02 de setembro de 2026

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Etilanol vira solução global para diminuir poluição de navios e aviões

Economia Energia 02/09/2026 14:55 Tomás Manzano - AgFeed agfeed.com.br

Etanol surge como solução imediata e econômica para a navegação, aviação e transporte pesado, setores que são difíceis de limpar do ponto de vista ambiental. O Brasil está posicionado para liderar essa mudança usando sua capacidade de produção, com testes já feitos no Porto de Santos.

A mudança na forma de produzir e usar energia entrou em uma nova etapa. Nos últimos anos, o esforço principal era aumentar o uso de fontes renováveis e cortar a poluição em várias áreas da economia. Agora, o desafio maior é limpar os setores onde isso é mais difícil de acontecer.

Essas áreas são chamadas de setores de difícil descarbonização no mundo todo. Exemplos são a navegação, a aviação, o transporte de cargas pesadas e algumas indústrias. Eles vão precisar de combustíveis muito concentrados em energia por muito tempo. Diminuir a poluição nesses lugares é bem mais complicado e exige uma mistura de vários caminhos limpos.

Nesse cenário, o etanol ganha um papel de destaque. Por anos, ele foi ligado só aos carros e caminhões. Hoje, ele tem um potencial muito maior para outros usos.

Por que o etanol é vantajoso

Além de poluir menos, o etanol tem produção em grande escala, tem uma estrutura já pronta, está disponível logo e é competitivo em preço. Essas qualidades são raras entre as outras opções para limpar esses setores difíceis.

Uma das vantagens do etanol é que ele é um líquido. Isso facilita muito o armazenamento e o transporte, além de ser feito em escala comercial. Ele também corta bastante a emissão de gases comparado aos combustíveis fósseis que os navios usam hoje.

A aviação e a navegação precisam de combustível forte. O etanol, por ser líquido e conhecido, se encaixa bem nesses motores adaptados para usar mais de um tipo de energia.

O caso do abastecimento na navegação

A navegação é o exemplo mais claro de como essa troca está acontecendo num ritmo rápido. Os navios movem cerca de 90 por cento do comércio de todo o planeta e são responsáveis por 3 por cento do dióxido de carbono do mundo. A lei internacional está mudando tudo isso.

A nova regra da União Europeia, chamada FuelEU Maritime, e as leis que estão sendo discutidas na Organização Marítima Internacional (IMO) até o fim do ano obrigam as empresas a pagarem pelo quanto poluem. Isso muda as contas dos negócios.

Na prática, o objetivo não é só cuidar do meio ambiente. Vira uma vantagem para competir. As empresas que poluem menos pagam menos e ganham mercado.

Nesse momento, os combustíveis que poluem menos, são seguros e custam um preço razoável ficam em primeiro lugar nas escolhas dos negócios.

Desafios do mercado global

Fabricantes de motores de navio já oferecem máquinas que usam diferentes energias, como metanol e etanol. O etanol é melhor porque é menos tóxico e mais seguro de manusear, o que atrai mais empresas para usá-lo no mundo inteiro.

Um marco recente foi o abastecimento de um navio de carga da empresa CMA CGM com etanol no Porto de Santos. A Copersucar e parceiros fizeram o teste.

Mais do que ser o primeiro, o teste mostrou que dá para abastecer o navio com segurança e de um jeito que dá para crescer o negócio. Isso abriu os olhos para o tamanho da oportunidade que o etanol tem no mar.

O consumo de combustível pelos navios é enorme. São 270 bilhões de litros por ano. Como o combustível de navio dá cerca de duas vezes mais energia por litro (40 MJ/L) do que o etanol (21 MJ/L), trocar só 10 por cento da demanda do mar criaria um mercado de 50 bilhões de litros de etanol por ano.

A navegação é a ponta de lança, mas a mesma lógica vai chegar em outros setores, num ritmo mais devagar, abrindo espaço para energias limpas.

O papel do Brasil e os próximos passos

O transporte de cargas pesadas por estrada já está mudando. O biometano está sendo usado no lugar do diesel em caminhões, cortando a poluição sem perder o poder do motor.

Esse biometano vem do descarte feito na hora de fazer o etanol. No futuro, ele pode ser usado em navios que funcionam com gás natural líquido, ajudando a limpar o transporte marítimo também.

O Brasil está preparado para liderar isso. Poucos países têm tanto que produzem combustível limpo, com boa logística e estrutura para exportar. A rede de portos e tubulações conecta o Brasil ao mundo com uma das poluições mais baixas da produção de etanol do planeta.

Existe trabalho a fazer. É preciso construir estações de abastecimento, criar rotas de transporte verde e alinhar as leis entre os países, além de criar novas cadeias de fornecedores no mundo.

A experiência no Porto de Santos mostrou que os obstáculos podem ser vencidos quando todo o setor age junto para criar soluções que poluem pouco.

A próxima etapa da mudança de energia já começou. Os setores difíceis de limpar precisam de soluções que sirvam para muita gente, que tenham preço justo e que estejam prontas para uso agora. O etanol tem tudo isso e, junto com o biometano, dá ao Brasil a chance de liderar o futuro energético mundial.

  • O etanol substitui o diesel e o combustível fóssil em navios e caminhões, cortando a poluição.
  • Novas leis no mundo exigem que as empresas paguem pelo quanto poluem, o que acelera a troca.
  • Um teste no Porto de Santos provou que o etanol abastece navios com segurança e viáveis aos negócios.
  • Se 10 por cento da energia marítima mudasse para etanol, seriam 50 bilhões de litros por ano de mercado.
  • O Brasil lidera essa transição porque produz muito etanol e tem a menor poluição energética do mundo.