Um estudo do IBPT mostra que as empresas brasileiras deixam de declarar cerca de R$ 2,7 trilhões em faturamento por ano. Os tributos sonegados somam R$ 508 bilhões, e os principais erros são a complexidade das obrigações, o cruzamento de dados e a classificação fiscal incorreta.
O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) fez um estudo e descobriu que as empresas brasileiras escondem cerca de R$ 2,7 trilhões em faturamento todos os anos. Isso significa que elas não declaram esse valor para o governo.
Segundo o estudo, os impostos que deixam de ser pagos somam R$ 508,5 bilhões por ano. Esse valor representa uma carga média de 18,8% sobre o faturamento não declarado.
- 47% das pequenas empresas têm indícios de sonegação, contra 31% das médias e 16% das grandes.
- O ICMS é o imposto mais sonegado, seguido pelo IRPJ e pela CSLL.
- Em 2025, foram emitidos mais de 776 mil autos de infração, média de 2.126 por dia.
- A sonegação média caiu de 32% em 2002 para 9,9% em 2025.
- Os principais erros são relacionados à complexidade das obrigações, ao cruzamento de dados e à classificação fiscal incorreta.
Os principais motivos para as autuações são a complexidade das obrigações acessórias, o cruzamento de informações entre os órgãos fiscalizadores e o lançamento incorreto da classificação fiscal dos produtos.
O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, afirma que há indícios de sonegação em 47% das pequenas empresas, 31% das médias e 16% das grandes.
Ele diz que quanto menor a empresa, mais difícil é entender o sistema tributário, o que aumenta a chance de erros.
Autuações fiscais de ICMS
Em 2024, os fiscos estaduais emitiram 152.878 autos de infração de ICMS, totalizando R$ 109,5 bilhões em multas. Em 2025, foram 361.164 autos, com valor total de R$ 107,1 bilhões.
De 2024 para 2025, o número de autos aumentou 136,24%, mas o valor total caiu 2,15%.
No geral, em 2025 foram emitidos 776.321 autos de infração, uma média de 2.126 por dia. O valor total chega a R$ 349,1 bilhões.
Comparações
Na comparação entre 2024 e 2025, a Receita Federal emitiu 70,6% menos autos de infração contra pessoas jurídicas, mas o valor arrecadado cresceu.
A sonegação média das empresas brasileiras em 2025 correspondeu a 9,9% da arrecadação tributária.
Em 2002, o índice era de 32%; em 2004, 39%; em 2009, 25%; em 2017, 17%; em 2019, 15%; em 2020, 12,9%; em 2021, 10,45%; e em 2022, 9,25%.
Olenike diz que, graças ao avanço dos sistemas de controle, o Brasil agora tem uma das menores taxas de sonegação da América Latina, entre 9% e 10%, semelhante a países desenvolvidos.

Divulgação/IBPT



