Novo perfil do consumidor do programa Minha Casa, Minha Vida agora analisa financiamento, localização e segurança além do preço, segundo especialistas do setor.
O perfil do comprador de imóveis populares está mudando. Hoje, o consumidor chega ao momento da decisão muito mais informado e conectado. Ele não olha apenas para o preço final. Agora, avalia as condições de financiamento, a localização, a qualidade da construção, a funcionalidade dos espaços e o impacto que a compra terá no orçamento familiar.
Esse movimento ganha força em 2026, impulsionado pelo avanço do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), realizado em 221 cidades, o programa foi responsável por 49% das vendas de imóveis no primeiro trimestre do ano, com 54.510 unidades comercializadas. A pesquisa também aponta que 49% dos entrevistados têm interesse em comprar um imóvel nos próximos dois anos.
- O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 49% das vendas de imóveis no 1º trimestre de 2026.
- 38% dos consumidores apontam o desejo de deixar o aluguel como principal motivo para a compra.
- Mudanças no programa em 2026 tiveram impacto positivo para 45% dos interessados em comprar imóveis.
- Novas regras passam a contemplar famílias com renda de até R$ 13 mil na Faixa 4.
- A BRN Construtora, 7ª maior do país, destaca a necessidade de transparência e consultoria na venda.
Consumidor mais preparado transforma a jornada de compra
Para Roberto Del Fiol, Diretor Comercial da BRN Construtora, especialista na construção de empreendimentos residenciais de grande porte nas principais cidades do interior paulista, a mudança transforma toda a jornada de compra. O consumidor chega muito mais preparado, ele pesquisa, compara, entende melhor as condições de financiamento e quer saber exatamente o que está contratando. Hoje, vender um imóvel também significa oferecer clareza e segurança para uma decisão consciente, afirma.
Apesar da maior variedade de critérios de decisão, o desejo de deixar o aluguel continua sendo um dos principais motores da compra. Dados da CBIC mostram que 38% dos consumidores que pretendem adquirir um imóvel apontam essa como a principal motivação. Sair da casa dos pais e mudar de localização também aparecem entre os fatores considerados pelos futuros moradores.
Segurança e funcionalidade ganham destaque na escolha
Nesse processo, o primeiro imóvel representa, para muitos consumidores, uma mudança de etapa de vida. Por isso, aspectos como segurança, acesso ao transporte, localização e funcionalidade dos ambientes passam a pesar na escolha. Existe uma preocupação cada vez maior com o que está por trás do preço, o comprador quer entender quanto a aquisição vai comprometer do orçamento, quais serão os custos envolvidos e se o imóvel atende às necessidades da família, explica Del Fiol.
A preparação antes da compra também mudou. Com maior acesso a informações sobre preços, financiamento e empreendimentos, o consumidor chega aos pontos de venda com dúvidas mais específicas e com uma capacidade maior de comparação entre as opções disponíveis no mercado.
Impacto do programa e nova postura das construtoras
Levantamento da DataZAP realizado em 2025 mostrou que as mudanças no Minha Casa, Minha Vida tiveram impacto positivo para 45% dos interessados em comprar imóveis. Entre esse grupo, 73% pretendiam utilizar o programa e 92% avaliavam as alterações de forma favorável. Para as empresas do setor, esse cenário aumenta a importância de manter uma comunicação clara e consultiva. Explicar financiamento, documentação, condições comerciais e características do empreendimento passa a fazer parte da experiência de compra.
Quanto mais informação o cliente tem, mais qualificadas ficam as conversas. Para as empresas, isso exige uma postura cada vez mais transparente e consultiva, diz o diretor comercial da BRN. A avaliação do consumidor também considera como o imóvel se encaixa no cotidiano. Pesquisas da CBIC em parceria com a Brain apontam interesse por ambientes funcionais, boa circulação de ar, lavanderia, varanda ou quintal e espaços que proporcionem conforto. A localização é analisada pela ótica da rotina, com fatores como segurança e facilidade de acesso ao transporte público influenciando a percepção de valor.
Mercado mais amplo e desafiador
Quando falamos de habitação popular, estamos falando de projetos de vida diferentes. Para uma pessoa, o objetivo pode ser deixar o aluguel; para outra, sair da casa dos pais ou ter mais espaço e segurança para a família, afirma Del Fiol. Com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida em 2026, que passaram a contemplar famílias com renda de até R$ 13 mil na Faixa 4, o mercado também passa a atender um público mais amplo e diverso. Nesse cenário, compreender diferentes perfis e necessidades se torna um desafio para o setor. A compra de um imóvel não termina na escolha do produto. O consumidor quer entender como aquela decisão vai impactar sua vida nos próximos anos, conclui Del Fiol.

Pesquisa e segurança ganham peso na decisão de compra de imóveis populares


