05 de outubro de 2026

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Facções controlam território e causam fuga de empresas e investimentos

Economia Segurança 05/10/2026 17:19 Flávio Galhardo

Artigo alerta que a segurança virou um custo invisível para o Brasil. O domínio territorial pelo crime organizado expulsa o capital produtivo e inviabiliza a economia local. A solução proposta vai além da polícia, exigindo retomar o controle econômico e institucional das cidades.

O debate sobre segurança nas eleições estaduais e presidenciais costuma ficar superficial. De um lado, fala-se apenas em aumentar o número de policiais. De outro, discorrem-se políticas sociais genéricas. No entanto, governadores e a futura liderança nacional enfrentam uma crise profunda que a polícia sozinha não resolve: o controle ostensivo de territórios por facções criminosas e milícias. Esse domínio enfraquece o mercado formal e faz as empresas fugirem.

A segurança deixou de ser apenas um problema policial para se tornar a principal variável do ambiente de negócios. Onde o Estado perde o controle, o crime cria uma economia paralela. Facções cobram "taxas de proteção" de pequenos empresários e monopolizam serviços básicos como gás, internet, transporte e combustíveis. Isso encarece a vida nas periferias e impede o funcionamento de empresas formais. O resultado é a saída silenciosa de indústrias e investimentos para regiões ou países com menos risco de extorsão.

  • O crime organizado cobra "pedágios" que aumentam o custo de vida e a produção.
  • Empresas estão migrando para estados ou países com menor risco de vandalismo.
  • Polícia sozinha não resolve a perda de soberania territorial do Estado.
  • É necessário integrar a polícia com a Receita e agências reguladoras.
  • O Estado precisa retomar o controle e oferecer serviços básicos de imediato.

Soberania Territorial e Econômica

Diante desse cenário, os planos de governo não podem focar apenas em operações policiais pontuais de "entrada e saída". A retomada do controle exige uma abordagem estruturada de soberania territorial e econômica, como proposto no Plano Estratégico de Reocupação Territorial, estruturado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro. A partir da análise deste especialista em gestão de riscos, as iniciativas devem seguir três frentes de ação imediata.

Frentes de Ação Imediata

A primeira frente é a criação de Gabinetes de Proteção Econômica Integrada. Isso unirá a inteligência das polícias às Receitas Estaduais e agências reguladoras. Para sufocar o crime, é preciso cortar o fluxo financeiro gerado pelo monopólio de serviços. Garantir que concessionárias legítimas e o comércio formal operem sem pagar o "pedágio" mafioso é essencial. Esse "pedágio" é nefasto para a economia e a reputação de um Estado ou País.

A segunda frente é a atualização da cooperação federativa no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Como o crime se espalha pelas divisas estaduais, é obrigatório compartilhar dados analíticos. O objetivo é proteger os corredores logísticos e distritos industriais que conectam a produção nacional. Sem a proteção das rotas de escoamento, a indústria local perde competitividade global.

A terceira e última frente é substituir a lógica reativa por metas de reocupação institucional permanente. As zonas dominadas pelo crime precisam receber, no dia seguinte às operações policiais, incentivos de regularização fundiária e fiscalização comercial mais simples. É fundamental a presença contínua do poder público regulador, coordenada com as frentes sociais, de empreendedorismo e educação.

Conclusão

Quem tratar o domínio territorial apenas como um índice de criminalidade promete soluções ultrapassadas para uma crise do século XXI. Sem a garantia do controle territorial pelo Estado, aliada à atuação direta no apoio às atividades econômicas básicas, não haverá plano de desenvolvimento, atração de investimentos ou crescimento econômico sustentável em qualquer estado brasileiro.