21 de setembro de 2026

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Líderes Brasileiros Deixam de Delegar Tarefas por Confiança Excessiva em Ia

Economia Liderança 21/09/2026 09:50 Thais Medina - Business Factory

Pesquisa revela que um quarto dos altos executivos no Brasil pararam de passar responsabilidades para a equipe porque acreditam que a Inteligência Artificial torna o trabalho deles mais rápido, criando um paradoxo na gestão moderna.

Durante muitos anos, ensinar gestores a delegar tarefas foi fundamental para formar bons líderes. A ideia sempre foi clara: conforme um profissional sobe na carreira, ele deve focar menos em executar detalhes e mais em pensar na estratégia e em desenvolver as pessoas ao seu redor. A chegada da Inteligência Artificial parecia apoiar essa lógica, já que a ferramenta reduz o tempo gasto com rotinas operacionais. No entanto, um efeito contrario começou a aparecer. Ao perceber que conseguem resolver problemas muito mais rápido usando a tecnologia, alguns gestores voltaram a tirar tarefas das mãos da equipe e assumir tudo para si.

Um estudo recente da Afferolab, em parceria com a Tera, ouviu 4,3 mil profissionais no Brasil. Os dados mostram que 25% dos diretores e executivos de alto nível pararam de delegar tarefas. A razão principal é a crença de que, com o auxílio da IA, eles conseguem realizar o trabalho sozinhos de forma mais ágil que a equipe.

  • 25% dos altos executivos brasileiros pararam de delegar tarefas por acharem que a IA faz mais rápido.
  • 75% dos gestores no país já usam IA generativa no trabalho.
  • 83% dos líderes na América Latina dizem que a tecnologia aumentou sua produtividade.
  • O risco é trocar o desenvolvimento da equipe pela produtividade individual do chefe.
  • Especialistas alertam que modernizar ferramentas sem mudar a mentalidade de gestão é um erro comum.

O cenário fica ainda mais forte se considerarmos quão rápida foi a adoção dessa tecnologia. Um levantamento da Page Executive aponta que 75% dos executivos brasileiros já utilizam Inteligência Artificial generativa em seus trabalhos. Ainda na América Latina, 83% dos líderes ouvidos confirmam que a inovação elevou consideravelmente seu nível de produtividade.

Produtividade Individual vs Capacidade de Liderança

Produzir mais em menos tempo é sem dúvida um avanço importante. O problema nasce quando confundimos a produtividade pessoal do gestor com a capacidade dele de liderar uma equipe. Imagine um chefe que precisa de uma análise para uma reunião importante. Anteriormente, ele pedia o serviço a um colaborador, explicava o contexto, acompanhava o raciocínio do profissional e discutia os resultados juntos. Hoje, ele consegue uma primeira versão desse material em poucos minutos usando a IA.

Se olhar apenas para a entrega final, fazer sozinho parece a opção mais eficiente. Porém, quando essa forma de pensar entra na rotina, surgem riscos graves. Um gestor que passou a concluir dez tarefas no tempo em que antes fazia cinco pode parecer muito produtivo. Mas a pergunta certa não é sobre a velocidade dele, e sim: quantas dessas dez entregas realmente necessitavam da presença direta do chefe

O Risco de Modernizar Ferramentas sem a Gestão

O tempo economizado pela tecnologia não deve virar mais trabalho concentrado nas mãos do gestor. Esse intervalo livre poderia servir para debater a análise com quem irá apresentá-la, para conversar com um cliente, acompanhar o progresso de um projeto ou, principalmente, preparar alguém da equipe para assumir responsabilidades maiores. Em vez de acumular tarefas, o líder deve usar o tempo livre para multiplicar a capacidade da equipe.

A Inteligência Artificial pode tornar um executivo mais ágil, mas isso não o torna automaticamente um líder melhor. Se todo o tempo economizado for usado apenas para o chefe acumular mais obrigações, estaremos apenas modernizando as ferramentas de trabalho, mas deixando a gestão e o relacionamento humano engessados. É preciso equilibrar a tecnologia com a função humana de desenvolver pessoas.