06 de outubro de 2026

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Juros longos no Brasil podem cair até 2,5% após eleições

Economia Juros 06/10/2026 09:51 Assessoria de Imprensa

Especialistas do mercado financeiro preveem uma queda de 1,5% a 2,5% nos juros de longo prazo até o final de 2027, impulsionada pela melhora da confiança fiscal após as eleições. A redução deve tornar o crédito mais barato e fortalecer a bolsa de valores, desde que haja medidas concretas de controle da dívida pública.

Aos juros longos no Brasil podem recuar entre 1,5% e 2,5% pontos percentuais até o fim de 2027, segundo especialistas ouvidos após o segundo turno das eleições. O movimento já começou, com uma queda superior a 1 ponto percentual em trechos da curva de juros em apenas um dia. Isso aumenta o valor de empresas que crescem nos próximos anos e muda a decisão entre investir em renda fixa ou assumir risco empresarial. A melhora na confiança fiscal é o principal motor dessa mudança, reduzindo o prêmio de incerteza cobrado pelos investidores.

Para que essa trajetória se consolide, é necessário que o governo apresente medidas concretas de estabilização da dívida e controle das despesas. A parte mais relevante da redução pode ocorrer antes de novos cortes da taxa Selic, pois o mercado antecipa cenários. Uma curva longa próxima de 12,7% indo para a região de 10,9% a 11,5% alteraria materialmente a relação entre risco e retorno no país. Isso é crucial para o venture capital, que ganha com valuations maiores, liquidez facilitada em saídas e maior disposição de investidores para alongar horizontes. Embora não signifique uma volta automática ao ciclo de capital abundante, startups com receita e eficiência de capital tendem a continuar sendo favorecidas em relação a negócios sustentados apenas por expectativa de crescimento.

  • Previsão de Queda: Juros longos podem cair de 12,7% para entre 10,9% e 11,5% até 2027.
  • Impacto na Bolsa: Valorização rápida ocorreu após as eleições, mas investidores devem ser seletivos agora.
  • Custo do Crédito: Redução pode chegar ao mercado antes de novos cortes da Selic, afetando crédito imobiliário e empresarial.
  • Risco Fiscal: A confirmação da queda depende de medidas reais de controle da dívida pública e despesas.
  • Contexto Global: Juros nos EUA (Treasury 10 anos) atingiram 5,34%, mantendo alta competitividade global por capital.

Impacto nos Juros Longos e no Mercado

André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, explica que o mercado começou a retirar parte do prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros. A reação foi rápida porque investidores antecipam cenários, o que levou à valorização da Bolsa, fortalecimento do real e queda relevante dos juros futuros. Caruso acredita que, com melhora consistente e crível da situação fiscal, os juros de longo prazo podem recuar entre 1,5 e 2,5 pontos percentuais até o fim de 2027. Isso exige estabilidade da dívida e capacidade política para implementar reformas. O efeito sobre a atividade econômica é mais lento, tendendo a aparecer entre seis e doze meses após a mudança. O principal risco é o mercado ter antecipado uma melhora que não se confirme na prática, o que poderia devolver o prêmio aos juros.

Estratégias para Investidores e Ações

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, destaca que, apesar do espaço para alta da Bolsa, o investidor precisa ser mais seletivo após a euforia inicial. Parte da melhora de expectativa já foi incorporada aos preços, especialmente em bancos e empresas ligadas ao mercado de capitais. No entanto, vários ativos ainda negociam abaixo de suas médias históricas. O próximo avanço dependerá da confirmação de uma agenda fiscal que reduza o prêmio de risco. Lima vê mais oportunidades (assimetria) em empresas domésticas de qualidade ligadas à construção, shoppings, infraestrutura, concessões, saúde e consumo. O conselho é evitar compras indiscriminadas e priorizar entradas graduais em empresas com balanços sólidos, capazes de se beneficiar de juros menores.

Transmissão para o Crédito Bancário

Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, observa que o primeiro efeito da melhora fiscal aparece no custo de captação das instituições. Com a queda de mais de 1 ponto percentual nos juros longos, é possível revisar a taxa mínima exigida para empréstimos de longo prazo. Isso pode transmitir benefícios para o crédito imobiliário, capital de giro, construção e crédito rural. Friggi estima uma queda adicional de 1 a 1,5 ponto percentual até o fim de 2027, se a confiança fiscal sobreviver ao período eleitoral. Linhas com boa garantia devem reagir primeiro. Os efeitos mais claros no crédito são esperados entre três e seis meses após a estabilização da curva, enquanto investimentos maiores podem levar de seis a doze meses. O custo internacional do dinheiro continua alto, o que exige cautela.

Estruturação de Capitais e Debêntures

Letícia Moschioni, sócia da Finscale, enfatiza que para as empresas o ponto crucial é o custo de estruturação do capital. A queda de mais de 100 pontos base em vencimentos longos abre uma janela para o reprecamento de debêntures, FIDCs, securitizações e outras estruturas. Esse canal reage mais rápido do que o crédito bancário, pois o preço é formado diretamente no mercado. Se houver consolidação da confiança fiscal, é possível retirar mais 1 a 1,4 ponto percentual da parte longa da curva até 2027, levando taxas de 12,7% para algo entre 11,3% e 11,7%. Isso pode ocorrer sem esperar novos cortes da Selic. Em operações de embedded finance, a redução do custo pode viabilizar produtos de crédito que não faziam sentido econômico antes. O mercado de capitais pode reagir em poucos meses, mas o consumo e o investimento tendem a responder ao longo de dois ou três trimestres.

Compressão do Prêmio de Risco

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, lê a queda dos juros como uma compressão do prêmio de prazo, e não apenas uma aposta na decisão do Banco Central. O DI para janeiro de 2035 perdeu 133 pontos base em um único dia, indicando um recalculação de risco fiscal e dívida pública. Essa mudança chega rapidamente à precificação de fundos, títulos públicos e crédito privado. Com uma trajetória fiscal convincente, há espaço para uma queda adicional de 0,8 a 1,3 ponto percentual até o fim de 2027. Isso colocaria parte da curva na região de 11,3% a 12%. Essa compressão não precisa aguardar a inflação na meta para começar, desde que o componente fiscal deixe de adicionar prêmio à curva. O ambiente também tende a mudar a arquitetura do financiamento, aumentando a viabilidade de estruturas de prazo maior como FIDCs e FIIs. A confirmação virá da execução das políticas fiscais e monetárias.

Desafios e Contexto Internacional

Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, aponta que o investidor brasileiro recebe sinais aparentemente contraditórios: internamente, a curva retirou mais de 1 ponto percentual de prêmio e o real se valorizou; lá fora, o Treasury americano de dez anos chegou a 5,34%, o maior nível desde 2002. Isso significa que o Brasil pode melhorar relativamente ao mundo, mas continua competindo por capital em um ambiente de retorno elevado no ativo de referência global. Murad considera plausível uma queda adicional de 1 a 1,5 ponto percentual nos juros longos brasileiros até o fim de 2027, desde que haja uma agenda fiscal consistente. O real mais forte pode ajudar a reduzir a inflação de bens importados, facilitando a política monetária. No entanto, Murad alerta contra abandonar a diversificação internacional, pois o mercado americano continua forte, impulsionado pela inteligência artificial, enquanto o Fed enfrenta inflação desconfortável. A estratégia recomendada é a diversificação, evitando apostas binárias na eleição. Sinais para rever o otimismo doméstico incluiriam uma nova abertura dos Treasuries, petróleo pressionando a inflação global ou ausência de medidas fiscais concretas.