Descoberta que o crédito consignado cresce muito e que muitos trabalhadores vivem com salário reduzido e várias dívidas ao mesmo tempo; especialistas explicam como usar essa escolha com segurança.
O crédito consignado voltado para quem trabalha registrado tem crescido muito nos últimos anos. Só em um ano, o valor total disponível saltou 143%. Porém, o que pode parecer uma saída financeira está se transformando em uma armadilha para muita gente. Cerca de 74% dos trabalhadores possuem dois ou mais empréstimos pagos direto em folha de pagamento, o que pressiona o orçamento de quem ganha menos.
Nesse cenário, o diálogo com especialistas da Plano Fintech pode trazer esclarecimentos e cinco atalhos práticos para usar essa modalidade sem cair em dívidas que difíceis de controlar.
- Entenda antes de assinar: o desconto é automático. O valor é retirado do salário antes de cair na conta, o que pode tornar os dias mais apertados do que o esperado.
- Quem mais usa são famílias de baixa renda. Mais de 40% das operações concentram-se em pessoas que ganham até dois salários mínimos.
- A dívida das famílias tem subido. O comprometimento da renda com dívidas chegou a 28,9%, alta de quase 2 pontos percentuais em 12 meses.
- Use para trocar dívida cara, não para somar nova dívida. O ideal é substituir juros altos, como os do cartão de crédito e do cheque especial.
- Simule antes de fechar. Projete os próximos meses com contas fixas, custos variáveis e uma reserva para imprevistos.
Quando o crédito faz sentido
A medida pode ser uma boa escolha quando substitui uma dívida mais cara, como a do cartão de crédito, o cheque especial ou o empréstimo pessoal comum. Para que a troca faça sentido, é preciso comparar a taxa de juros, o prazo de pagamento e o custo total, além de pagar a obrigação anterior antes de assumir a nova.
Se a pessoa quitar o cartão ou o cheque especial e voltar a usar o limite, cria uma nova obrigação sem resolver o problema de fondo, explica José Leonardo, um dos fundadores da Plano Fintech. Para ele, a ferramenta só ajuda quando ela muda a origem do problema, e não quando apenas se soma a outras dívidas.
O limite de 35% não é sinônimo de folga
Apesar da regra permitir um desconto que pode chegar a 35% da remuneração disponível, ter esse teto autorizado não significa que o dinheiro sobra para tudo. Segundo Ricardo Hiraki, outro cofundador da empresa, o limite mostra apenas o que pode ser emprestado, e não o que deveria ser comprometido.
É preciso ver o que sobra para moradia, alimentação, transporte, contas recorrentes e imprevistos, ressalta Hiraki. Muitos trabalhadores acreditam que o percentual autorizado é uma autorização para gastar o saldo restante, mas, na prática, ele exige uma gestão cuidadosa.
Antes de contratar, faça quatro contas
Os especialistas recomendam quatro verificações simples antes de assinar qualquer contrato. Primeiro, calcule quanto restará na conta depois do desconto mensal. Segundo, compare os juros, o prazo e o valor total do novo contrato com os da dívida atual de referência.
Terceiro, defina onde o recurso será utilizado antes de fechar o negócio e evite reabrir limites que já foram pagos. Quarto, simule os meses seguintes considerando as despesas fixas, os gastos variáveis e uma margem para imprevistos.
Esse teste ajuda a perceber se a operação reorganiza as finanças ou se ela apenas adia o aperto. Quando o dinheiro entra sem um destino definido, o benefício pode durar pouco tempo, enquanto o desconto fica muito mais longo, afirma Hiraki.
Cuidado com o ciclo das dívidas
Para a equipe da Plano Fintech, os juros menores são apenas parte da solução. O crédito pode reduzir o custo da dívida e ajudar a organizar as finanças, mas perde eficácia quando o trabalhador continua recorrendo ao cartão de crédito, ao cheque especial ou a novos empréstimos para fechar o mês após a contratação.
Nesse cenante, a causa do problema financeiro permanece. Muitos entram na modalidade buscando leveza, mas acabam trocando dívidas caras por outras com desconto automático, sem resolver a raiz da dificuldade.
Quem fala sobre o tema
Os comentários aqui são dos fundadores da Plano Fintech, uma empresa de educação financeira dedicada a organizar as finanças de pessoas e famílias. A companhia apoia milhares de brasileiros na redução de dívidas e no reequilíbrio financeiro.
- José Leonardo de Campos é engenheiro eletricista e um dos fundadores da Plano. Ele traz experiência em gestão e tomada de decisão estratégica e quer transformar isso em aprendizado financeiro cotidiano.
- Ricardo Hiraki é administrador, com estudos complementares em instituições reconhecidas, e atua há anos no mercado financeiro. Ele defende soluções que combinam tecnologia, educação e novos modelos de serviço.
A Plano Fintech foi fundada em 2018 e une plataforma digital a acompanhamento humano, o que permite planejar, identificar excessos e criar estratégias para reduzir custos e despesas. Com presença em todo o país, ela usa tecnologia e princípios que consideram impacto social em larga escala.

(IA)


