Especialista alerta que a falta de planejamento faz empresas arriscarem margens, estratégias e crescimento. KPMG aponta que maioria não tem plano de ação para adaptação às novas regras fiscais.
Com a Reforma Tributária cada vez mais próxima, um dado assusta o mundo dos negócios: 86% das empresas brasileiras ainda não calcularam como as mudanças vão impactar seus cofres. Esse descuido coloca em risco as margens de lucro e os planos de expansão das companhias.
Diante desse cenário, Leonardo Bastos, empresário e contador, analisa a situação e explica como transformar essa fase de transição em uma oportunidade estratégica. Em vez de apenas reagir, a ideia é usar o período para reorganizar o negócio e proteger resultados.
- 86% das empresas consultadas não têm clareza sobre o impacto financeiro da reforma na KPMG.
- Metade do grupo (51%) não criou um plano de ação para se adaptar às novas regras.
- A nova tributação pode mudar custos, preços de produtos e a escolha de fornecedores.
- O Governo criou um programa nacional em 2026 para ajudar empresas a corrigir erros fiscais.
- Especialistas recomendam revisar contratos e investimentos agora, antes que as mudanças caiam por cima.
Onde a Reforma Tributária bate no bolso da empresa
A mudança nas regras tributárias vai muito além de pagar impostos no dia certo. Ela altera a forma de calcular preços, contratar fornecedores e investir em novos produtos. Um estudo da consultoria KPMG, feito com 35 empresas, revelou que a maioria está despreparada.
Os números mostram que apenas 31% das empresas consideram isso uma prioridade máxima. Muitas ainda veem a reforma como apenas uma burocracia para resolver, ignorando que ela afeta decisões comerciais e financeiras importantes.
Isso ficou mais sério em agosto de 2026, quando a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS lançaram um programa para orientar os contribuintes durante a implementação das novas obrigações este ano.
Decisões de preço e crescimento em risco
A distância entre o setor de impostos e a direção geral da empresa está custando caro. Na mesma pesquisa, 63% não pensaram na reforma ao criar novos produtos. Outros 69% não avaliaram o impacto em casos de fusões ou compras de outras empresas.
Bastos explica que isso é perigoso. Antes de abrir uma filial ou lançar um item novo, a empresa precisa saber se vale a pena sob a nova regra. Ele alerta que não basta olhar para o faturamento; é preciso ver o lucro real.
Crescimento não pode ser medido apenas por faturamento. É preciso avaliar quanto daquela expansão efetivamente se transforma em resultado, ressalta o especialista, destacando que a margem de lucro é o que realmente importa no fim.
A formação de preço é o ponto mais sensível. A KPMG aponta que a nova lógica pode mudar a competitividade e a cadeia de fornecimento. O efeito final no preço pode variar muito dependendo do setor, do produto e dos créditos fiscais que a empresa tem direito.
Como ajustar fornecedores e investimentos
Será impossível presumir que tudo vai ficar mais caro ou mais barato. Cada caso precisa de uma análise individual. Bastos adverte que olhar só para a alíquota do imposto é erro grave. É preciso colocar na mesa o custo, a margem, o fornecedor e a estrutura.
Uma decisão errada de precificação pode aumentar as vendas e, ao mesmo tempo, reduzir a rentabilidade, aponta o especialista. Ou seja, vender mais nem sempre significa ganhar mais dinheiro se o preço estiver mal calculado.
A cadeia de fornecedores também precisa mudar. As empresas terão que operar com as regras antigas e as novas ao mesmo tempo durante a transição. Isso exige que áreas como finanças, comércio e contabilidade trabalhem juntas.
O objetivo não é furar a lei, mas ser mais inteligente. Bastos reforça que o planejamento tributário serve para entender as regras e simular cenários. Assim, a empresa sabe onde proteger o lucro e onde tem espaço para crescer.
Em 13 de agosto, o Ministério da Fazenda anunciou o Programa Nacional de Conformidade Tributária para 2026. A medida busca orientar e ajudar empresas a corrigir inconsistências enquanto as novas regras entram em vigor, evitando punições desnecessárias.
Ahora é hora de agir
Para Bastos, 2026 é o ano decisivo para revisar os números. Quem esperar tudo acontecer para depois reagir estará perdendo tempo e dinheiro. A reforma pode ser usada como ferramenta para testar preços, escolher melhores fornecedores e planejar investimentos com segurança.
A questão do tributo precisa fazer parte das conversas sobre onde e como a empresa quer crescer. Quem não incluir isso no mapa agora, correrá o risco de ter sua margem corroída sem perceber, arriscando a sobrevivência do negócio num mercado mais rígido.

Leonardo Bastos, especialista em crescimento empresarial




