06 de outubro de 2026

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Varejo lidera busca por crédito estruturado entre empresas maduras no Brasil

Economia Crédito 05/10/2026 12:48 Andrezza Oliveira, Compliance Comunicação

O comércio varejista é o setor com mais empresas analisadas por FIDCs no início de 2026. Estudo mostra que 640 varejistas buscaram financiamento, destacando o uso de crédito por empresas saudáveis e estabelecidas para capital de giro.

O comércio varejista se destaca como a atividade econômica com o maior número de empresas analisadas por FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) nos nove primeiros meses de 2026. Um levantamento da Assertiva, empresa especializada em análise de dados, identificou 640 varejistas entre os CNPJs observados. Esse número supera o do comércio atacadista, que registrou 347 empresas, e do setor de confecção e vestuário, com 328.

Os dados fazem parte da primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado. O estudo analisou 4.045 consultas realizadas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026, envolvendo 3.543 empresas distintas. Quando consideradas as grandes categorias, a Indústria, a Construção e a Logística somam 51,1% da amostra. A liderança do varejo, portanto, se refere às atividades econômicas analisadas individualmente.

  • O varejo lidera em quantidade absoluta de consultas por FIDCs com 640 empresas.
  • O estudo cobriu 36 FIDCs e 3.543 empresas distintas no período de janeiro a setembro de 2026.
  • 68,9% das empresas analisadas não apresentavam sinais de restrição financeira.
  • A média das empresas consultadas tem 17,6 anos de existência e faturamento de R$ 44,3 milhões.
  • O split payment da reforma tributária pode aumentar a necessidade de crédito no varejo.

Por que o varejo precisa de crédito estruturado

No varejo, a necessidade de financiamento está diretamente ligada ao ciclo operacional da empresa. O varejista precisa comprar mercadorias, formar estoques e pagar fornecedores antes de concluir a venda. Em muitos casos, ainda precisa esperar o recebimento de transações parceladas para equilibrar as finanças.

Eduardo Sgobbi, CEO do Edan Finance Group, explica que essa característica ajuda a entender por que o setor aparece com destaque nas análises dos FIDCs. O varejista coloca dinheiro na operação antes de receber pela venda. Compra estoque, paga fornecedores e sustenta despesas enquanto parte das receitas ainda está para entrar. O crédito estruturado pode ajudar justamente a financiar esse intervalo, transformando recebíveis futuros em recursos para manter o ciclo da operação, afirma.

Impacto da reforma tributária e split payment

Essa necessidade de administrar o intervalo entre desembolsos e recebimentos tende a ganhar importância adicional com a implementação do split payment na reforma tributária. O mecanismo prevê a segregação de IBS e CBS na liquidação financeira das transações, alterando a forma como parte dos recursos das vendas transita pelo caixa das empresas.

Na avaliação de Sgobbi, a mudança pode tornar o planejamento da liquidez ainda mais relevante para setores que já dependem intensamente de capital de giro. O split payment não significa necessariamente pagar mais imposto, mas muda a dinâmica financeira da operação. Para o varejo, que precisa financiar estoque, fornecedores e prazos de recebimento, ter clareza sobre o caixa efetivamente disponível passa a ser ainda mais importante. Isso pode ampliar a necessidade de antecipação de recebíveis e de outras estruturas de crédito para financiar o ciclo do negócio.

A possível ampliação dessa demanda é um efeito que ainda não foi medido pelo levantamento da Assertiva, mas uma consequência que o mercado começa a avaliar diante da mudança no fluxo financeiro das empresas. Para os FIDCs, o novo modelo também tende a exigir maior precisão na análise dos recebíveis e na projeção do caixa disponível para o tomador.

Indústria ganha força proporcionalmente

Enquanto o varejo se destaca em quantidade absoluta, os segmentos industriais ganham força proporcionalmente. A indústria de bebidas registra 816,8 empresas analisadas para cada 100 mil existentes no segmento, seguida por máquinas e equipamentos, com 434,3, têxtil, vestuário e calçados, com 111,6, e metalurgia e siderurgia, com 97.

São duas informações que contam histórias diferentes. O volume absoluto ajuda a mostrar onde existe uma quantidade maior de empresas sendo analisadas. Já a comparação proporcional permite identificar setores que aparecem com uma intensidade maior do que seu tamanho na economia sugeriria. É justamente o cruzamento dessas informações que ajuda a construir uma leitura mais completa do mercado, explica Albertini.

Perfil financeiro das empresas consultadas

Outro dado do levantamento chama atenção para o perfil financeiro das empresas. Entre os 3.543 CNPJs analisados, 68,9% não apresentavam sinais de restrição, contra 31,1% com algum indicador dessa natureza. Entre as companhias consultadas duas ou mais vezes, 62% não tinham restrições.

A maturidade também é relevante. 60,9% das empresas observadas possuem mais de dez anos de existência, enquanto apenas 4,5% têm até dois anos. Na média, os CNPJs analisados têm 17,6 anos de atividade, faturamento presumido de R$ 44,3 milhões e 189 funcionários.

Esses números ajudam a afastar a ideia de que a análise por um FIDC está necessariamente associada a empresas em dificuldade. A maior parte dos CNPJs observados não apresentava sinais de restrição e existe uma presença importante de empresas maduras. O dado é compatível com um mercado em que o crédito estruturado também pode ser utilizado por companhias que buscam alternativas para financiar sua operação, afirma Albertini.

O Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado analisou 4.045 consultas realizadas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026, envolvendo 3.543 CNPJs distintos. O estudo considera localização, atividade econômica, porte, tempo de existência, faturamento presumido, número de funcionários e indicadores de restrição. O levantamento é observacional e utiliza uma amostra não probabilística. Os resultados descrevem o comportamento dos fundos observados e não representam estatisticamente toda a indústria brasileira de FIDCs. Uma consulta indica que determinado CNPJ foi objeto de análise por um fundo, mas não comprova solicitação, aprovação ou contratação de crédito.