A demanda por financiamento das companhias no Brasil aumentou 11,2% no último ano. Micro e pequenas empresas lideram o crescimento, seguidas pelo setor de serviços. Mato Grosso do Sul foi o estado com a maior alta. O aumento reflete a necessidade de gestão de caixa em um cenário de juros altos e economia desacelerada.
Busca das empresas por crédito cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses até agosto, aponta Serasa Experian
Micro e pequenas empresas registraram alta de 11,4%, a maior entre os portes; Todos os setores apresentaram crescimento, com destaque para Serviços (17,0%) e Agropecuária (16,2%); Mato Grosso do Sul (25,5%), Roraima (21,4%) e Paraíba (19,6%) apresentaram os maiores avanços entre os estados.
São Paulo, 01 de outubro de 2026 - A busca das empresas brasileiras por recursos financeiros registrou crescimento de 11,2% no acumulado dos últimos 12 meses até agosto, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Na análise por porte, as micro e pequenas empresas (MPEs) apresentaram a maior variação, de 11,4%. Na sequência, aparecem as grandes empresas (8,1%) e as médias (4,9%).
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o avanço ocorre em um cenário no qual o crédito permanece importante para a gestão financeira das empresas, apesar das condições restritivas. "A procura por crédito continua sendo impulsionada pela necessidade de gestão de caixa das empresas. Em um ambiente de juros elevados, desaceleração da atividade e inadimplência recorde, muitas companhias, sobretudo as pequenas e médias, têm recorrido a financiamento para administrar o descasamento entre o ciclo de recebimentos e as despesas operacionais, pressionando a demanda por recursos de curto prazo." explica. A economista acrescenta que "ao mesmo tempo, a dinâmica da oferta começa a mostrar uma acomodação menos intensa. A concessão de crédito às empresas, que vinha desacelerando de forma expressiva diante da deterioração dos indicadores de risco e do elevado custo financeiro, passou a encontrar algum suporte nas operações de capital de giro de curto prazo amparadas por fundos garantidores. Esses mecanismos ajudam a mitigar parte do risco das instituições financeiras e contribuem para preservar o acesso ao crédito em um ambiente que permanece desafiador para empresas e credores."
Principais destaques do indicador
- O crescimento geral da demanda por crédito foi de 11,2% no acumulado de 12 meses.
- Micro e pequenas empresas lideraram a alta com 11,4% de crescimento.
- O setor de Serviços apresentou o maior avanço entre as atividades econômicas, com 17,0%.
- Mato Grosso do Sul foi o estado com a maior variação positiva, atingindo 25,5%.
- A comparação anual (ago/26 vs ago/25) registrou alta de 5,3%.
No gráfico abaixo, confira o detalhamento do indicador no período:
Serviços lideraram crescimento da demanda por crédito
Na análise por setores, todas as categorias registraram crescimento no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. Serviços apresentou a maior variação, de 17,0%, seguido pela Agropecuária (16,2%), Indústria (8,4%) e Comércio (6,8%).
O crescimento mais intenso em Serviços e Agropecuária ocorre em segmentos com dinâmicas bastante distintas, o que reforça o caráter disseminado da procura por crédito. Ao mesmo tempo, esse avanço precisa ser analisado em um ambiente no qual o custo financeiro permanece elevado e a economia apresenta sinais mais claros de desaceleração. Nesse contexto, o acesso a recursos continua importante tanto para financiar a atividade quanto para administrar necessidades de caixa ao longo do ciclo operacional, analisa Camila.
Mato Grosso do Sul lidera avanço entre os estados
Na análise por Unidades Federativas (UFs), todas registraram crescimento da procura empresarial por crédito no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. Mato Grosso do Sul (25,5%) apresentou a maior variação do país, seguido por Roraima (21,4%) e Paraíba (19,6%). Na sequência aparecem Distrito Federal (14,5%) e Mato Grosso (14,1%). Na outra ponta, os menores crescimentos foram observados no Rio de Janeiro (3,4%), Espírito Santo (6,7%) e Santa Catarina (7,6%). Confira o detalhamento completo no gráfico abaixo:
Variação anual cresce 5,3%
Na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda das empresas por crédito registrou alta de 5,3%. Entre os portes, as micro e pequenas empresas cresceram 5,7%, seguidas pelas grandes (2,2%), enquanto as médias empresas apresentaram retração de 7,5%. Na análise por setores, a Agropecuária apresentou a maior variação anual, de 13,8%, seguida por Serviços (11,3%), Comércio (1,3%) e Indústria (0,3%).
A diferença entre os resultados mostra a importância de observar os recortes em conjunto. Enquanto o acumulado em 12 meses captura uma trajetória mais longa e mostra uma demanda por crédito ainda sustentada, a variação anual é mais sensível ao comportamento recente e às bases de comparação. O avanço de 5,3% em agosto, após uma alta mais intensa em julho, indica uma acomodação na comparação interanual, mas não uma reversão da procura por crédito. O cenário segue sendo de empresas recorrendo a recursos financeiros, ainda que em um ambiente de concessão mais seletiva e atividade econômica em desaceleração, conclui a economista-chefe da datatech.

Serasa Experian







