09 de setembro de 2026

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Brasil compra mais peças de fora para construir barcos de lazer

Economia Náutico 09/09/2026 11:10 Maikeli Alves - Rotas Comunicação

As importações de insumos para a construção de barcos de recreio no Brasil cresceram 23%, chegando a US$ 75,6 milhões no primeiro semestre de 2026. O aumento reflete a expansão da indústria náutica, que produz 5 mil embarcações por ano, e o forte crescimento das exportações de Itajaí (SC), que quase dobrou as vendas de iates para o exterior.

As importações brasileiras de insumos usados na fabricação de barcos de recreio e esporte subiram 23% em 2026. No período entre janeiro e junho, o país gastou US$ 75,6 milhões nesse item. No mesmo intervalo do ano anterior, o valor era de US$ 61,5 milhões. Os dados são do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Esse alto no número de compras externas está ligado ao crescimento da indústria náutica do Brasil. Segundo a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), o setor produz em média 5 mil embarcações de lazer por ano. Essa atividade emprega cerca de 150 mil pessoas, contando as vagas diretas e indiretas. Para manter esse volume e atender pedidos de barcos cada vez maiores, os estaleiros ainda precisam trazer do exterior componentes essenciais, como motores, sistemas elétricos, resinas e outros materiais que seguem padrões internacionais de tecnologia.

Importância do planejamento logístico

  • As importações de insumos para barcos de lazer no Brasil cresceram 23%, chegando a US$ 75,6 milhões no primeiro semestre de 2026.
  • A indústria náutica nacional produz cerca de 5 mil embarcações por ano e emprega 150 mil trabalhadores.
  • Itajaí (SC), principal polo do setor, aumentou suas exportações de iates em 93%, totalizando quase US$ 9 milhões.
  • Construir yates de grande porte pode custar mais de R$ 50 milhões e exige integração de fornecedores de vários países.
  • A logística é crucial para garantir que motores, radares e peças eletrônicas cheguem aos estaleiros no tempo certo.

Além de comprar, chegar a hora certa, esses materiais precisam de um controle rigoroso. Um dos principais agentes de carga do país, a Cronos Logistics, atende grandes estaleiros nesse processo. A empresa cuida de tudo, desde a coleta do produto no país de origem até a entrega na fábrica no Brasil. Isso inclui escolher a melhor rota, reservar espaço nos transportes, checar documentos e organizar a chegada das peças.

"A construção de um iate de grande porte no Brasil, em projetos que podem superar R$ 50 milhões, exige integrar fornecedores de diferentes países ao cronograma do estaleiro. Motores, estabilizadores, radares e sistemas eletrônicos têm prazos e exigências próprias. O agente de carga precisa antecipar documentos, definir rotas e programar cada entrega para garantir a eficiência na fabricação", afirma Fábio Rengel, diretor de operações (COO) da Cronos Logistics.

Itajaí lidera exportações de barcos

Empresas localizadas em Itajaí, em Santa Catarina, exportaram US$ 8,7 milhões em iates e outras embarcações de esporte entre janeiro e junho de 2026. Esse valor representa um aumento de 93% em relação aos US$ 4,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. O município é o líder nacional nesse segmento, concentrando cerca de 35% de toda a produção de barcos do país, reunindo estaleiros, fornecedores e serviços especializados.

Com esse crescimento das vendas para fora, aumenta a necessidade de organizar bem a entrada das peças importadas e a saída dos barcos prontos. Os estaleiros da região usam operadores especializados para lidar com as regras e documentos exigidos por diferentes países de destino. A Cronos, que tem sede em Itajaí e filiais nos Estados Unidos, além de outras cinco unidades no Brasil, realiza essas operações. A empresa possui certificações internacionais que a habilitam a atender aos altos padrões de segurança e qualidade dos mercados americano e europeu.

"A produção de uma embarcação no Brasil pode envolver fornecedores de vários países e um comprador localizado em outro mercado. Por isso, as exigências documentais e regulatórias precisam ser consideradas desde a entrada dos componentes até a exportação do barco concluído", explica Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics.