Com as eleições se aproximando, companhias brasileiras precisam navegar entre incertezas de câmbio, juros e investimento sem congelar planos de crescimento. Este material explica estratégias práticas para proteger negócios e manter a estratégia de longo prazo.
Com a proximidade das eleições, as empresas brasileiras entram em um momento em que decisões sobre investimentos, crédito e crescimento precisam lidar com uma variável extra: a menor previsibilidade sobre a economia dos próximos meses. Para quem gerencia negócios, o desafio é se preparar para possíveis mudanças nos valores de câmbio, juros e facilidade de financiamento, sem deixar a cautela virar paralisação nas atividades.
Essa incerteza não acontece apenas no Brasil. Fatores internacionais também mexem com moedas, produtos commodities e outros valores, mantendo o clima financeiro global sempre em observação. No nosso país, o Banco Central pede atenção diante das incertezas internas e externas e das oscilações nos preços deativos. A recomendação aqui é diferente das tentativas de adivinhar o resultado eleitoral ou prever exatamente o comportamento dos mercados: vale preparar o negócio para vários cenários possíveis.
Atenção à economia no período eleitoral
- Acompanhe os principais indicadores antes de tomar decisões estratégicas de negócios.
- Planeje o caixa para diferentes situações e não fuja da projeção de cenários mais difíceis.
- Proteja o negócio internamente, evitando depender muito de financiamentos e capitais externos.
- Monitore o comportamento da inflação e da estabilidade cambial como indicadores-chave.
- Cuide da saúde financeira e mantenha uma reserva estratégica para atravessar períodos difíceis.
Para Gabriel Timm, diretor de investimentos da Trio, empresa especializada em tecnologia para pagamentos, até mesmo companhias que não investem diretamente no mercado de capitais podem sentir os efeitos de períodos em que os investidores esperam mais visibilidade antes de decidir. Olhando pelo ponto de vista macro, quando grandes empresas têm mais dificuldade de captar recursos e o investidor estrangeiro manda menos recurso para o país porque quer ter maior visibilidade do cenário eleitoral e entender qual será o cenário fiscal para o próximo ano, esse dinheiro demora mais para se mover, explica. O dono do dinheiro prefere esperar, e isso congela muitos projetos: projetos de construção, projetos de indústrias, que geram emprego, consumo e ajudam a girar a economia como um todo, complementa Timm.
Um dos indicadores importantes é o IPCA, mas o que interessa não é apenas o resultado como um todo. A maneira como a inflação é formada também traz informações úteis para companhias que precisam estimar custos e condições de financiamento. O Banco Central aponta que a inflação de serviços continua pressionada. Essa persistência é importante para o controle dos juros, pois pode dificultar a chegada da inflação à meta e influenciar a possibilidade de novos cortes da taxa Selic. Nesse momento, o gestor financeiro precisa estar muito atento ao IPCA, tanto para entender seus custos onde já está vendo mudanças de preço, quanto para os componentes do índice, explica Timm.
Recentemente, os serviços se destacaram como o componente do IPCA que não diminuiu. Enquanto a inflação de Serviços continuar mais alta que o cenário geral, o Banco Central terá menos espaço para reduzir os juros com a velocidade desejada. Por mais que o gestor financeiro possa achar que o componente de Serviços não o afeta diretamente, o impacto vem de forma indireta: enquanto essa categoria permanecer com inflação elevada, a capacidade do Banco Central de cortar juros fica limitada, afirma o especialista.
Plano deve considerar cenários difíceis
Outra estratégia é sair de planos baseados em uma única situação. Para empresas, trabalhar com hipóteses mais positivas, uma possibilidade normal e uma situação difícil permite identificar antes quais partes do orçamento ficam mais frágeis se receita, custos, juros ou câmbioirem da expectativa.
Um dos pontos-chave são os custos fixos. Enquanto certas despesas variáveis se ajustam mais rápido ao nível de atividade, compromissos fixos podem persistir mesmo diante de uma queda nas receitas. Na hora de montar cenários para o orçamento do ano, pode parecer óbvio, mas vale reforçar: é necessário construir um cenário com disposição de ser pessimista, para que a empresa consiga arcar com as eventuais consequências de um resultado abaixo do esperado, diz Timm.
O grande ponto de atenção são os custos fixos. Custos variáveis são marginais e têm mais flexibilidade, mas os custos fixos demoram para se adaptar. Muitas vezes a receita não bate com o esperado, mas o custo fixo se mantém ou até cresce, gerando um descompasso no caixa que impede a empresa de cumprir seus compromissos e a obriga a buscar recursos no mercado. Em um ano eleitoral, isso é ainda mais delicado, as mesas de crédito tendem a ser mais conservadoras no segundo semestre, o que reduz o poder de barganha do empresário para negociar boas taxas e condições atrativas de dívida, afirma o diretor da Trio.
A lógica é usar o cenário mais adverso não como uma previsão do que acontecerá, mas como um teste da capacidade financeira da companhia. A empresa pode avaliar, por exemplo, quanto tempo conseguiria manter seus compromissos diante de receitas abaixo do esperado ou de custos superiores aos projetados, ressalta Timm.
Cautela não significa parar de investir
Um dos riscos em momentos de incerteza é a empresa assumir uma postura excessivamente defensiva e interromper investimentos que poderiam sustentar o crescimento. No outro extremo, também existe o perigo de começar projetos com muita necessidade de dinheiro sem considerar como uma mudança na economia afetaria sua execução.
Para Timm, a escolha dos investimentos deve levar em consideração o quanto a companhia conhecemesaquela atividade e o quão previsível serão os resultados. O que o empresário deve ter em mente é priorizar projetos com maior previsibilidade e cuja natureza ele conhece bem, ou seja, com menos incertezas que dependam do macro como um todo, explica.
A preparação para um período de maior volatilidade, portanto, passa menos pela tentativa de prever movimentos políticos ou financeiros e mais pela construção de uma empresa capaz de operar em diferentes cenários. Caixa, estrutura de custos, exposição cambial, necessidade futura de crédito e retorno dos investimentos entram nessa avaliação. O objetivo é preservar capacidade de decisão. Quanto menor a necessidade de buscar capital de emergência ou alterar projetos diante de movimentos inesperados do mercado, maior tende a ser a liberdade da empresa para atravessar o período eleitoral mantendo sua estratégia de longo prazo, completa o gestor.
Sobre a Trio
Criada em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, empreendedores com forte experiência em tecnologia e mercado financeiro, a Trio é especializada em tecnologia para pagamentos, atua como Instituição de Pagamento regulada pelo Banco Central (IP 619) e como Gestora de Recursos com registro na CVM. O grande diferencial da Trio está em sua conta corporativa feita sob medida para times financeiros e concebida para entregar alta performance em operações financeiras de ponta a ponta, sem intermediários. A Trio desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, com destaque para ferramentas de gestão financeira, integração por APIs, sistemas de conciliação facilitada e soluções baseadas em Pix. Para mais informações, acesse o site www.trio.com.br e o perfil oficial da Trio no Instagram: @trio.fin.

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