Pesquisa revela que a falta de critérios claros para evolução profissional faz com que talentos saiam das pequenas e médias empresas da região de Campinas. Veja como criar caminhos simples de crescimento para reter bons profissionais.
Uma pesquisa inédita mostra que 9 em cada 10 pequenas e médias empresas da Região Metropolitana de Campinas (RMC) não possuem um plano de carreira. Em um mercado cada vez mais competitivo, a falta de clareza sobre o futuro do funcionário pode ser um forte motivo para ele buscar oportunidades em outras empresas.
O dado vem de um estudo da JM Consultoria, que entrevistou 333 empresas localizadas em cidades como Campinas, Americana, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa e Santa Bárbara dOeste. O levantamento focou em companhias dos setores de indústria, serviços e varejo, com faturamento anual entre R$ 1 milhão e R$ 60 milhões e equipes de 10 a 300 colaboradores.
- A ausência de regras claras para promoções e aumentos gera incerteza nos funcionários.
- 48% dos profissionais deixariam um emprego se não houvesse chances de crescer.
- A falta de perspectiva faz com que bons talentos busquem outras empresas.
- Crescer não precisa significar virar chefe; é possível evoluir dentro da mesma função.
- Criar níveis (júnior, pleno, sênior) torna o avanço mais justo e previsível.
Segundo a pesquisa, sem um plano de carreira, a evolução profissional não segue regras definidas. Na prática, promoções, aumentos salariais e novas responsabilidades podem ser decididos caso a caso, o que tira a clareza do funcionário sobre o que precisa fazer para avançar. O cenário é preocupante porque os profissionais estão atentos às oportunidades. Um estudo da Randstad (Workmonitor 2025) indica que 48% dos trabalhadores abandonariam um emprego sem chances de progressão, e 31% já o fizeram por esse motivo.
O perigo de perder talentos sem perspectiva
Para as empresas, a falta de perspectiva dificulta a retenção de profissionais. Rafael Gomes Martins, diretor comercial da JM Consultoria, alerta: Sem perspectiva, o bom profissional pode chegar à conclusão de que a única forma de crescer é mudando de empresa. Quando isso acontece, a empresa perde um talento e o empresário acaba assumindo uma sobrecarga que poderia ser evitada.
Crescer sem virar chefe
Um plano de carreira não precisa significar apenas uma promoção para um cargo de liderança. Pequenas empresas podem criar etapas de desenvolvimento dentro da própria função, como júnior, pleno e sênior. Cada nível pode ter responsabilidades, critérios de avaliação e faixas salariais diferentes. Assim, um profissional começa como júnior, avança para pleno conforme ganha experiência e depois chega ao nível sênior. A evolução não depende apenas do tempo de casa, mas de critérios claros sobre conhecimento técnico, resultados, comportamento e capacidade de assumir novas tarefas.
A JM Consultoria explica que essa estrutura pode ser aplicada até em empresas com menos de 10 funcionários. É possível criar subdivisões dentro de cada nível, permitindo avanços menores e mais frequentes, sem a necessidade de promover alguém rapidamente para liderança. O objetivo é tornar o caminho previsível: o profissional sabe o que precisa entregar para avançar, e a empresa deixa de tratar cada pedido de aumento como uma negociação isolada.
Como criar um plano de carreira simples
Para uma PME que ainda não tem essa estrutura, o primeiro passo é organizar os cargos e salários existentes. Em seguida, deve-se definir os níveis de cada função, estabelecer critérios para evolução e determinar como a avaliação dos profissionais será feita. Também é importante treinar as lideranças para aplicar esses critérios de forma clara e consistente. Quando as regras estão claras, o crescimento deixa de depender de quem pede aumento ou de quem ameaça sair. A empresa passa a ter uma forma mais objetiva de reconhecer quem está entregando resultado, explica Rafael.
Além de dar previsibilidade ao profissional, essa estrutura ajuda a empresa a preparar pessoas para assumir novas responsabilidades gradualmente. Em um mercado onde as oportunidades de desenvolvimento pesam na decisão de permanecer ou sair, deixar claro quais são os próximos passos pode ser a chave para as PMEs reterem talentos e sustentarem o crescimento do negócio.

9 em cada 10 pequenas e médias empresas da RMC não têm plano de carreira (Ajustada por IA)



