Ministro Márcio Elias Rosa confirma que delegações dos dois países se reunirão em Milwaukee, nos Estados Unidos, durante a cúpula do G20 para retomar discussões sobre as sobretaxas impostas por Washington a produtos brasileiros, incluindo aço, calçados e medicamentos.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, anunciou nesta segunda-feira (14) que representantes do governo brasileiro terão um encontro com Jamieson Greer, o representante comercial dos Estados Unidos (conhecido pela sigla USTR).
A reunião ocorrerá durante a cúpula do grupo G20, que será realizada entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro na cidade de Milwaukee, nos Estados Unidos.
Este novo encontro marca a retomada de uma conversa que vinha sendo encaminhada virtualmente, com o objetivo de resolver as divergências comerciais entre as duas nações.
Detalhes da Reunião em Milwaukee
O ministro falou brevemente com a imprensa após participar de um evento no Palácio do Planalto.
Ele evitou antecipar os pontos que serão debatidos na mesa de negociação.
Rosa afirmou apenas que as equipes técnica e política dos dois países estão trocando documentos oficiais e ajustando os detalhes para que a reunião seja produtiva.
A intenção é encontrar saídas para o impasse que trava a economia de vários setores do Brasil.
O Contexto do Tarifaço
A tensão comercial começou de forma mais intensa em julho, quando o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos itens exportados pelo Brasil.
Entre os produtos atingidos estão ferro, aço, roupas, calçados, açúcar, etanol e medicamentos.
Também sofreram com a taxação maquinário agrícola e máquinas elétricas que não são usadas em aviões.
Diversas outras mercadorias manufaturas também foram incluídas na lista de penalizações.
Motivos da Disputa Comercial
O governo estadunidense justificou essa ação alegando que práticas brasileiras prejudicavam agricultores e trabalhadores dos EUA.
Greer argumentou que essas medidas restringiam o livre comércio e oneravam os empresários norte-americanos.
Como uma segunda etapa de pressão, foi aplicada uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre outras exportações nacionais.
A justificativa deste novo bloqueio foi a alegação de que o Brasil não tem mecanismos suficientes para barrar a entrada de produtos feitos com trabalho forçado.
Diplomacia e Renegociação
Diante desse cenário, o Brasil buscou um caminho diplomático para resolver o problema sem escalar a crise.
Em 31 de agosto, o ministro Rosa e Greer já haviam se encontrado por videoconferência.
Esse contato virtual serviu para iniciar uma nova etapa de renegociação das condições de comércio.
A decisão de retomar as conversas formais ocorreu após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Diálogo entre Líderes Nacionais
Esse telefonema aconteceu em 21 de agosto e teve uma duração de aproximadamente uma hora e vinte minutos.
Segundo informações do Palácio do Planalto, a conversa entre os chefes de Estado foi cordial e produtiva.
Os dois líderes concordaram em abrir um novo canal de diálogo direto entre Brasília e Washington.
Esse fluxo de comunicação visa reduzir os impactos da disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos.
- O encontro presencial entre os negociadores dos dois países acontecerá durante a cúpula do G20 em Milwaukee.
- Os produtos brasileiros mais afetados incluem aço, ferro, calçados, açúcar, etanol e medicamentos.
- A sobretaxa inicial imposta pelos Estados Unidos é de 25% sobre uma lista de itens exportados pelo Brasil.
- Uma segunda taxa de 12,5% foi aplicada baseada na questão do trabalho forçado.
- A retomada das negociações foi acordada após uma ligação direta entre os presidentes Lula e Trump.

Ricardo Stuckert / PR


