16 de setembro de 2026

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Como a Inteligência Artificial está mudando o atendimento das seguradoras

Economia Inteligência Artificial 16/09/2026 11:47 Paulo Cesar Pissardo / GFT Technologies

Descubra como a IA Agêntica transforma o relacionamento das companhias de seguros, tornando o atendimento mais humano, ágil e personalizado em toda a jornada do cliente, da contratação à solução de sinistros.

Há cerca de 30 anos, os especialistas Don Peppers e Martha Rogers previram um futuro em que cada cliente seria tratado de forma individualizada. Na época, essa ideia parecia ficção científica, pois as empresas não tinham ferramentas tecnológicas para analisar dados e tomar decisões na hora. Porém, com o avanço da Inteligência Artificial (IA) Gerativa e, especialmente, da IA Agêntica, esse cenário se tornou realidade. O CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente) deixou de ser apenas um arquivo de dados para se tornar um sistema ativo que guiar a experiência do consumidor. Para o setor de seguros, essa mudança é uma grande oportunidade, já que a confiança é o principal produto que as seguradoras vendem.

As empresas de seguros estão investindo pesado em digitalização, computação em nuvem e inteligência artificial. O ponto central não é apenas usar a tecnologia sozinha, mas integrá-la aos processos existentes. Isso permite que os sistemas entendam a necessidade do cliente, resolvam tarefas e sugiram a melhor ação em segundos. Mais do que responder perguntas, a IA passa a acompanhar o cliente durante todo o processo, antecipando problemas e tornando a interação mais suave e personalizada.

  • A IA Agêntica permite que as seguradoras deixem de ser reativas e passem a proibir, antecipando as necessidades do cliente.
  • De acordo com a Salesforce, 79% dos líderes de atendimento já consideram os agentes de IA essenciais para o crescimento do negócio.
  • O sistema não substitui as pessoas, mas libera os profissionais para focarem em situações complexas e na empatia.
  • O maior diferencial competitivo não é ter mais dados, mas saber ativá-los no momento certo e com responsabilidade.
  • A tecnologia deve ser combinada com profissionais qualificados para garantir que o cliente se sinta compreendido e seguro.

A revolução do relacionamento contínuo

Uma pesquisa da Salesforce indica que empresas com dados organizados e integrados têm muito mais sucesso ao implementar IA. Além disso, a grande maioria dos líderes de departamento já reconhece a importância dessas ferramentas. No mundo dos seguros, isso é ainda mais crítico. Diferente de outras indústrias, o contato entre a empresa e o cliente costuma ser raro, limitando-se à hora de comprar, renovar ou pedir ajuda após um problema. A inteligência artificial moderna muda essa lógica. Ela permite que a empresa entenda mudanças no perfil do cliente, sugira planos mais adequados e agilize a análise de casos.

Outra análise aponta que a IA impactará todas as etapas do processo, desde a venda até a resolução de sinistros e as operações internas. Essa transformação não visa eliminar o papel dos funcionários, mas sim otimizar o trabalho deles. Ao automatizar tarefas repetitivas, a tecnologia permite que as pessoas foquem no que realmente importa: entender emoções, negociar soluções difíceis e manter o relacionamento de confiança. O futuro é híbrido, onde a máquina oferece velocidade e escala, enquanto o ser humano garante o julgamento ético e a confiança.

O desafio da confiança e da transparência

Estar em um mundo onde tudo é conectado exige uma mudança de comportamento das empresas. Por muito tempo, o objetivo era apenas acumular informações. Hoje, o diferencial é usar esses dados de forma ética, no tempo certo e respeitando o cliente. A personalização extrema deixa de ser um truque de marketing para ser a base da operação. Porém, quanto mais personalizado for o atendimento, maior deve ser o cuidado com a segurança e a transparência das informações. Isso é fundamental, pois nenhuma oferta personalizada compensa a perda da confiança do consumidor.

Os dados mostram essa contradição: as pessoas valorizam a praticidade, mas têm medo de não ter controle sobre os próprios dados. Elas ainda preferem a presença de um humano quando a decisão é complexa ou delicada. Além disso, a competição não é apenas entre empresas de seguros. As grandes plataformas de tecnologia estão transformando sistemas de gestão em centros de comando de IA. Por isso, ter bons dados e sistemas integrados virou uma questão de estratégia de negócio, não apenas de tecnologia.

No fim, o mercado de seguros, que sempre soube avaliar riscos, agora enfrenta o desafio de usar essa tecnologia para criar vínculos mais humanos. As empresas que unirem dados confiáveis, sistemas inteligentes e pessoas preparadas estarão à frente. O sucesso de hoje não se mede pela quantidade de tecnologia usada, mas pela capacidade de fazer com que o cliente se sinta valorizado e compreendido exatamente no momento em que mais precisa.