22 de setembro de 2026

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Empresas em falência vendem equipamentos em leilões para não parar a operação

Economia Leilões 22/09/2026 10:44 Grazielle Franca | Temma Agência

O aumento de empresas em recuperação judicial no Brasil impulsiona a venda de ativos ociosos. Empresas como Casas Bahia usam plataformas online para revender estoques e equipamentos que não têm mais uso, gerando caixa e permitindo que outros comprem por menos

O mercado de leilões corporativos no Brasil está em alta. Isso acontece porque mais empresas estão buscando caminhos para sair das dificuldades financeiras, um processo conhecido como recuperação judicial. Nesse cenário, vender equipamentos e produtos que a empresa não usa mais virou uma estratégia essencial para manter a operação de pé.

Segundo dados do Monitor RGF-BizDoc, no início de 2026, havia 6.341 empresas nesta situação no país. O número é preocupante e mostra a urgência de novas formas de gerar dinheiro rápido. Empresas de diferentes tamanhos estão envolvidas, mas o crescimento foi ainda maior entre as pequenas e médias companhias.

  • Mais de 6 mil empresas estão em recuperação judicial no Brasil até meados de 2026.
  • Micro e pequenas empresas lideram o aumento, com avanço de mais de 41% em um ano.
  • As Casas Bahia é um exemplo de grande varejista usando leilões para vender itens devolvidos.
  • A plataforma Kwara afirma ter recomercializado mais de 1 milhão de itens apenas entre 2025 e 2026.
  • Vender ativos ociosos ajuda a criar caixa, mas não resolve problemas estruturais do negócio sozinha.

A confusão entre falência e venda de estoques

Um caso recente chamou muita atenção: os leilões das Casas Bahia. A varejista começou a vender lotes de produtos por preços muito abaixo do normal. Isso gerou curiosidade e até preocupação entre os consumidores na internet. A dúvida mais comum era: a empresa está falindo por isso

Thiago da Mata, CEO da Kwara, plataforma que organiza esses leilões online, explicou que a situação é diferente do que as pessoas imaginam. Ele afirmou que os itens vendidos são, na maioria, produtos que voltaram das lojas após assistências técnicas ou devoluções de clientes. Esses produtos não tinham mais as condições para voltarem às prateleiras normais.

“Os leilões realizados pela varejista são ligados principalmente a produtos que passaram pelo Departamento de Assistência Técnica (DAT) e pela logística reversa”, explicou da Mata. Ele ressaltou que essas ações não são prova de que a empresa quebrou, mas sim uma forma de dar destino a itens que já não serviam para a rotina da loja.

Esse movimento mostra como empresas precisam lidar com o que “sobra”. Mudar de endereço, fechar lojas ou renovar computadores geram um monte de coisas paradas. Mesmo que uma empresa não esteja falida, esses itens não usados representam dinheiro parado.

O valor de um bem para quem não o usa

O ponto central da discussão é entender que um item pode ser inútil para uma empresa, mas muito valioso para outra. Da Mata usa exemplos simples: um computador antigo para uma grande corporação pode ser excelente para uma empresa pequena. Móveis de um escritório que está fechando podem servir para uma startup que está abrindo.

Quando uma máquina é trocada por um modelo mais novo, a anterior ainda pode funcionar perfeitamente em outra fábrica. O mesmo vale para produtos de loja. Mesmo que tenham sido devolvidos ou tenham levemente avariados no transporte, muitos deles podem ser vendidos com descontos reais para consumidores que buscam economia.

Deixar esses bens parados em um depósito tem um custo alto. Aluguel, manutenção e desvalorização natural fazem com que o patrimônio pierca valor a cada dia que fica parado. Por isso, colocar esses ativos em leilão é uma decisão inteligente de gestão, não de desespero.

Para a Kwara, isso representa uma mudança de mentalidade. Antes, as pessoas associavam leilão apenas a empresas em colapso. Agora, é comum ver empresas em crescimento ou em fase de mudança de estratégia usando leilões para limpar estoque e modernizar seus ativos.

O papel do leilão na crise econômica

O cenário de dificuldade econômica no Brasil, com juros altos e menos crédito, faz as empresas serem mais criativas para não perderem o caixa. Vender o que não é mais necessário para a operação principal se torna uma forma de sustentar os custos essenciais do negócio.

Diferente de outras medidas, vender um ativo que não é usado não diminui a receita do produto principal. É como se a empresa estivesse usando o “gavetão” para gerar dinheiro limpo. Isso ajuda a pagar contas essenciais sem prejudicar os serviços que estão sendo prestados atualmente.

É importante destacar que vender patrimônio não resolve tudo. Se o problema da empresa for o modelo de negócio em si, vender um equipamento não é solução completa. Mas, dependendo do caso, é um passo importante para manter a operação funcionando enquanto as outras mudanças estruturais são feitas.

Planejamento versus necessidade urgente

Há uma diferença enorme entre vender quando se planeja e vender porque está sem dinheiro. Quando a empresa decide previamente que um ativo não servirá mais, ela tem tempo para organizar as informações, fotos detalhadas e buscar os melhores compradores.

Quando a venda é feita às pressas para resolver um problema imediato de caixa, a empresa perde poder de negociação. O comprador acaba pagando menos, e a venda pode não cobrir o valor real do item. Por isso, gestores recomendam olhar para o patrimônio com antecedência, não apenas na hora da crise final.

Esse processo pode ocorrer em empresas saudáveis que estão renovando frota ou mudando de loja. Não adianta esperar a emergência para começar a organizar a venda de seus bens. A antecipação garante um preço mais justo e menos stress na hora do desapego.

Em casos de recuperação judicial, a venda de bens depende de regras específicas do juiz e do plano de recuperação. Ali, a decisão é mais técnica e envolve a autorização dos credores, pois o patrimônio é usado para ajudar a resolver dívidas antigas de forma planejada.

O mercado secundário e a atenção do consumidor

Os leilões também estão atraindo pessoas comuns, não apenas empresas. Cada vez mais consumidores querem comprar produtos com desconto, mesmo que venham de devoluções ou de empresas que mudaram de rumo. Isso cria um mercado paralelo muito diversificado, onde há itens variados para todos os gostos e orçamentos.

Para quem quer participar, a chave é a atenção. Antes de licitar, é fundamental ler o edital, que é o conjunto de regras da venda. Fotos e descrições de estado de conservação são importantes para evitar surpresas. O preço baixo compensa a necessidade de verificação prévia do item.

Para as empresas, essa variedade de compradores ajuda a liquidar estoques mais rápido. Ter uma base de compradores grande, incluindo pessoas físicas, aumenta a chance de o item ser vendido por um bom preço em menos tempo. A transparência das informações é o que garante a confiança de todos os lados nessa transação digital.