08 de setembro de 2026

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Tarifas dos EUA obrigam empresas a recalcular toda a operação internacional

Economia Comercio Exterior 08/09/2026 14:15 Assessoria de imprensa da Saygo Group

Novas rotas e custos de frete alteram finanças de importadores e exportadores, exigindo revisão de câmbio, prazos e estoque para evitar prejuízo.

As novas tarifas dos Estados Unidos atingem 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao país, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. No primeiro semestre de 2026, os embarques nacionais para o mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões, o que representa uma queda de 13% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para Fabiane Oliveira, administradora de empresas com ênfase em Comércio Exterior e fundadora do Saygo Group, uma empresa especializada em gestão de importação e exportação, as mudanças nas rotas globais estão forçando as companhias a rever toda a estrutura financeira, não apenas os fornecedores. Trocar um país de origem ou um destino de venda não significa apenas negociar com outra empresa. Muda frete, prazo, seguro, documentação, regras locais, condições de pagamento e, muitas vezes, a moeda da operação. A decisão precisa considerar quanto essa nova rota realmente custa até o produto chegar ao destino, afirma a especialista. O impacto é percebido em um contexto de alto volume, pois em julho o Brasil movimentou US$ 61,17 bilhões no comércio exterior, com crescimento de 6,8% em relação a 2025.


Os desafios logísticos da nova ordem comercial


As medidas americanas anunciadas em julho estabeleceram sobretaxas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros, chegando a 37,5% em itens atingidos por ambas as regras. Para Ronaldo Felix, Diretor de Operações da Saygo Group, mudar de rota pode gerar custos ocultos que não aparecem na primeira proposta de preço.

Ele explica que uma alteração comercial exige revisão de portos, modais de transporte e estoques. Um fornecedor pode oferecer um preço menor e, ainda assim, gerar uma operação mais cara. Se a mercadoria leva mais tempo para chegar, exige outro porto, aumenta o período de armazenagem ou faz a empresa carregar mais estoque, esse custo aparece depois. É por isso que a análise precisa começar antes da troca de rota, destaca Felix. O relatório da UNCTAD, órgão das Nações Unidas, confirma que tensões geopolíticas prolongaram viagens marítimas e elevaram custos operacionais ao longo de 2024 e 2025.

Ronaldo alerta que o prazo de entrega também interfere diretamente na conta final. Uma rota mais longa não afeta apenas a logística. Ela pode exigir maior estoque de segurança, antecipação de compras e mais capital imobilizado até a mercadoria estar disponível. Quando esses fatores não entram na análise inicial, a economia prevista pode desaparecer, ressalta.


O impacto na saúde financeira e no caixa


A reorganização das cadeias globais também muda a forma como as empresas administram o dinheiro em caixa. Trocar fornecedores dos EUA por parceiros da Europa ou Ásia significa lidar com novas moedas e condições de pagamento, impactando a tesouraria.

Murillo Oliveira, Head of Treasury da Saygo Group, argumenta que a decisão comercial deve passar pela área financeira antes de ser fechada. As novas rotas do comércio global também criam novas exposições financeiras. Quando a origem, o destino ou a moeda de uma operação muda, a empresa precisa recalcular fluxo de caixa, custo financeiro, precificação e necessidade de proteção cambial. Caso contrário, uma economia obtida na negociação comercial pode desaparecer na etapa financeira, afirma.

Ao ampliar o tempo entre o pedido e a chegada da mercadoria, a necessidade de capital de giro aumenta para sustentar as compras antes da venda. O câmbio não deve ser analisado apenas no dia do pagamento. A exposição nasce quando a empresa assume o compromisso internacional. Quanto mais cedo essa informação entra no planejamento financeiro, maior a capacidade de proteger margem e preservar previsibilidade, diz Murillo.


Gestão unificada para evitar surpresas


A variedade de fornecedores e moedas torna difícil saber o custo real de uma importação. Alterações em transporte, tributos e câmbio podem impactar o resultado final de forma imprevista.

A Saygo apresenta o Vision, uma plataforma que integra informações operacionais, financeiras e documentais. O objetivo é permitir que as empresas vejam como as mudanças de rota afetam prazo e custo em uma única visão, evitando tratar logística e finanças como áreas separadas.

Segundo os especialistas, o preço de compra não deve ser o único critério na escolha de fornecedores. É necessário entender o custo completo da operação e seus efeitos na margem de lucro. Essa abordagem permite que as empresas alterem rotas estratégicas sem comprometer sua estabilidade financeira interna.


  • A tarifa dos EUA atingiu 23,1% das exportações brasileiras, reduzindo embarques em 13% no 1º semestre de 2026.
  • Além do preço do produto, frete, porto, prazo e moeda de pagamento precisam ser recalculados ao mudar de rota.
  • Operações mais longas exigem mais capital de giro e estoque de segurança, o que pode apagar economias na compra.
  • A UNCTAD aponta que tensões geopolíticas prolongaram viagens marítimas e aumentaram a volatilidade dos fretes.
  • O câmbio deve ser monitorado desde o fechamento do contrato, não apenas no dia do pagamento em dólar.