25 de setembro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Inadimplência cresce 40% entre apostadores online, aponta estudo

Economia Apostas 24/09/2026 13:54 Karol Romagnoli | Lucky Assessoria

Novo levantamento revela que o aumento de gastos com apostas online está associado a um aumento de 40% nos atrasos no pagamento de dívidas. O estudo destaca o impacto no orçamento das famílias brasileiras, que enfrentam alta taxa de endividamento.

Estudo do Sicredi aponta que quem aposta online tem 40% mais chances de atrasar o pagamento das contas, enquanto 82% das famílias brasileiras já possuem dívidas.

A pesquisa, realizada com 1,3 milhão de associados do Sicredi, identificou um padrão preocupante: a inadimplência aumenta significativamente entre aqueles que realizaram apostas em plataformas online durante o ano de 2025. O risco financeiro sobe proporcionalmente à frequência e ao volume de dinheiro investido nos jogos.

  • 82% das famílias brasileiras têm dívidas para pagar em agosto de 2026.
  • Para famílias de baixa renda (até 3 salários mínimos), 85,1% estão endividadas.
  • 38,8% das famílias de baixa renda têm contas atrasadas.
  • 43,8 milhões de brasileiros (27% da população adulta) já apostaram em plataformas legais.
  • Depósitos somaram R$ 88,5 bilhões no primeiro semestre, com R$ 68,3 bilhões em prêmios.

Pressão financeira e o impacto do jogo no dia a dia

O cenário econômico atual intensifica a vulnerabilidade das famílias. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em agosto de 2026, 82% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer. A situação é ainda mais crítica para as classes C, D e E: entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 85,1% estavam endividadas e 38,8% registravam atraso no pagamento de contas.

Os dados mostram que o endividamento não se limita a empréstimos diretos para o jogo. Especialistas explicam que o dinheiro perdido nas apostas muitas vezes vem de recursos essenciais. Quando o apostador gasta dinheiro destinado à alimentação, aluguel ou contas básicas, o problema se manifesta como atraso em faturas de cartão, uso do limite da conta ou contratação de crédito caro para cobrir despesas do dia a dia.

Como o endividamento silencioso ocorre

Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto de Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), explica que o dano financeiro nem sempre é imediato ou óbvio. O prejuízo pode surgir na fatura do cartão, no uso do limite da conta, no atraso de uma prestação ou na contratação de um empréstimo para cobrir despesas básicas. Isso torna o problema menos visível, mas não menos grave, afirma.

João Vitor Mazzarino Pontes, corretor de seguros e especialista em planejamento financeiro, alerta para o ciclo vicioso de tentar recuperar perdas. O risco não está somente no valor perdido, mas na origem do dinheiro. Quando a aposta compromete recursos destinados a contas ou à reserva de emergência, pode gerar atraso, juros e necessidade de crédito, explica Pontes. Enquanto o jogador tenta reaver o dinheiro anterior, as despesas básicas continuam vencendo, agravando a situação.

Dimensão do mercado de apostas e ações do governo

Os dados do Ministério da Fazenda, obtidos via Lei de Acesso à Informação, indicam a magnitude do mercado: 43,8 milhões de brasileiros, o equivalente a 27% da população adulta, já realizaram apostas em plataformas autorizadas até agosto de 2026. No primeiro semestre, os depósitos totalizaram R$ 88,5 bilhões, e R$ 68,3 bilhões foram retornados em prêmios. Vale destacar que esses números não incluem plataformas ilegais, que não reportam dados oficiais.

O tema ganhou destaque no governo federal. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a adoção de medidas mais rigorosas contra os jogos de azar online. As discussões em curso incluem a restrição da publicidade dos jogos e o reforço de mecanismos de proteção aos apostadores, buscando limitar o acesso e a exposição à ludopatia.

Restrições e a saída para quem está endividado

Embora o governo busque regulamentações mais duras, representantes das empresas autorizadas argumentam que restrições excessivas podem incentivar o crescimento de plataformas ilegais, que operam sem fiscalização. Desde janeiro de 2025, os operadores legais são obrigados a cumprir regras rígidas de identificação dos usuários, controle de publicidade, prevenção à lavagem de dinheiro e incentivo ao jogo responsável.

Para quem já está em dificuldades financeiras, a orientação é clara: parar de apostar. Pontes recomenda interromper as apostas imediatamente e levantar o prejuízo real, sem contar com possíveis vitórias futuras. A reorganização começa pelo levantamento do prejuízo. O passo seguinte é priorizar as despesas essenciais e as dívidas com juros mais altos, afirma o especialista. Mandaliti conclui alertando para a rapidez com que a situação se deteriora: Para famílias com a renda comprometida, a distância entre uma aposta aparentemente pequena e uma dívida difícil de pagar pode ser de apenas alguns cliques.