28 de setembro de 2026

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Incertezas econômicas e geopolíticas dominam riscos para empresas na América Latina

Economia Risco 28/09/2026 15:06 Assempresa IIA Brasil

Pesquisa global revela que 45% dos auditores na região apontam a instabilidade econômica e política como principal ameaça aos negócios. O estudo destaca também o aumento de riscos de cibersegurança e a rápida adoção de inteligência artificial.

As incertezas relacionadas à política e à economia global estão ocupando lugar de destaque entre as principais ameaças que podem afetar as operações e a continuidade dos negócios na América Latina. Esta constatação foi revelada pelo relatório Risk in Focus 2026/2027, recém-lançado pelo Instituto dos Auditores Internos (The IIA). O documento indica que 45% dos líderes de auditoria interna da região consideram este tema um dos cinco maiores riscos enfrentados por suas organizações. Esse resultado representa um avanço de oito pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior e supera a média global, que é de 38%.

O estudo mapeia ameaças capazes de afetar operações, resultados, segurança, governança e a continuidade dos negócios. A análise abrange desde condições macroeconômicas e mudanças nas leis regulatórias até ataques cibernéticos, a adoção de inteligência artificial, fraudes e questões financeiras. Na América Latina, a pesquisa reuniu 863 profissionais de auditoria interna de 18 países e territórios, além de mesas-redondas e entrevistas com lideranças da área.

  • 45% dos auditores da América Latina veem riscos geopolíticos e macroeconômicos entre os principais ameaças.
  • A cibersegurança lidera o ranking de riscos com 76% de preocupação, seguida pela disrupção digital e IA.
  • A fraude é percebida como um risco 9% acima da média global na região.
  • O estudo consultou 863 profissionais de auditoria em 18 países da América Latina.
  • A inteligência artificial registrou um aumento de 17 pontos percentuais na percepção de risco em apenas um ano.

Impactos diretos nas finanças e liquidez

A maior percepção de risco geopolítico e macroeconômico reflete um ambiente no qual fatores externos têm repercussões cada vez mais diretas sobre as empresas. O relatório destaca impactos potenciais sobre finanças, liquidez, câmbio, regulação, operações e cadeias de suprimentos. Isso exige das organizações capacidade de antecipação e resposta a cenários que podem mudar rapidamente.

Questões macroeconômicas ou geopolíticas podem parecer distantes da rotina operacional, mas seus efeitos chegam rapidamente às empresas, seja por meio do custo e da disponibilidade de crédito, da liquidez, do câmbio, de mudanças regulatórias ou da cadeia de fornecedores. Para a auditoria interna, o desafio é compreender como esses movimentos se traduzem em riscos concretos para cada negócio e avaliar se a organização está preparada para responder a diferentes cenários, afirma Paulo Gomes, Diretor-Geral do IIA Brasil.

Embora finanças e liquidez sejam apontadas entre os cinco maiores riscos para os negócios por 32% dos respondentes latino-americanos, o tema aparece entre as principais prioridades de trabalho das auditorias internas para 51% dos profissionais. Com isso, ocupa a quarta posição entre as áreas que mais recebem tempo e esforço da auditoria na região.

O dado evidencia como a auditoria interna direciona recursos não apenas aos riscos mais citados, mas também às áreas pelas quais choques externos podem chegar às organizações. No caso das incertezas geopolíticas e macroeconômicas, por exemplo, o próprio estudo mostra uma diferença importante: enquanto 45% consideram o tema um dos principais riscos, apenas 16% o colocam diretamente entre as maiores prioridades de auditoria.

IA e tecnologia exigem nova governança

Isso não significa, segundo o relatório, que esses riscos estejam fora do radar. Seus efeitos podem ser avaliados indiretamente em trabalhos relacionados a finanças e liquidez, mudanças regulatórias, governança, cadeia de suprimentos e resiliência dos negócios.

A função da auditoria interna não é prever qual será o próximo choque econômico, mas avaliar se a organização possui governança, controles e planos de resposta adequados para lidar com seus impactos. Em um ambiente de maior volatilidade, planejamento de cenários, atualização das matrizes de risco e planos de contingência tornam-se instrumentos ainda mais relevantes para apoiar a tomada de decisão, acrescenta Gomes.

O cenário econômico divide espaço com uma transformação acelerada do mapa de riscos corporativos. A cibersegurança permanece na primeira posição na América Latina, apontada por 76% dos respondentes entre os cinco principais riscos de suas organizações.

A principal mudança, entretanto, está na disrupção digital, incluindo inteligência artificial, que registrou avanço de 17 pontos percentuais em apenas um ano. Ela alcançou 54% e passou a ocupar a segunda posição entre os maiores riscos da região. A rápida adoção de ferramentas de IA pelas empresas e também por agentes de ameaças digitais amplia desafios relacionados à segurança, proteção de dados, governança e implementação de novas tecnologias. O relatório destaca ainda dificuldades específicas da América Latina, como limitações de infraestrutura digital e disponibilidade de profissionais especializados em cibersegurança.

Fraude e regulação completam o cenário de riscos

Também nesse tema existe diferença entre a dimensão do risco percebido e a atenção dedicada pelas auditorias. Enquanto 54% dos profissionais colocam disrupção digital e IA entre os cinco principais riscos, 29% indicam o tema entre as cinco maiores prioridades de auditoria. Apesar da diferença, o percentual destinado à área avançou dez pontos em relação ao levantamento anterior.

A velocidade da transformação tecnológica cria um desafio adicional porque as estruturas de governança e controle precisam evoluir no mesmo ritmo da adoção das ferramentas. A inteligência artificial amplia oportunidades, mas também exige critérios claros para seleção, implementação, uso de dados e avaliação dos riscos associados à tecnologia, afirma Gomes.

Além das incertezas geopolíticas e macroeconômicas, da cibersegurança e da transformação digital, as mudanças regulatórias aparecem entre os principais riscos para 49% dos respondentes, ocupando a terceira posição no ranking latino-americano. Capital humano completa o grupo dos cinco maiores riscos, com 40%.

A fraude também apresenta uma característica relevante na comparação internacional. A percepção desse risco na América Latina está nove pontos percentuais acima da média global. Quando considerada a atuação das áreas de auditoria interna, o tema ganha ainda mais peso: é a terceira maior prioridade na região, apontada por 51% dos profissionais.

As cinco maiores prioridades das áreas de auditoria interna latino-americanas são atualmente cibersegurança (69%), mudanças regulatórias (53%), fraude (51%), finanças e liquidez (51%) e governança e reporte corporativo (48%).

Para o IIA Brasil, os resultados mostram um ambiente no qual riscos tecnológicos, econômicos, regulatórios e financeiros estão cada vez mais interligados. Nesse contexto, a auditoria interna amplia seu papel no apoio à governança e à avaliação da capacidade das organizações de antecipar cenários, identificar vulnerabilidades e responder a eventos que possam comprometer seus objetivos.