A busca por financiamentos por parte das empresas brasileiras cresceu 10,4% no último ano, liderada por micro e pequenas empresas e pelo setor de serviços. Apesar do aumento da procura, a aprovação de empréstimos caiu e as condições ficaram mais restritivas devido à alta dos juros e ao cenário econômico desafiador.
A procura das empresas brasileiras por crédito aumentou 10,4% no acumulado dos últimos 12 meses até julho, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. Essa é a primeira e maior empresa de dados do país a divulgar o levantamento.
Entre os diferentes tamanhos de negócio, as micro e pequenas empresas (MPEs) registraram a maior alta, de 10,5%, seguidas pelas grandes empresas, com 8,5%, e pelas médias, com 7,3%.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, manter o crédito em alta é uma necessidade crucial em tempos difíceis para os negócios.
Mesmo com a taxa de juros ainda em patamar bastante restritivo, a demanda das empresas por crédito continua crescendo. Esse movimento mostra a importância que o crédito segue tendo para a manutenção do capital de giro e do fluxo de caixa em um cenário de desaceleração da atividade econômica. Ao mesmo tempo, a concessão vem perdendo ritmo e as instituições financeiras estão mais criteriosas diante do aumento da percepção de risco. Por isso, temos uma combinação em que as empresas continuam demandando recursos, mas encontram condições financeiras ainda bastante restritivas para acessar esse crédito, explica a especialista.
- MPEs lideram a busca por crédito com alta de 10,5% no acumulado de 12 meses.
- O setor de serviços teve o maior crescimento, com 16,0%, seguido pela agropecuária, 14,6%.
- Mato Grosso do Sul é o estado com maior aumento na procura, 27,8%.
- A aprovação de empréstimos caiu porque os bancos ficaram mais cautelosos.
- A comparação anual mostra alta de 17,6% na demanda total por crédito.
Motivos para a Alta Procura por Financiamentos
A maior necessidade de crédito por parte das micro e pequenas empresas está ligada à sua estrutura financeira mais frágil.
Em geral, esses negócios têm menos dinheiro em caixa e dependem mais do crédito para financiar o dia a dia e manter a operação rodando.
Em um ambiente com juros elevados e economia desacelerando, essa dependência se torna ainda mais crítica.
Isso ocorre porque empresas menores têm poucas alternativas de financiamento e pouca capacidade de negociar prazos e custos melhores do que as empresas de grande porte, conforme analisa a economista-chefe.
Serviços e Agropecuária no Topo dos Crescimentos
Quando analisamos por setores de atividade, todas as categorias registraram crescimento no período avaliado.
O setor de Serviços apresentou a maior variação, saltando 16,0%, seguido pela Agropecuária, com 14,6%.
A Indústria cresceu 8,2% e o Comércio, 6,0%.
O avanço da demanda por crédito em todos os setores da economia mostra que a necessidade de financiamento segue elevada entre as empresas brasileiras. O fato de o crescimento ter sido disseminado entre os setores sugere que essa demanda está associada a desafios financeiros e operacionais presentes em diferentes segmentos da economia, afirma Camila.
Mato Grosso do Sul Lidera Ranking dos Estados
Na análise por região, todas as Unidades Federativas registraram crescimento na procura empresarial por crédito no acumulado de 12 meses.
Mato Grosso do Sul foi o líder nacional, com uma variação de 27,8%.
Em seguida, vieram Roraima, 21,9%, e Paraíba, 18,6%. Amazonas, 14,5%, e Mato Grosso, 14,4%, também apresentaram fortes avanços.
Por outro lado, os menores crescimentos foram observados no Rio de Janeiro, 2,2%, Espírito Santo, 6,2%, e Pernambuco, 6,8%.
Aceleração Anual Chega a 17,6%
Na comparação entre julho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda das empresas por crédito registrou alta expressiva de 17,6%.
No recorte por porte, as micro e pequenas empresas tiveram crescimento de 17,9%, seguidas pelas grandes, 8,5%, e médias, 4,2%.
Ainda por setores, Serviços liderou a variação anual com 29,0%, seguido por Agropecuária, 13,4%, Indústria, 12,2%, e Comércio, 9,1%.
Desafios Futuros no Cenário Econômico
Camila explica que a aceleração anual reforça que a procura forte continua, mas é preciso olhar para o contexto macroeconômico.
A atividade vem entrando em uma trajetória de desaceleração e os juros, mesmo após os cortes promovidos ao longo do ano, continuam em um nível elevado, o que mantém alto o custo de financiamento e de rolagem das dívidas. Para as empresas, especialmente as menores, isso aumenta a importância do crédito para sustentar a operação em um momento em que o fluxo de caixa tende a ficar mais pressionado. Além disso, o segundo semestre adiciona incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e internacional, que podem aumentar a volatilidade dos mercados e manter as condições financeiras restritivas por mais tempo, finaliza a economista da data tech.

Serasa Experian








