Um novo modelo de evento visa deixar legados econômicos e sociais nos locais onde ocorre, beneficiando moradores e negócios locais, indo além do simples fluxo de visitantes.
Quando as estrutura de um evento são desmontadas e os visitantes saem, resta a pergunta: o que continua existindo para a cidade Enquanto muito se mede sobre o movimento durante a atividade, como empregos temporários e consumo, pouco se analisa sobre o que permanece. Em São Paulo, por exemplo, eventos geraram mais de R$ 323 milhões em impostos em 2025, com alta de 672% em dez anos, e a cidade recebeu 47,2 milhões de turistas no mesmo período, movimentando R$ 25,4 bilhões.
A grande questão é: como transformar essa movimentação passageira em valor duradouro para a comunidade Não basta apenas estar presente; é preciso fazer sentido no lugar. Isso envolve contratar fornecedores locais, criar relações com quem já vive no território e deixar raízes econômicas após a estrutura ir embora. É o conceito da 'economia do pertencimento', onde o foco não é provar que o evento movimenta dinheiro, mas sim fazê-lo gerar frutos de longo prazo.
- O conceito de 'economia do pertencimento' incentiva marcas a criarem ligações duradouras com a comunidade local.
- Eventos podem ser plataformas de desenvolvimento territorial, conectando negócios locais e turistas.
- Estudos na Bahia mostram que eventos culturais podem impulsionar o comércio formal local em poucos dias.
- O legado real de um evento é medido pelo valor que continua circulando após o fim da programação.
- Turismo de experiência, como observação de aves ou esportes náuticos, valoriza o conhecimento local e conecta serviços diversos.
A Evolução do Conceito
Em anos recentes, a atenção migrou das telas digitais para experiências reais e presenciais. No entanto, a simples presença de uma marca ou organização não garante impacto. É necessário construir relações que resistam à desmontagem da estrutura. Eventos como o Burning Man, nos Estados Unidos, servem de exemplo: embora gerem impactos ambientais significativos, a organização trabalha ativamente para reduzir emissões e usar energia solar, mostrando que o legado também envolve responsabilidade logística e ambiental, não apenas cultural ou econômica.
Medindo o Legado no Brasil
No Brasil, ferramentas mais sofisticadas começam a medir esses efeitos. Em Mucugê, Bahia, dados fiscais de eventos mostram que o comércio local pode aquecer rapidamente. A meta é sair da contagem de visitantes para entender o que de fato foi gerado para a economia local. Isso se aplica a festivais, esportes ou feiras, onde o local deixa de ser apenas um cenário e passa a ser um participante ativo da experiência.
O Valor do Conhecimento Local
Para destinos que dependem de turismo, o conhecimento dos moradores é um ativo estratégico. Sabes onde os negócios podem prosperar e quais histórias valem a pena contar. Transformar uma experiência isolada em uma cadeia envolvendo guias, restaurantes, transporte e artesanato cria conexões que não existem numa atração única. Assim, eventos deixam de ser entregas pontuais e se tornam motores de desenvolvimento distribuído. O sucesso real é medido pelos negócios que continuam a girar e pelas relações que persistem depois que a cidade retoma seu ritmo normal.

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