83% dos executivos brasileiros agora usam a área fiscal para impulsionar investimentos. Empresas precisam revisar créditos de ICMS e CBS antes de 2032 para evitar perdas e aproveitar recursos na nova regra do IBS.
A reforma tributária mudou completamente o papel dos impostos nas empresas. Antes vista apenas como uma obrigação do setor financeiro, agora a área fiscal é usada de forma estratégica para gerar dinheiro em caixa e ajudar em novos investimentos. Uma pesquisa da PwC Brasil, divulgada em julho de 2026, revela esse cenário: 83% dos executivos brasileiros já consideram a gestão tributária fundamental para as decisões de negócio.
Essa mudança ocorre em meio à adaptação das empresas para as novas regras do IBS e da CBS. Para Altair Heitor, contador, psicólogo e CFO da consultoria Palin & Martins, especializada em gestão tributária para o agronegócio, a transição exige que as companhias saibam não apenas o quanto pagam de impostos, mas também quais valores têm direito e podem aproveitar.
- 83% dos executivos brasileiros já veem a área fiscal como estratégica para decisões de negócio.
- A Lei Complementar nº 227 de 2026 define regras para créditos de ICMS até o fim de 2032.
- Cupons de crédito podem ser compensados com o IBS em 240 parcelas mensais.
- A Embraer usou um crédito de US$ 68 milhões para aumentar sua margem de lucro.
- Empresas do agro precisam provar a origem dos créditos para receberem de volta.
A importância de planejar os créditos tributários
Altair Heitor defende que a análise dos valores a recuperar deve fazer parte do planejamento geral da empresa. O crédito tributário não pode aparecer para o empresário apenas quando surge uma oportunidade de recuperação. Um saldo corretamente identificado, documentado e tratado dentro das regras pode representar recurso disponível para a própria operação, afirma o especialista.
A preocupação cresceu em agosto de 2026. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS assinaram o Ato Conjunto nº 5, que regulamenta o Programa Nacional de Conformidade Tributária. Essa iniciativa foi criada para ajudar os contribuintes a se adaptarem às novas obrigações de emissão de documentos fiscais do IBS e da CBS, oferecendo orientação e correção de erros durante a transição.
Qualidade da informação fiscal é essencial
Para Heitor, essa medida mostra que a reforma é mais do que trocar um imposto por outro. Ela afeta a qualidade das informações que sustentam os registros fiscais. Atualizar o sistema é apenas uma parte do trabalho. A empresa precisa saber se a informação registrada está correta. Crédito sem origem demonstrada, documento inconsistente ou escrituração inadequada podem comprometer um ativo que poderia ser utilizado pelo negócio, explica ele.
Grande empresa mostra o poder do crédito
Um exemplo recente ilustra por que o tema chama atenção das diretorias. No segundo trimestre de 2026, a Embraer reconheceu um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões. A fabricante registrou lucro antes de juros e impostos (EBIT ajustado) de US$ 296,9 milhões, com margem de 13,3%.
Segundo o relatório da companhia, sem as tarifas de importação dos Estados Unidos e esse crédito extraordinário, a margem teria sido de apenas 10,6%. O efeito também foi sentido no caixa: a Embraer teve fluxo de caixa livre de US$ 401 milhões no período. A empresa elevou sua projeção para 2026 de US$ 200 milhões para US$ 400 milhões ou mais.
ICMS exige revisão antes de 2032
A atenção aos créditos de ICMS ganhou urgência com a transição para o IBS. A Lei Complementar nº 227 de 2026 determina que os saldos devedores de ICMS existentes em 31 de dezembro de 2032 serão reconhecidos pelos estados e pelo Distrito Federal, desde que atendam às regras legais, estejam bem registrados e aprovados pelo processo de homologação.
A norma permite a compensação desses créditos com o IBS em 240 parcelas mensais. Também é possível transferir o saldo para outras empresas do mesmo grupo econômico ou, se não houver compensação, receber em dinheiro do Comitê Gestor do IBS. Mesmo com a data final em 2032, o especialista recomenda começar a organização agora para evitar problemas futuros.
Desafios especiais para o agronegócio
No agronegócio, a análise é ainda mais necessária para produtores rurais, exportadores e empresas que acumulam créditos por características de suas atividades. Altair aponta três pontos vitais: comprovar a origem do dinheiro, manter uma escrituração boa e seguir as regras específicas de cada operação.
O crédito de ICMS sempre existiu, mas agora ele passa a separar empresas preparadas das que vão ficar para trás. Quem souber exatamente o que possui, mantiver documentação consistente e tratar o crédito tributário como parte da gestão chegará às próximas etapas da reforma com maior capacidade de decisão, conclui Altair Heitor.

Assessoria Palin & Martins




