O presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou preocupação com a forte desvalorização do iene durante reunião com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. A moeda japonesa atingiu níveis fracos em 40 anos, gerando ações conjuntas entre Washington e Tóquio para estabilizar o câmbio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou preocupação com a desvalorização do iene em uma reunião recente com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. A informação foi confirmada pela ministra japonesa das Finanças, Satsuki Katayama.
Katayama fez a declaração em uma entrevista coletiva em Tóquio nesta sexta-feira, 25. No início da semana, Takaichi, que esteve em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, reuniu-se com Trump para discutir uma ampla pauta, incluindo segurança econômica.
- O iene caiu para seus níveis mais fracos em 40 anos no fim de julho diante do dólar.
- Tóquio e Washington atuaram juntos no mercado cambial para ajudar a moeda japonesa.
- O Banco do Japão (BoJ) elevou os juros, o que reduziu a atratividade de investimentos especulativos.
- Especialistas alertam que a recuperação do iene ainda ocorre sobre uma base frágil.
- O aperto monetário do Federal Reserve (Fed) continua pressionando a moeda japonesa.
Resposta do Banco do Japão e mercado cambial
Depois de o iene cair, no fim de julho, para os níveis mais fracos em 40 anos frente ao dólar, Tóquio e Washington atuaram conjuntamente no mercado cambial para sustentar a moeda japonesa.
Desde então, uma elevação de juros pelo Banco do Japão (BoJ, em inglês) e a expectativa de novos aumentos ajudaram o iene a recuperar parte do terreno. Essa mudança reduziu a atratividade da moeda como fonte de financiamento em operações conhecidas como carry trade, que envolvem tomar empréstimos baratos para investir em ativos de maior retorno. Ainda assim, a força do dólar e o aperto monetário do Federal Reserve (Fed) voltaram a pressionar a moeda japonesa.
Análise de especialistas sobre a fragilidade da moeda
Para Claudio Wewel, estrategista do banco J. Safra Sarasin, a recuperação do iene parece ocorrer sobre base frágil. Ele afirmou que sinais do BoJ de aumentos mais rápidos começam a corroer a percepção de que o banco central se move lentamente, visão que há anos pesa sobre a moeda.
Mas, segundo Wewel, reações recentes do mercado indicam que o BoJ ainda pode estar ficando para trás em comparação com outros bancos centrais do grupo G10. Stefan Angrick, da Moody's Analytics, acrescentou que vários bancos centrais, inclusive de vizinhos regionais do Japão, adotaram postura mais dura. Nesse contexto, ele disse, altas do BoJ podem não reduzir tanto quanto se esperava, no início do ano, a diferença de juros do Japão em relação ao resto do mundo.

Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg via Getty Images


