Moreira (MDB-RS) foram reeleitos, mantendo a continuidade na direção da FPA.
- Pautas estratégicas como a Ferrogrão e o licenciamento ambiental ganham maior probabilidade de aprovação.
- O resultado final do alinhamento com o governo dependerá de quem vencer a presidência da República.
Impacto direto na estrutura da bancada ruralista
De acordo com levantamento exclusivo do AgFeed, dos 292 deputados federais membros da FPA, 242 concorreram à reeleição. Desses, 180 foram reeleitos, o que representa cerca de 74% do total. Outros 51 ficaram na suplência e 11 não foram eleitos. No Senado, dos 48 integrantes da FPA, 15 disputaram as eleições; 6 foram eleitos e 9 não obtiveram êxito.
Entretanto, a força do agro no Senado se mantém alta porque a maioria dos seus integrantes foi eleita em 2022. Um exemplo destacado é a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA no Senado. Houve também desistências de candidaturas, como a do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que optou por se afastar da vida pública.
Nomes que subiram de categoria
Além das reeleições, houve uma troca de casas para vários nomes influentes. Bia Kicis (PL-DF), coordenadora da área jurídica da FPA na Câmara, foi eleita senadora pelo Distrito Federal. Marcos Rogério (PL-RO), ex-senador, venceu a disputa pelo governo de Rondônia. Guilherme Derrite (PP-SP), que era deputado, virou senador por São Paulo, assim como Sanderson (PL-RS) e Caroline de Toni (PL-SC).
Outros deputados, como Domingos Sávio (PL-MG) e Evair de Melo (Republicanos-ES), também conquistaram vagas no Senado. Em contrapartida, alguns políticos ligados ao agro ficaram de fora ou se aposentaram. Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) encerraram seus mandatos. No Senado, Soraya Thronicke (PSB-MS), Esperidião Amin (PP-SC) e Zequinha Marinho (PODE-PA) não conseguiram a reeleição.
Pautas do agro ganham novo impulso
Especialistas avaliam que o agro saiu vitorioso das eleições. Cristiano Oliveira, da consultoria Arko Advice, afirma que o Congresso ficou mais alinhado ideologicamente com o setor ruralista, que tem viés de direita. Isso facilita a aprovação de agendas que antes encontravam resistência. Ale Delara, da Delara Agronegócios, destaca que a bancada ruralista ampliou sua força no Senado com a entrada de novos nomes.
Uma das pautas que pode avançar é a mudança nos processos de licenciamento ambiental. A proposta é permitir que análises de diferentes órgãos aconteçam em paralelo e estabelecer prazos definidos. Na infraestrutura, a Ferrogrão (trem de grãos) e a hidrovia do Tapajós podem ganhar novo fôlego, visto que o atual governo demonstrou resistência a esses projetos. A implementação dessas obras é vista como essencial para reduzir custos logísticos no Arco Norte.
Limites: Política e Economia dependem do Executivo
Apesar do Legislativo favorável, nem todas as demandas do agro serão resolvidas apenas no Congresso. Temas como o Plano Safra, que este ano chegou a R$ 525,1 bilhões em crédito, dependem da situação fiscal do país e das taxas de juros, controladas pelo governo. Um eventual governo mais alinhado ao agro poderia compensar limitações através de políticas tributárias e comerciais mais diretas.
O comércio exterior é outra área crítica. A política externa do próximo governo será decisiva para manter bons relações com China, Europa e EUA. Analistas lembram que, em governos anteriores de direita, houve atritos diplomáticos que impactaram as exportações de proteína animal e grãos. Portanto, a mudança no Congresso cria um ambiente de diálogo melhor, mas o resultado final depende de quem estiver no Palácio do Planalto.

Pedro Lupion, presidente da FPA, com o senador Guilherme Derrite (Ajustada por IA)


