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Neurocirurgião ensina 5 passos para médicos gerirem clínicas lucrativas sem depender só de agenda lotada

Economia Gestão 15/09/2026 16:48 Assessoria de Imprensa / Press Manager Lajeado RS

Em meio à projeção de 713 mil médicos no Brasil até 2027, a gestão profissional se torna vital. Confira como organização financeira, processos e planejamento estratégico podem salvar a carreira e a saúde mental dos profissionais.

Com a expectativa de chegar a 713 mil médicos no país até 2027, administrar consultórios e clínicas deixou de ser luxo e virou questão de sobrevivência profissional. A dúvida central se intensifica: como os médicos podem estruturar seus negócios de forma sustentável sem depender exclusivamente de uma agenda de consultas sempre cheia

O neurocirurgião Isaac Bertuol, fundadorda Clínica Revitera, em Lajeado (RS), propõe cinco frentes práticas para redefinir a carreira médica. Ele defende que os profissionais incorporem competências empresariais à rotina, mantendo a excelência clínica. O conteúdo inclui dados exclusivos e depoimentos de especialistas que ajudam a desvendar os caminhos para uma medicina mais organizada e lucrativa.

Principais pontos para entender a gestão médica em 2026

  • O Brasil terá 713 mil médicos em 2027, o que exige mais organização para evitar saturação do mercado.
  • Faturamento alto não garante lucro, pois muitos clínicos ignoram custos fixos e precificação errada.
  • Centralizar decisões no médico cria gargalos que impedem o crescimento da clínica.
  • 84% dos agendamentos de saúde hoje são feitos pelo celular, exigindo presença digital estratégica.
  • Planejamento concreto em 2026 é essencial para garantir resultados e qualidade de vida em 2027.

O cenário de superabundância médica no Brasil

Após 23 anos na medicina e 19 dedicados à neurocirurgia, Isaac Bertuol promoveu uma transformação em sua carreira sem abandonar a prática clínica. Ele reorganizou os processos, o modelo de receita e a gestão da Clínica Revitera para reduzir a dependência da agenda cheia. A tese é de que, com a projeção de aumento no número de profissionais, dominar o gerenciamento empresarial é fundamental para não perder o foco no cuidado ao paciente.

A necessidade de profissionalização ganha força diante dos números. O estudo Demografia Médica no Brasil 2025, feito pela Escola Paulista de Medicina da USP e pela Associação Médica Brasileira, com apoio do Ministério da Saúde, projeta 674.641 médicos em 2026 e 713.654 em 2027. Se a tendência se manter, o país poderá alcançar 1,15 milhão de médicos até 2035. O alerta é que a distribuição desses profissionais continua desigual entre as diferentes regiões do território nacional.

Para Bertuol, a expansão técnicas não é suficiente; é preciso aprender a administrar o próprio negócio. Eu vivia a lógica comum a muitos médicos: foco total na técnica e na agenda. Quando comecei a estruturar modelo de receita, posicionamento e gestão, os resultados se tornaram mais previsíveis, afirma o neurocirurgião. A agenda lotada, isoladamente, não garante uma carreira organizada.

Consultórios e clínicas envolvem custos, equipes, fornecedores, impostos e relacionamento com pacientes. Ignorar essa estrutura faz com que, ao aumentar o volume de atendimentos, o profissional tenha uma margem de lucro e uma qualidade de vida que não acompanham o esforço. Bertuol relata: Eu percebi que a excelência cirúrgica não garantia estabilidade. Quando organizei processos e defini posições, ganhei direção profissional.

As 5 frentes de ação para médicos

A partir de sua experiência, o neurocirurgião aponta cinco ajustes que devem ser revisados ainda em 2026 para uma virada de chave em 2027.

O primeiro passo é entender a saúde financeira real da clínica. Muitos médicos confundem faturamento com lucro. Uma agenda cheia pode mascarar custos elevados e precificação inadequada. É essencial acompanhar despesas fixas, variáveis, impostos e inadimplência. A ANS reportou 53,1 milhões de vínculos em planos de saúde em junho de 2026, representando 25% da população. Empreender é estruturar. É garantir clareza financeira e sustentabilidade, diz Bertuol.

O segundo ajuste foca em processos e equipe. Tarefas administrativas, como agendamentos e cobranças, não devem cair nas costas do médico. Quando o especialista é o único tomador de decisão, ele vira um gargalo. Bertuol orienta diferenciar o que exige decisão técnica do que pode ser delegado, preservando o tempo para a assistência e permitindo que a clínica cresça independentemente da presença física do dono.

O terceiro ponto trata da construção de autoridade. Com 60% dos brasileiros buscando saúde na internet, a reputação online é vital. A credibilidade não nasce de exposição excessiva, mas da consistência. Fernanda Tochetto, da Tittanium Club, afirma: A credibilidade médica nasce da organização da identidade profissional. Isso envolve tornar claro quem é o especialista e como ele se comunica, sem violar o código de ética.

O quarto aspecto é a experiência do paciente antes da consulta. Dados da Doctoralia mostram que 84% dos acessos são pelo celular, muitas vezes fora do horário comercial. Pacientes avaliam localização, horários e opiniões antes de agendar. Gerenciar essa jornada elimina ruídos e foca no cuidado, retirando a sobrecarga operacional do médico.

O quinto ajuste é o planejamento estratégico para 2027. Desejais faturar mais não é plano. É preciso definir metas de receita, custos e processos. Como alerta Fernanda Tochetto: Agenda lotada não significa negócio saudável. Sem organização, o profissional fica vulnerável e sobrecarregado. O objetivo é transformar a intenção em decisões concretas que garantam a evolução em 2027.

Essa mudança não mercantiliza a medicina, mas devolve ao profissionais a liberdade de escolher como conduzir sua carreira. Isaac Bertuol, que já realizou mais de 10 mil procedimentos e atendeu 70 mil pacientes, agora atua como mentor. Ele destaca: Compartilhar isso com outros médicos é dividir um aprendizado que faz diferença real. A gestão organizada permite que o cuidado clínico permaneça o centro, com previsibilidade e tranquilidade.