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Números de falências de grandes marcas disparam no Brasil e assustam bancos

Economia 01/09/2026 14:42 Sarah Corazza / JN Assessoria de Comunicação

O crescimento de 58% nos pedidos de recuperação judicial em três anos expõe riscos na concessão de crédito, afetando empresas como Casas Bahia e Habib's devido à alta dos juros e falta de garantias.

O Brasil vive um momento crítico no mercado financeiro, marcado por um aumento expressivo no número de empresas que buscam proteção judicial para pagar suas dívidas. De acordo com dados atualizados de maio de 2026, o país registrou 6.341 companhias em processo de recuperação judicial. Esse número representa um salto de quase 58% em comparação com os 4.014 casos registrados no primeiro trimestre de 2023. Este crescimento acelerado tem gerado forte preocupação entre bancos e investidores.

Gigantes do varejo, como Casas Bahia e o grupo dono das redes Habib's e Ragazzo, já entraram com pedidos para reestruturar suas contas. Além disso, a Chilli Beans confirmou que está negociando com bancos para estender prazos de pagamento e diminuir juros. Essa onda de dificuldades mostra que o sistema de crédito no país está sob pressão, exigindo novas formas de proteção para quem empresta dinheiro.

  • Dados alarmantes: O número de empresas em recuperação judicial subiu de 4 mil para mais de 6 mil em três anos.
  • Grandes nomes afetados: Casas Bahia, Habib's, Ragazzo e Chilli Beans estão tentando solucionar dívidas junto à Justiça ou bancos.
  • Risco do crédito: Especialistas alertam que bancos estão concentrando muito crédito em poucas empresas, o que aumenta o perigo de perdas.
  • Impacto dos juros: A alta prolongada dos juros no Brasil está esgotando a margem de lucro das empresas, dificultando o pagamento das dívidas.
  • Solução sugerida: Especialistas recomendam que os bancos exijam mais garantias reais e diversifquem seus clientes para evitar crises generalizadas.

O alerta para quem empresta dinheiro

Segundo André Bravo, CEO da plataforma de crédito Bankme, o cenário atual revela falhas graves na forma como os bancos gerenciam os riscos. Ele aponta que muitos credores apostam todas as fichas em poucos clientes. Quando uma dessas grandes empresas enfrenta problemas, o impacto para o banco é desproporcional, pois ele não possui outras fontes de renda para compensar essa perda. A falta de garantias reais, como patrimônio físico que possa ser vendido em caso de calote, agrava essa situação.

A pressão dos juros altíssimos

Bravo explica também que o problema não é apenas pedir dinheiro emprestado, mas sim o custo desse dinheiro. Com os juros tão altos por tanto tempo, o valor pago pelos juros pode ser maior do que o lucro da empresa. Isso transforma o investimento, que deveria fazer a empresa crescer, num gatilho para a falência. Sem uma gestão financeira cuidadosa, é difícil sobreviver nessa realidade.

A necessidade de diversificar riscos

O especialista destaca que, quando uma empresa precisa reestruturar dívidas, a tensão entre o banco e a empresa aumenta muito, especialmente se o banco depende muito daquela receita. Na opinião de Bravo, a melhor estratégia é que as instituições financeiras não concentrem todo o seu dinheiro em apenas um ou dois grandes clientes. Espalhar os riscos entre muitos clientes diferentes e exigir mais garantias é essencial para que o mercado financeiro sobreviva a esse período de turbulência.