Pesquisadores da Faculdade de Economia da USP desenvolveram o Indicador MADE, uma ferramenta que monitora o mercado de trabalho mês a mês e consegue detectar sinais de recessão econômica muito antes do PIB. O sistema foi adaptado à realidade brasileira, onde a informalidade é alta, e já identificou 14 recessões desde 1980, incluindo a crise da pandemia.
Pesquisadores da Faculdade de Economia da USP criaram o Indicador MADE, uma ferramenta que usa dados de emprego e desemprego para detectar sinais de recessão econômica no Brasil com muito mais rapidez do que o PIB tradicional. O sistema funciona como um alerta antecipado, ajudando o governo a agir antes que uma crise se consolide.
O Indicador MADE é baseado na Regra de Sahm, um método criado nos Estados Unidos que acompanha mês a mês as mudanças no emprego. A diferença é que o MADE foi adaptado à realidade brasileira. Ele compara a média da taxa de emprego dos últimos três meses com o pior nível registrado nos 12 meses anteriores. Quando a diferença ultrapassa um limite definido, o alerta é acionado.
- O indicador foi desenvolvido por pesquisadores da FEA-USP e da UFRJ, ligados ao Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades
- O limite de alerta foi reduzido para 0,3 ponto porcentual, mais sensível que o original dos EUA, porque o Brasil tem alta informalidade
- Desde 1980, o indicador identificou 14 recessões e dois momentos de inflexão (2005-2006 e 2013) que não viraram recessão de fato
- Durante a pandemia, o MADE captou a recessão entre maio de 2020 e julho de 2021
- Desde agosto de 2021, o indicador não registrou nova sinalização, o que é o período mais longo sem recessão desde 1980
Por que o indicador precisou ser adaptado para o Brasil
O Brasil tem uma taxa de informalidade muito alta, que atinge mais de um terço da população ocupada. Isso significa que o mercado de trabalho brasileiro oscila de forma diferente do americano. Por isso, os pesquisadores ajustaram o cálculo para captar oscilações menores no emprego. O limite que aciona o alerta foi reduzido para 0,3 ponto porcentual, tornando a ferramenta mais adequada à realidade brasileira.
Como o indicador se saiu na prática
Os pesquisadores aplicaram a regra em dados desde 1980 e encontraram 14 recessões. Além disso, identificaram dois momentos extras em 2005 e 2006 e em 2013, que não se tornaram recessões de fato, mas indicavam que algo importante estava acontecendo na economia. Durante a pandemia, o indicador capturou a recessão provocada pela covid-19, que segundo o pesquisador Guilherme Klein ocorreu entre maio de 2020 e julho de 2021 e terminou em agosto de 2021.
Como o MADE se compara ao PIB
O PIB mede o desempenho geral da economia com base na produção de bens e serviços, mas pode levar mais tempo para confirmar uma recessão. O Indicador MADE, por outro lado, acompanha diretamente o mercado de trabalho e funciona como um mecanismo de alerta mais rápido. Os dois são complementares: o MADE não substitui o PIB, mas oferece uma forma mais ágil de identificar possíveis períodos de recessão e orientar a adoção de políticas públicas antes que a crise se aprofunde.

Para funcionar na realidade brasileira, o indicador precisou ser adaptado às características do mercado de trabalho do País


