Setor de bares e registrou alta de 4,2%, porém a oscilação mensal e a disputa com o delivery exigem gestão baseada em dados e uma experiência superior no salão para garantir o lucro.
As vendas de bares e restaurantes fecharam o segundo trimestre de 2026 com um crescimento de 4,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o Índice Abrasel Stone.
Apesar do resultado positivo, o setor vive um momento de desafio. Empresários precisam lidar com mudanças profundas no jeito de consumir, a explosão do delivery e a pressão constante sobre as margens de lucro. É nesse cenário que a gestão baseada em dados e a qualidade da experiência do cliente deixam de ser opcionais para virar fatores de sobrevivência.
- O setor faturou R$ 495 bilhões em 2025, um aumento em relação aos R$ 455 bilhões de 2024.
- Junho registrou queda de 2,1% em relação a maio, mostrando que vender mais nem sempre significa lucrar mais.
- 41% dos restaurantes já sofreram algum tipo de assalto ou ameaça, o que afeta o movimento.
- Marcelo Marani afirma que o salão deve competir com o delivery oferecendo acolhimento e agilidade impecáveis.
- O especialista já treinou mais de 35 mil empresários de restaurantes em 23 capitais do país.
Gestão inteligente é a chave para lucrar de verdade
Marcelo Marani, professor de Ciência da Computação e fundador da escola Donos de Restaurantes, destacou que o dono precisa entender não apenas os números, mas a psicologia por trás da escolha do cliente. Segundo ele, a decisão de sair de casa ou pedir em aplicativo está cada vez mais ligada à confiança e à conveniência.
Na visão do especialista, ignorar esses sinais pode ser fatal. "Vender mais não significa necessariamente lucrar mais. Quem não acompanha custos, produtividade e margem pode crescer em faturamento e perder dinheiro ao mesmo tempo", alerta.
Para Marani, a troca de experiências entre colegas é fundamental. Compartilhar erros evita que decisões equivocadas prejudiquem o caixa. É como dizer que, no futebol, quem assiste aos jogos dos rivais tem mais chance de ganhar o campeonato.
Segurança e delivery mudam o jogo
O cenário de disputa ganhou força com a consolidação das plataformas de entrega. Enquanto o consumidor busca a comodidade do aplicativo, o salão precisa provar que vale a pena o esforço de sair de casa.
A segurança é outro ponto crítico. Dados da Abrasel revelam que 41% dos estabelecimentos já enfrentaram problemas como roubo ou furtos. Isso fez 33% dos donos notarem a queda de clientes e 25% alterarem seus horários.
Marani explica que o apetite da população não diminuiu; apenas mudou o endereço. A questão agora é saber qual fatia desse consumo o salão consegue capturar.
Como competir com o aplicativo
Se o celular traz rapidez, o restaurante precisa oferecer o que a tela não consegue: pertencimento. Atendimento humanizado, agilidade no serviço e limpeza impecável são os diferenciais que fazem o cliente voltar.
"A resposta não é competir com o delivery. É entregar o que ele não entrega. O cliente precisa encontrar uma razão para sair de casa, e isso começa pelo básico bem executado", explica o especialista.
Para redes com muitas unidades, como a Mana Poke, repetir esse padrão em todos os pontos é um desafio. O monitoramento de indicadores evita que um restaurante fique excelente e outro, negligente.
O lucro depende do equilíbrio
A conclusão de Marani é clara: capricho sem controle de custo vira prejuízo. Assim como controle de custo sem capricho deixa o salão vazio. A gestão financeira é o que financia a experiência que atrai o cliente.
"O restaurante deixou de competir apenas pela comida. Hoje competimos por atenção, tempo e preferência. Quem entende os números e o comportamento do cliente consegue crescer de forma sustentável", finaliza o professor.
Com mais de 27 anos de mercado e 35 mil treinamentos realizados, Marani reforça que o futuro do setor passa pela profissionalização. O dono que apenas 'aposta' perdeu espaço para o empresário que 'calcula' e 'cuida'.

Marcelo Marani, especialista em gestão de food service




