01 de setembro de 2026

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Europa aumenta exigências para empresas brasileiras

Economia ESG 01/09/2026 08:42 Shaiane Corrêa

União Europeia cobra mais sustentabilidade e transparência de empresas que querem vender na Europa.

Ter comprador, demanda e um produto competitivo não é mais suficiente para uma empresa brasileira vender na Europa. A União Europeia está cada vez mais exigente com regras de sustentabilidade, rastreabilidade e governança.

Para as empresas que pensam em vender ou fornecer para a Europa, é preciso entender quais exigências se aplicam e se conseguem comprovar que estão cumprindo tudo.

  • A União Europeia reforçou as leis que cobram transparência sobre impacto ambiental e social das empresas.
  • As novas regras afetam até empresas que não estão diretamente na Europa, mas que fazem parte da cadeia de fornecedores.
  • Além da imagem, as exigências aparecem em contratos e na permissão para vender no mercado europeu.
  • O Brasil não cumpriu um prazo para novas regras sanitárias e pode sofrer embargo na exportação de carne, ovos e mel a partir de 2026.
  • Empresas de tecnologia que criam soluções para medir sustentabilidade podem ganhar oportunidades.

Na avaliação do advogado Bruno Albuquerque, especialista em negócios internacionais, preço e logística continuam importantes, mas agora a origem do produto e a capacidade de provar informações ganharam relevância.

Segundo ele, práticas ESG fortalecem a reputação, mas o ponto principal é estar preparado para atender as exigências do mercado europeu.

As regras europeias

O ambiente regulatório da União Europeia inclui várias normas. A Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) exige mais transparência. A Diretiva de Dever de Diligência (CSDDD) trata de impactos sobre direitos humanos e meio ambiente. O Regulamento contra o Desmatamento (EUDR) exige rastreamento da origem de produtos. E o Mecanismo de Ajustamento de Carbono Fronteiriço (CBAM) relaciona importações às emissões de carbono.

Essas regras podem afetar empresas brasileiras mesmo que não estejam diretamente obrigadas. Se fizerem parte da cadeia, podem receber pedidos de informação e exigências contratuais.

Caso real

Um exemplo é o embargo que a Europa aplicará em produtos de origem animal. Como o Brasil não entregou garantias sobre controle de antimicrobianos, será retirado da lista de exportadores autorizados a partir de setembro de 2026.

Isso mostra que não basta ter comprador. A empresa precisa comprovar que cumpre os requisitos. Segundo Albuquerque, a oportunidade existe, mas é preciso estar apto.

Oportunidade para empresas de tecnologia e gestão

O avanço das regras também abre espaço para empresas que criam tecnologias para medir, documentar e comprovar dados de sustentabilidade, como rastreabilidade, cálculo de emissões, eficiência energética e compliance de fornecedores.

Segundo Albuquerque, a necessidade de organizar essas informações aumenta, e as empresas brasileiras que conseguirem desenvolver soluções podem encontrar um novo mercado.

Em resumo, ESG deixou de ser só marketing e se tornou parte essencial do planejamento para internacionalização.