Pesquisa revela que a maioria dos pequenos empresários desconhece mecanismo da Reforma Tributária que separa impostos no momento do pagamento, gerando preocupação com queda no capital de giro e fluxo de caixa das empresas.
A Reforma Tributária brasileira introduzirá o split payment, uma mudança que altera fundamentalmente a forma como as empresas gerenciam seu caixa. No novo modelo, quando um pagamento é feito, a parte referente aos impostos é separada automaticamente e enviada ao governo, enquanto a empresa recebe apenas o valor líquido da venda. Essa prática muda o fluxo de dinheiro disponível para o dia a dia dos negócios.
Um estudo realizado pela plataforma GestãoClick revelou que 77% dos pequenos negócios no Brasil ainda não conhecem essa mudança. Além disso, 41% das microempresas relatam medo de sofrer prejuízos financeiros imediatos. Abaixo estão os principais pontos levantados pela pesquisa sobre o tema.
- 77,1% dos empresários nunca ouviram falar ou sabem muito pouco sobre o split payment.
- Apenas 11% já ajustaram seus planejamentos financeiros e sistemas para a nova regra.
- O sistema deve movimentar cerca de R$ 6 trilhões por ano quando estiver completo.
- O Brasil terá que conectar 229 instituições financeiras ao sistema.
- Microempresas têm 1,9 vez mais receio de impacto no caixa do que os MEIs.
Desconhecimento da Nova Regra Tributária
Enquanto o governo e os bancos debatem como implementar o sistema, muitas empresas pequenas continuam inseguras. A pesquisa mostrou que 77,1% dos entrevistados não conhecem os detalhes do mecanismo. Apenas 22,8% entendem exatamente como ele funcionará na prática.
Esse desconhecimento reflete na preparação das empresas. Somente 11% disseram ter adaptado seus sistemas financeiros. Outros 40,2% sabem que precisam se preparar, mas ainda não começaram. Já 16,5% estão começando a se informar. O maior grupo, com 32,3%, admite não saber por onde as mudanças.
Impacto no Fluxo de Caixa das Empresas
O split payment muda a forma como os impostos de consumo são recebidos pelo estado. Antes, havia um intervalo entre o recebimento da venda e o recolhimento do imposto. Esse tempo livre era usado como capital de giro temporário. Agora, o imposto é separado logo na hora do pagamento, alterando essa dinâmica.
Para as microempresas, o medo é maior. A pesquisa identificou que 41% delas esperam sofrer perda no fluxo de caixa. Esse número cai para 35% nas pequenas empresas e 30% nas médias. Os MEIs (Microempreendedores Individuais) apresentaram 22% de preocupação. Isso significa que o medo nas microempresas é quase o dobro do existente entre os MEIs.
Alerta de Especialista para Preparação Antecipada
O adiamento da obrigatoriedade, agora previsto para 2028, não deve ser usado como pretexto para esperar. Wesley Henrique, Head de Finanças e Administração da GestãoClick, alerta que o problema não é apenas o desconhecimento, mas a falta de direção na preparação. A mudança afeta diretamente o caixa, exigindo planejamento e tecnologia.
O adiamento não deve ser interpretado pelas pequenas empresas como um motivo para deixar o assunto para depois. O dado mais preocupante da pesquisa não é apenas que muitos empresários desconheçam o split payment, mas que quase um terço nem saiba por onde começar a se preparar. A mudança mexe diretamente na dinâmica do caixa, e planejamento financeiro e tecnologia precisam entrar nessa conversa antes da obrigatoriedade, afirma Wesley Henrique.
Curiosidade: Quem Sabe Mais, Tem Menos Confiança
Um dado surpreendente do estudo mostra que os empresários mais informados são os mais cautelosos. Entre os clientes da GestãoClick, que conhecem melhor o tema, a confiança média no sistema foi de 3,1 em uma escala de zero a dez. No mercado geral, essa confiança foi de 5,4. A diferença é de 43%.
Isso indica que, ao entender o impacto na liquidação das vendas e no capital de giro, os empresários percebem os riscos operacionais e financeiros, não apenas os tributários. Apenas 15,4% dos clientes da plataforma disseram nunca ter ouvido falar do mecanismo, contra 39,6% do mercado geral. A pesquisa não prova que o medo vem do conhecimento, mas mostra que há uma associação entre familiaridade e cautela.
Comparação Internacional do Sistema
O Brasil prepara um modelo de escala inédita. Outros países não adotaram sistemas gerais para todas as empresas. Na Polônia, desde 2019, o sistema é usado apenas em setores de alto risco, como combustíveis e aço. Na Itália, desde 2015, serve principalmente para compras do governo. O Reino Unido não usa o sistema para empresas comuns.
O estudo aponta que nenhuma dessas experiências é comparável à dimensão brasileira. A complexidade também envolve custos. As instituições financeiras devem receber R$ 0,39 por operação, corrigido pela Selic. Mas a estimativa de custo real por transação é entre R$ 0,46 e R$ 0,61.
Mudança Atinge a Maioria dos Negócios Nacionais
A importância da preparação é enorme porque atingirá milhões de empresas. O Brasil tem cerca de 24 milhões de pequenos negócios ativos. Eles representam 95% das empresas do país e 26,5% do Produto Interno Bruto nacional.
Para a GestãoClick, o debate não deve ficar só na tecnologia ou impostos. É preciso chegar à gestão cotidiana. As empresas precisam entender como a retenção automática afeta o caixa, revisar projeções de dinheiro disponível, acompanhar as novas regras e integrar as áreas financeira, fiscal e contábil. Enquanto alguns esperam mais transparência, outros temem a redução do capital disponível para operar.

levantamento do GestãoClick



