Especialistas no Modern Construction Show, em São Paulo, revelaram que transformar edifícios existentes (retrofit) é mais barato e sustentável do que demolir e reconstruir. O evento também destacou novas tecnologias como fachadas metalizadas, rastreabilidade digital de materiais e projetos de engenharia de alta complexidade.
O Modern Construction Show, realizado de 29 de setembro a 1 de outubro de 2026 no Distrito Anhembi, em São Paulo, apresentou o potencial da construção industrializada. O evento, que reuniu especialistas, debateu temas cruciais como retrofit, estruturas metálicas, inovação, rastreabilidade e produtividade. O foco foi mostrar como essas práticas reduzem desperdícios e melhoram o desempenho das obras. Ontem, 29 de setembro, foi realizado o Construmetal Pocket, uma iniciativa da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), que aprofundou essas discussões.
- Retrofit (reutilização de prédios) pode reduzir custos em até 60% e emissões de CO2 em até 75%.
- Estruturas tubulares foram aplicadas em projetos complexos, como a ciclofaixa sobre o Rio Pinheiros.
- O sistema educacional 'Mola' ajuda a visualizar a física das estruturas e é usado em 100 países.
- Fachadas de metal leve (LSF) aumentam a velocidade e segurança na construção.
- A rastreabilidade digital permite controlar a qualidade dos materiais ao longo da cadeia.
Economia e Sustentabilidade no Retrofit
Enrico Mangoni, engenheiro e CEO do Studio Mangoni Itália Brasil, apresentou os dados sobre a reutilização de edificações. As intervenções de retrofit podem reduzir os custos de construção em média de 40% a 60%, comparados à demolição e reconstrução. Além da economia financeira, o prazo total envolvendo projeto, aprovação e execução também é reduzido. Essa abordagem é fundamental para o desenvolvimento urbano sustentável.
No aspecto ambiental, o aproveitamento de partes da edificação existente gera uma redução de 50% a 75% nas emissões de CO. Mangoni explicou que os benefícios variam conforme a intervenção. Para um retrofit leve, o investimento fica entre 3% e 6% do valor do edifício. Já para um retrofit profundo, o custo pode chegar a 8% e 12%. A decisão final depende da localização, da legislação e da visão do investidor.
As soluções industrializadas também ganham espaço nesse mercado. Mangoni destacou o potencial das construções híbridas, que combinam a estrutura existente com novas tecnologias. Essa combinação torna a intervenção mais eficiente. O retrofit também permite preservar elementos arquitetônicos e históricos, transformando o imóvel para atender às demandas atuais sem perder sua identidade.
Inovações em Estruturas Tubulares
Dou dois projetos em São Paulo mostraram o poder das estruturas tubulares em obras urbanas complexas. O primeiro é a Ciclopassarela Jornalista Erika Sallum, na Zona Oeste. A estrutura de aproximadamente 3.470 m² conecta ciclistas e pedestres sobre o Rio Pinheiros, as vias marginais e a Linha 9-Esmeralda. Alexandre Cobra, gerente de Obras da SPObras, explicou que o projeto exigiu planejamento rigoroso para transporte, montagem, controle de deformações e vibrações.
O segundo caso é o heliporto do Esther Towers. Uma estrutura metálica instalada a 130 metros de altura sustenta o heliponto entre duas torres inclinadas de concreto. A estrutura espacial autoportante vence um vão de 21,5 metros usando perfis tubulares, totalizando cerca de 790 toneladas. Luciano de Souza Matos, da RMG Engenharia, ressaltou a importância da integração entre projeto, fabricação, logística e montagem para o sucesso de obras de alta complexidade.
Educação Prática e Planejamento Avançado
O sistema Mola, desenvolvido por Márcio Sequeira da Mola Education, oferece uma experiência prática de engenharia. Utilizando molas, a ferramenta permite montar modelos e observar na prática como as estruturas se comportam. O sistema é utilizado por estudantes, universidades e empresas em mais de 100 países, incluindo o MIT e a Universidade de Cambridge. No Brasil, a Poli-USP utiliza 60 kits para desenvolver a intuição estrutural dos alunos.
Fachadas, Rastreabilidade e Eficiência Lean
O planejamento antecipado foi crucial para a construção simultânea das quatro torres do complexo ICON ECB, em Passo Fundo (RS). O projeto exigiu a combinação de soluções mistas e estruturas metálicas, com planejamento iniciado um ano e meio antes. Leonardo Marcondes, da Medabil, e Guilherme Sartori, da CIB Construtora, destacaram a importância da integração entre projetistas e equipes de obra. Essa preparação permitiu compatibilizar estruturas, fachadas e instalações antes da chegada ao canteiro.
Sistemas em aço e Light Steel Framing (LSF) foram apresentados para aumentar a produtividade nas fachadas. Julio Ribeiro Godoy, da ArcelorMittal Perfilor, destacou os ganhos em velocidade, previsibilidade, segurança e conforto térmico. Renan Hessel da Cunha, da Espaço Smart, mencionou que o LSF permite maior precisão e redução de retrabalhos, além do desenvolvimento de uma norma brasileira específica para fachadas em LSF.
A rastreabilidade também foi um tema central. Priscila Rohem dos Santos, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apresentou a Estratégia Nacional de Infraestrutura da Qualidade (ENIQ) e o programa Conformidade para Todos. Pedro Henrique Di Martino, da GS1 Brasil, explicou como a identificação digital dos materiais permite associar características e normas técnicas aos produtos, ampliando o controle de conformidade na cadeia da construção.
Por fim, Flavio Picchi, do Lean Institute Brasil, propôs mudanças no fluxo de produção de estruturas metálicas através da metodologia Lean. Isso envolve produção puxada pela demanda, padronização e manutenção focada no desempenho. Ulysses Barbosa Nunes, presidente da ABCEM, destacou que a parceria entre as entidades busca ampliar essas práticas para aumentar a competitividade do setor construtivo brasileiro.

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