O Banco Central divulgou o Boletim Focus com projeções piores: inflação subiu para 5,01% e o crescimento do país deve ser menor, deixando as empresas mais cautelosas ao planejar investimentos.
No começo da semana, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, que trouxe um cenário preocupante: a inflação deve subir e o crescimento do país pode ser menor. Isso acontece justamente quando as empresas começam a definir seus planos e gastos para 2027.
A expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) deste ano subiu de 4,99% para 5,01%. Isso é a terceira alta seguida e fica acima do limite permitido de 4,5%, que é o teto da meta do governo.
- Inflação em alta: previsão para 2026 subiu para 5,01%.
- PIB menor: expectativa de crescimento caiu para 1,85%.
- Juros permanecem altos: Selic projetada em 13,5% ao ano.
- Empresas devem planejar cenários diferentes antes de investir.
- Para 2027, inflação ainda deve ficar acima da meta.
Ao mesmo tempo, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,86% para 1,85%. Essa é a quarta queda consecutiva. Para 2027, a previsão de crescimento também diminuiu, de 1,41% para 1,40%.
Como as empresas devem se preparar
A combinação de inflação resistente e atividade econômica mais fraca pesa sobre as decisões das empresas. Para Douglas Bubna, empresário com 16 anos de experiência, esse momento exige mais cuidado na hora de investir dinheiro.
Segundo ele, quando inflação, juros e crescimento caminham nessa direção, enxergar uma oportunidade não é suficiente. O empresário precisa saber quanto vai custar, em quanto tempo terá retorno e qual será o impacto no caixa. Em um ambiente assim, errar na hora de investir pode custar muito mais caro, afirmou.
Os juros completam a equação. O Focus manteve em 13,5% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2026 e em 12% para o fim de 2027. Mesmo com a possibilidade de queda, o custo do dinheiro deve continuar alto.
Na prática, juros altos encarecem empréstimos e financiamentos, pesando nos planos de expansão das empresas que dependem de capital de terceiros. Ao mesmo tempo, uma economia mais lenta tende a reduzir o consumo e as receitas de alguns setores.
Bubna avalia que é nesses momentos que caixa e planejamento ganham importância, mas isso não significa parar de investir. Muitas oportunidades aparecem em épocas de cautela, mas é preciso diferenciar crescimento saudável de expansão feita só porque havia uma oportunidade aparente, disse.
Perspectivas para 2027
O horizonte de 2027 também pede atenção. A previsão de inflação para o próximo ano caiu levemente, de 4,31% para 4,30%, mas continua acima do centro da meta, enquanto a estimativa de crescimento voltou a cair.
O próprio Banco Central já havia sinalizado perda de ritmo da atividade. No Relatório de Política Monetária de setembro, a instituição reduziu de 2% para 1,8% sua previsão para o PIB de 2026 e apontou desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre, com sinais de que o movimento continuou no terceiro.
Diante disso, Bubna recomenda que as empresas trabalhem com cenários diferentes antes de comprometer recursos. O empresário não pode tomar decisão olhando só para o próximo mês. Um investimento feito hoje terá reflexos por anos, afirmou. Para ele, a conta precisa incluir simulações de receita, custo do crédito, inflação e capacidade de gerar caixa.

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