18 de setembro de 2026

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Compliance vira pilar essencial para segurança no mercado de criptoativos no Brasil

Economia Cripto 18/09/2026 09:42 Cássio J. Krupinsk via NB Press

Artigo explica como a fiscalização e a conformidade regulatória deixaram de ser apenas apoio e passaram a ser a base do mercado de capitais digitais, garantindo segurança e rastreabilidade aos investidores brasileiros.

O acompanhamento de regras, conhecido como compliance, mudou de lugar dentro da indústria financeira. Antes visto apenas como uma área de apoio burocrática, ele agora é a estrutura principal que garante que o mercado de criptomoedas e ativos digitais funcione com transparência e segurança. Essa transformação foi reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que reguladora o mercado. A entidade confirmou que certas criptomoedas são tratadas como papéis financeiros, seguindo as mesmas leis de proteção ao investimento usadas em empresas tradicionais.

Esse avanço regulatório coincidiu com um crescimento explosivo dos investimentos tokenizados no Brasil. Nesse modelo, ativos como imóveis ou empresas são divididos em pedaços digitais. De acordo com a organização Capital Aberto, os investimentos nessas ofertas aumentaram 20 vezes em apenas dois anos, chegando perto de R$ 4 bilhões no fim de 2025. Esse salto prova que a tecnologia deixou de ser apenas uma promessa teórica.

  • O mercado de ativos tokenizados no Brasil chegou a quase R$ 4 bilhões em 2025.
  • A CVM considera alguns criptoativos como valores mobiliários, exigindo maior transparência.
  • Novas regras do Banco Central exigem que empresas de cripto tenham governança rigorosa.
  • Casos de fraude no mercado tradicional mostram a necessidade de segurança digital.
  • O objetivo é distinguir investidores sérios de capital ilícito ou de origem duvidosa.

Com a entrada de novas instituições e investidores, o controle de qualidade evoluiu. Ele não serve mais apenas para checar documentos depois que a negociação acabou. Agora, é uma camada permanente de vigilância que acompanha cada passo da operação. Isso significa rastreabilidade total e prestação de contas constante. Reguladores e investidores exigem governança, proteção contra lavagem de dinheiro e a certeza de que cada centavo seguido as regras.

Novas regras do Banco Central fortalecem a segurança

No Brasil, essa mudança ganhou força com a regulação dos ativos virtuais pelo Banco Central. Embora seja futura a Resolução BCB nº 580, publicada em julho de 2026, que define as regras para as empresas que lidam com ativos virtuais (PSAVs). Essa norma coloca essas empresas sob a supervisão direta do órgão monetário. O desenvolvimento das leis acompanha o amadurecimento do mercado, que precisa de estruturas que unam inovação tecnológica com segurança institucional.

Na prática, o controle não pode ser apenas uma checagem de papeis. Ele deve estar no desenho de toda a operação. Isso inclui a escolha de quem participa, o armazenamento seguro dos ativos, o registro das transações e a gestão de cada movimentação. Essa abordagem é a diferença entre uma mera ferramenta digital e uma estrutura confiável.

A diferença é que a infraestrutura de observância gera prova e registro. Ela permite que qualquer passo seja verificado. Em um mercado com emissores, investidores e fornecedores de serviços, essa camada de verificação não é mais um diferencial competitivo. Ela se tornou uma condição obligatória para que o crescimento do setor seja sustentável e não caia em fraudes.

A busca por confiança e a evitação de fraudes

A CVM também reforça que sua autoridade alcança criptoativos que funcionam como valores mobiliários. Isso inclui tokens que representam ações, certificados de recebíveis e fundos de investimento coletivos. Nesses casos, valem as regras de oferta pública e divulgação de informações. Por isso, o investidor moderno não busca apenas acesso a ativos digitais. Ele busca confiança e a certeza de que está protegido.

A urgência dessas regras veio à tona após casos de falhas de gestão no mercado tradicional. Em fevereiro de 2026, a CVM informou sobre investigações envolvendo instituições dos Grupos Master e REAG. Essas entidades foram apontadas como investidoras ou gestoras de fundos. A mídia internacional também noticiou que o Banco Central determinou a falência da REAG, então conhecida como CBSF. O motivo foi graves violações das regras do sistema financeiro nacional.

Esses episódios mostram por que a infraestrutura digital não pode apenas copiar os problemas do mercado velho de forma mais rápida. A tecnologia acelera a emissão e a negociação, mas também precisa aumentar a capacidade de bloquear fraudes, auditar contas e responsabilizar culpados. Segundo a empresa de análise Chainalysis, endereços ilegais receberam pelo menos US$ 154 bilhões em criptomoedas em 2025. Esse valor, porém, representa menos de 1% do total de transações.

Proteção contra dinheiro sujo e futuro do setor

Nesse cenário, a preocupação com o excesso de dinheiro de origem duvidosa é real para quem constrói o mercado. O objetivo não é aceitar qualquer tipo de capital. A meta é selecionar recursos que tenham origem comprovada e documentação adequada. Essa filtragem protege o investidor e a saúde do mercado.

Os dados da Capital Aberto mostram que as ofertas tokenizadas cresceram 20 vezes, impulsionadas pela Resolução CVM 88. A Bolsa de Valores (B3) também discute a tokenização como base do mercado, focando em liquidez, segurança e integração com sistemas já existentes. O ponto central é que a infraestrutura digital não é só colocar dados em uma blockchain. Ela organiza todo o ciclo, desde quem cria o ativo até quem o supervisiona.

Outras normas, como as Resoluções BCB 519 e 520 de novembro de 2025, seguem essa linha. Elas definem bases para a autorização e governança das empresas de ativos virtuais. Os tópicos incluem a origem do dinheiro dos donos, viabilidade do negócio, segurança de dados, separação de contas e prevenção à lavagem de dinheiro. Essas medidas reduzem a falta de informação para o regulador e o investidor.

Assim, a infraestrutura de observância nivel o campo de jogo. O regulador vê melhor o que está acontecendo. O investidor tem mais segurança. A empresa séria se destaca dos oportunistas. Em um setor que inova rápido, mas sofreu com má gestão recentemente, o controle de qualidade deixa de ser um departamento de burocracia e passa a ser a base que sustenta o negócio.