O diretor de operações da PUCPR explica por que o contador não deve apenas controlar gastos, mas guiar decisões estratégicas e a sustentabilidade institucional.
O papel do executivo financeiro, conhecido como CFO, está mudando drasticamente no meio universitário. O profissional que apenas controla planilhas e gastos está ficando obsoleto.O diretor de Operações de Negócio da PUCPR, Filipe José Ignês, argumenta em um artigo que a figura tradicional do CFO está desaparecendo. Durante décadas, bastava que o responsável pelas finanças de uma instituição de ensino superior dominasse o orçamento, controlasse despesas e garantisse o equilíbrio entre entradas e saídas. Embora essas tarefas continuem centrais, elas deixaram de ser suficientes para destacar um profissional no mercado atual.
O impacto da tecnologia na gestão financeira
A tecnologia foi o grande motor dessa transformação. Sistemas de gestão, ferramentas de análise de dados e a automação tornaram muito mais rápido o acesso a informações que antes exigiam um esforço operacional enorme das equipes. Hoje, o domínio técnico é apenas o ponto de partida. O novo CFO precisa interpretar o que os números revelam, compreender os efeitos de diferentes estratégias e participar de discussões que muitas vezes começam em outras áreas, longe do departamento financeiro.
- O CFO moderno deve entender a experiência do estudante e inovações tecnológicas.
- Decisões devem ser distribuídas, evitando a lentidão de aprovações centralizadas.
- A autogestão baseia-se em liderança servidora, empatia e serviço.
- Conhecer a instituição é tão importante quanto saber fechar contas.
- O foco deixa de ser apenas o controle e passa a ser a sustentabilidade a longo prazo.
Em uma universidade, essa nova abordagem significa entender a instituição em toda a sua complexidade. As atribuições incluem discutir a experiência do estudante e compreender temas como tecnologia, infraestrutura, critérios ESG (ambientais, sociais e de governança), pesquisa e novos modelos de ensino. É fundamental avaliar como essas decisões impactam a sustentabilidade da instituição.
Esses assuntos não chegam ao CFO somente no momento de aprovar um investimento. Uma iniciativa voltada à permanência do aluno, por exemplo, exige recursos, mas também pode reduzir a evasão estudantil e fortalecer o vínculo do estudante com a universidade. A construção de um laboratório envolve custos de implantação e manutenção, ao mesmo tempo que amplia as possibilidades de pesquisa e formação. A adoção de uma nova tecnologia pode gerar eficiência, modificar processos e criar serviços que antes não existiam. Cabe ao diretor financeiro compreender essas relações e contribuir para que as escolhas sejam feitas a partir de uma visão ampla da universidade.
Governança distribuída e autonomia nas tomadas de decisão
Esse novo papel exige que a forma como as decisões financeiras são tomadas seja revista. Se todas as decisões dependerem da aprovação de uma única pessoa, a organização perde velocidade e capacidade de adaptação. Um CFO estratégico não deve tentar resolver tudo sozinho. Sua função é criar condições para que as lideranças desenhem os melhores caminhos em diferentes níveis da instituição.
Isso envolve garantir acesso à informação, estabelecer critérios claros e desenvolver a capacidade de gestão das lideranças. Dividir responsabilidades é essencial. É importante destacar que autonomia financeira não é sinônimo de ausência de controle. O objetivo é permitir que quem conhece a realidade das áreas participe das definições e responda pelas consequências das suas ações.
Na universidade onde Ignês atua, a PUCPR, o orçamento é pensado de forma distribuída. A governança se apoia em princípios de autogestão e liderança profética e servidora, baseada na empatia, compaixão e serviço, rejeitando o autor Nesse modelo, a área financeira deixa de ocupar uma posição puramente de controle.
O novo perfil profissional para o futuro das instituições de ensino
A área financeira passa a contribuir para a qualidade do que é decidido em toda a universidade. Isso exige um CFO que conheça profundamente o negócio, dialogue com diferentes áreas e seja capaz de avaliar quanto uma decisão custa, mas também o que ela permite criar, manter ou transformar ao longo do tempo.
O profissional que se limitar apenas a fechar planilhas e controlar centros de custo continuará sendo necessário para tarefas operacionais, mas dificilmente exercerá um papel estratégico. O CFO que as universidades precisam é aquele capaz de ajudar a instituição inteira a compreender melhor seus recursos. Esse executivo deve fazer escolhas mais qualificadas e sustentar a missão da universidade no longo prazo.
Filipe José Ignês é diretor de Operações de Negócio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Possui ampla experiência em gestão financeira, controladoria, orçamento e operações. Ele lidera as áreas financeiras e operacionais da universidade, com foco na sustentabilidade econômico-financeira.

Filipe José Ignês, diretor de Operações de Negócio da PUCPR.


