Este artigo explica como a ambidestria, a habilidade de equilibrar operações diárias e inovação para o futuro, é essencial para que as empresas não fiquem para trás. Entenda por que repetir modelos do passado não serve mais e como os líderes precisam aprender a mudar antes que a crise obrigue o feito.
Como uma empresa pode ser excelente hoje sem virar irrelevante amanhã Essa é, talvez, uma das perguntas mais difíceis para os líderes atuais. Inovar exige espaço para experimentar erros e acertos. Operar o negócio exige disciplina, foco e previsibilidade. Consegir conciliar essas duas visões é o que torna a ambidestria uma competência estratégica para a sobrevivência e a longevidade das organizações. Por isso, isso não pode ficar de fora do perfil de quem assume essa responsabilidade.
Em termos simples, a ambidestria é a capacidade do líder de olhar para o presente, o futuro, sem esquecer o passado. No curto prazo, ela significa garantir a execução e acompanhar resultados para que a empresa atinja seus objetivos mensais, semestrais ou anuais. Ao mesmo tempo, o líder deve olhar para o futuro, identificando novas oportunidades, antecipando mudanças e criando condições para que a empresa se reinvente ante novos ciclos de mercado.
Por que a longo prazo importa para a sobrevivência
Isso é vital porque notamos, cada vez mais, dificuldades das organizações permanecerem relevantes diante de um cenário de mudanças tecnológicas, novos modelos de negócio e alterações no comportamento dos consumidores. Um levantamento da Innosight comprova essa tendência: o tempo médio de permanência de uma empresa no índice S&P 500, que era de cerca de 30 anos nas décadas de 1970 e 1980, caiu para menos de 20 anos nas projeções recentes. Em março deste ano, uma análise da Apollo estimou essa permanência média em apenas 15 anos.
A pandemia reforçou essa percepção de forma clara. Ela ensinou que o próximo grande desafio não terá necessariamente a mesma natureza do anterior. Repetir uma receita que funcionou no passado não é garantia de sucesso. Empresas presas a modelos e certezas conhecidas tiveram mais dificuldade para responder às mudanças abruptas daquele período.
Ambidestria e o exemplo do esporte e do varejo
Em contrapartida, aquelas com maior abertura para rever estratégias, testar novas alternativas e se adaptar rapidamente atravessaram melhor a turbulência, encontrando até novas oportunidades de crescimento. A lição é simples: não basta fazer bem o que trouxe a empresa até aqui; é preciso estar pronto para mudar antes que o próximo ciclo obrigue essa mudança de forma forçada.
Esse olhar para o futuro significa questionar se existe algo completamente diferente a ser feito, saindo da lógica incremental. É como pensar em um time de futebol: um esquema tático pode funcionar, mas a equipe deve jogar sempre da mesma forma Rearranjar peças ou mudar a estratégia pode fazer a diferença. Nas empresas, a eficiência mantém o jogo, mas a inovação pode mudar o resultado.
- Ambidestria é a habilidade de equilibrar operações atuais e inovação para o futuro.
- A permanência média das grandes empresas nos EUA caiu para cerca de 15 anos.
- A pandemia provou que repetir antigos modelos não garante sucesso futuro.
- Líderes precisam de times engajados para ter autonomia para inovar.
- O mercado de varejo mostra que não existe receita única para o sucesso.
O varejo é outro bom exemplo, convivendo com gigantes digitais escaláveis, empresas físicas que se mantiveram relevantes e organizações que combinam os dois mundos. Não existe uma única receita para o sucesso. É aí que a ambidestria é importante, pois o líder precisa ver o que o mercado já faz e identificar pontos cegos que escondem oportunidades para quem sair da caixa e questionar padrões.
A importância de equilibrar a agenda e construir times
Dividir e equilibrar essa agenda não é simples, mas é possível com um bom time. Um líder ambidestro não precisa estar em todas as decisões operacionais. Ele precisa de uma equipe engajada, preparada e alinhada à mesma visão. Quando compartilham essa direção e têm autonomia, o líder deixa de ser o único responsável pela operação e ganha espaço para antecipar movimentos, questionar certezas e identificar novas oportunidades.
No fim, a ambidestria profissional é equilibrar presente e futuro sem perder os aprendizados do passado. É conciliar resultados imediatos com decisões de retorno distante. As maiores oportunidades surgem nos momentos de incerteza. A meta é não esperar a crise para mudar, mas construir, antes dela, uma organização capaz de enxergar a mudança como uma chance de crescimento.

Imagem ilustrativa sobre liderança ambidestra


