Nova fintech nasce para conectar indústrias a microempreendedores, visando democratizar o acesso a financiamento de equipamentos produtivos e superar as dificuldades do crédito tradicional no Brasil.
A dificuldade de conseguir crédito bancário é um problema que afeta 80% dos empresários brasileiros. Para tentar mudar esse cenário, a empresa Blips lançou a Finza, uma nova plataforma digital focada em facilitar o acesso a empréstimos para a produção.
A novidade funciona criando uma ponte direta entre as fábricas e os pequenos empreendedores, tornando mais simples a compra de máquinas e equipamentos. O objetivo é levar crédito para quem não consegue autorização nos bancos tradicionais, ampliando as oportunidades de negócio.
Principais pontos do lançamento da Finza
- A nova empresa nasce para conectar indústrias a micro e pequenos empreendedores.
- O sistema usa tecnologia para monitorar máquinas financiadas e controlar riscos.
- Em apenas dois meses, a Finza já movimentou R$ 4 milhões em créditos.
- A meta para o final de 2026 é alcançar uma carteira de R$ 40 milhões.
- O modelo visa ajudar o crescimento do empreendedorismo nacional.
A decisão de criar a Finza surge após a Blips ter originado mais de R$ 750 milhões em crédito produtivo desde 2019. A empresa, com origens em Minas Gerais, especializada em vender, financiar e alugar equipamentos, decidiu separar a parte de financiamento do modelo anterior. Agora, a Finza atua de forma independente para expandir esse serviço para outros setores industriais e beneficiar mais pessoas fora do sistema bancário comum.
Esse movimento representa um novo estágio de crescimento para a companhia, que atualmente possui cerca de 9 mil equipamentos financiados em operação pelo país. Antes, o crédito estava ligado apenas às máquinas que a própria Blips vendia, como as usadas para impressão, estética e alimentação. Com a Finza, essa estrutura de financiamento passa a ser oferecida a outras indústrias parceiras, permitindo que elas estruturem o crédito diretamente aos seus clientes na hora da venda.
Estratégia e segurança na gestão do crédito
Adolfo Sortica, líder executivo da Blips, explica que a separação das operações foi uma escolha calculada. Percebemos que o modelo poderia atender outras cadeias produtivas além daquelas em que já estávamos atuando. Ao estruturar a fintech, conseguimos escalar mantendo governança, previsibilidade e controle de risco, afirma ele. A ideia é manter o controle e a segurança enquanto se amplia a oferta de serviços.
O funcionamento da nova plataforma combina um sistema próprio de análise de crédito com tecnologias instaladas nos próprios equipamentos financiados. Isso permite um monitoramento constante e uma plataforma organizada para a cobrança. A integração também possibilita o rastreamento e o controle remoto dos bens, garantindo mais segurança para as indústrias que oferecem o financiamento.
Apoio ao empreendedorismo e cenário de restrição
A base da Finza apoia-se na realidade de falta de crédito no país. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que 80% dos empresários têm dificuldade para obter crédito, citando os juros altos como o maior obstáculo. Além disso, uma pesquisa do Simpi, feita junto ao Datafolha, revelou que 60% das pequenas indústrias que pedem empréstimo são negadas pelos bancos.
Ricardo Rocha, membro do conselho e cofundador da Blips, destaca a importância de uma alternativa. A indústria brasileira depende de capital produtivo para crescer, mas o modelo bancário tradicional nem sempre atende esse perfil. Estruturamos uma alternativa que conecta tecnologia, ativo real e financiamento direcionado à geração de receita, explica ele. A proposta é usar a tecnologia para viabilizar a compra de ferramentas que geram dinheiro para o pequeno negócio.
Resultados iniciais e metas de expansão
A Finza começou suas atividades no segundo semestre de 2025. Logo no início de 2026, nos primeiros dois meses, a empresa já havia emitido R$ 4 milhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCB). Isso representa o quadruplo do volume inicial. Além disso, a companhia firmou parcerias oficiais com as marcas Rhino, Raízen Machine e Mak CNC, que agora oferecem o financiamento da Finza para viabilizar a aquisição de equipamentos pelos seus clientes.
A projeção é encerrar o ano de 2026 com uma carteira de R$ 40 milhões. A meta inclui, ainda, a expansão gradual da atuação para novos segmentos da indústria, buscando atingir mais áreas de produção. O crescimento visa transformar a plataforma em uma solução integrada à rotina comercial das fábricas.
Para a Blips, esse avanço significa uma diversificação estratégica. Ao separar o crédito da venda direta, a empresa passa a atuar como uma provedora de estrutura financeira para terceiros. Isso aproxima o modelo de uma fintech de infraestrutura, essencial para o ecossistema de crédito no país.
A Finza nasce para estruturar um novo ciclo de crédito produtivo no país, onde tecnologia, controle e geração de receita caminham juntos. Ao conectar indústrias consolidadas ao microempreendedor, ampliamos o acesso ao investimento produtivo e fortalecemos a economia real, destaca Rocha. A mensagem é clara: a tecnologia está sendo usada para incluir mais pessoas no mercado de trabalho e negócios.
O executivo Sortica finaliza dizendo que o crescimento da Finza ocorrerá de forma organizada, acompanhando a expansão dos parceiros. O objetivo é transformar a fintech em uma plataforma de crédito produtivo integrada à rotina comercial das indústrias, operando como infraestrutura financeira, conclui. O foco permanece em oferecer previsibilidade e segurança para todos os envolvidos na operação.

Fotografia institucional da Blips/Finza



