Dados da ABRAS mostram que o consumo nos lares brasileiros cresceu 2,71% em 2026, impulsionado pela queda de preços de itens como café, açúcar e óleo de soja, além do aumento no emprego e na renda.
O consumo nos lares brasileiros apresentou alta de 2,69% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 2026, o crescimento é de 2,71%. Esse avanço é atribuído a fatores como a criação de empregos, o aumento da renda e a redução recente nos preços de alimentos.
Na comparação mensal, o consumo subiu 2,21% de julho para agosto, um ritmo mais lento que o visto na passagem de junho para julho. Os dados foram deflacionados pelo IPCA e incluem todos os tipos de supermercados.
- O consumo nos lares cresceu 2,71% no ano de 2026.
- Café, açúcar e óleo de soja lideraram as quedas de preço.
- O emprego formal cresceu 2,41% no acumulado do ano.
- A cesta de 35 produtos da ABRAS ficou 0,57% mais barata em agosto.
- O Nordeste tem a cesta mais barata, e o Norte, a mais cara.
Preços de alimentos básicos caem
A queda nos preços ajudou a reduzir a pressão sobre o orçamento das famílias. O vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan, analisa que a combinação de preços menores, bons indicadores de emprego e renda mantém o consumo em alta, mesmo que o ritmo tenha desacelerado no último mês.
No mercado de trabalho, agosto registrou a criação de 165.827 postos com carteira assinada. No acumulado do ano, foram criados mais de 1,1 milhão de empregos, resultando em um crescimento de 2,41%.
Impacto na renda e inflação
A PNAD Contínua do IBGE também aponta sinais positivos. A taxa de desemprego caiu para 5,3%, e a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, o maior número da série histórica. O rendimento médio real subiu 3,7% em relação a 2025.
A inflação oficial (IPCA) caiu 0,32% no mês. No grupo de alimentação, a queda foi de 0,34%. No acumulado do ano, a inflação total é de 3,11%.
Calendário de pagamentos impulsiona consumo
A liberação de recursos em agosto também contribuiu para o consumo. O Abono Salarial e o Bolsa Família somaram aproximadamente R$ 18 bilhões transferidos a milhões de trabalhadores e famílias. A Justiça Federal também liberou mais de R$ 3 bilhões em pagamentos.
Além disso, a Receita Federal pagou R$ 4,61 bilhões em restituições de imposto no fim de julho, recursos que ficaram disponíveis aos consumidores no início de agosto.
Variação de preços da Cesta Abrasmercado
O indicador Abrasmercado, que acompanha 35 produtos de largo consumo, recuou 0,57% em agosto. Isso representou a terceira queda mensal consecutiva. O valor médio da cesta passou de R$ 841,95 para R$ 837,14.
No acumulado do ano, os maiores aumentos ocorreram no feijão (+42,30%) e no leite longa vida (+27,34%). Em contrapartida, o café torrado e moído caiu 15,27%, o açúcar refinado 14,59% e o óleo de soja 10,23%.
Desempenho regional e produtos básicos
Em termos regionais, o Nordeste registrou a maior queda no valor da cesta (1,50%), seguido pelo Centro-Oeste (0,54%) e Sudeste (0,44%). O Norte e o Sul tiveram quedas menores. O Nordeste mantém o menor valor médio da cesta, enquanto o Norte possui o mais alto.
Na cesta de 12 produtos básicos, houve uma leve alta de 0,09% em agosto. O leite longa vida teve o maior aumento, enquanto o feijão apresentou a maior queda no mês. No acumulado do ano, esta cesta de básicos subiu 4,81%.

Gráfico ilustrativo do desempenho do consumo e preços


