Casais que comandam negócios no setor de beleza contam como dividir responsabilidades para separar vida pessoal de decisões empresariais.
Olá Vitor, tudo bem
Com o setor de beleza em alta histórica, casais empreendedores buscam dividir o comando dos negócios. Saulo Abrahão e Luiz Ferraz revelam o segredo dessa gestão dupla. Eles mostram como a definição de papéis e a autonomia evitam crises no casamento e na empresa de R$ 6 milhões. Uma pauta essencial sobre comportamento e negócios. Vamos conversar
Casados e sócios: como manter a harmonia entre vida pessoal e negócios
Casados e sócios, Saulo Abrahão e Luiz Ferraz estão à frente do Duo+, um negócio do setor de beleza que reúne serviços, gestão e desenvolvimento de profissionais. Ao longo da construção da empresa, eles criaram uma divisão de responsabilidades com base nas competências de cada um e defendem que sociedade exige alinhamento sobre os rumos do negócio, mas nem tudo precisa ser decidido a dois.
O casamento nos torna parceiros de vida. A sociedade exige que sejamos parceiros de negócio. Uma coisa não pode substituir a outra. Um dos aprendizados foi entender que sociedade não funciona por consenso permanente. Se tudo precisa da aprovação dos dois, ninguém tem autonomia de verdade, afirma Luiz.
A experiência foi construída enquanto o negócio crescia e exigia uma estrutura de liderança mais definida. Hoje, Saulo foca na gestão, desenvolvimento empresarial e liderança de pessoas. Luiz, sócio e CMO, cuida de marketing, posicionamento de marca, experiência, estratégia comercial, comunicação e melhoria técnica. As decisões que mudam os rumos da empresa ainda são compartilhadas, mas o dia a dia de cada área tem responsáveis definidos.
Para eles, uma das mudanças mais importantes foi entender que ocupar posições equivalentes na sociedade não significa exercer a mesma função dentro da empresa. Ter a mesma participação na sociedade não significa ter a mesma função na empresa. Um dos erros de casais que empreendem juntos é acreditar que ser sócio implica participar de todas as decisões. Sociedade exige alinhamento sobre o destino, mas gestão exige responsabilidades claras pelo caminho, diz Saulo.
Essa separação se torna crucial quando decisões sobre contratação, investimentos, marketing, equipe ou expansão trazem opiniões diferentes à mesa. Em vez de transformar cada divergência em disputa, definir cadeiras mostra quem tem autonomia para decidir e quais assuntos precisam de conversa conjunta.
Mesma direção não significa mesma função
A construção desse modelo não foi sem erros. Parte do aprendizado veio de situações em que os limites entre as funções não estavam bem definidos. Quando ambos tentam participar da mesma decisão operacional, a empresa pode perder velocidade e a discordância profissional pode continuar após o expediente.
Discordar não é o problema. Nós discordamos e isso faz parte de qualquer sociedade. O que aprendemos foi que nem toda divergência precisa terminar com um convencendo o outro. Se o assunto está na cadeira de um de nós, precisa existir confiança para que essa pessoa decida. Reservamos para os dois aquilo que realmente muda os rumos da empresa, afirma Saulo.
O mesmo princípio vale para a relação com a equipe. Quando colaboradores recebem orientações diferentes ou não sabem quem responde por determinada frente, uma dúvida do casal pode afetar a operação. O organograma precisa funcionar independentemente da relação pessoal entre os donos.
A separação também vale fora da empresa. Como trabalham e vivem juntos, estabelecer limites para as conversas profissionais passou a fazer parte da organização da vida. A empresa não pode acompanhar o humor da relação. Podemos ter uma questão para resolver como casal e, ainda assim, precisamos cumprir nossas responsabilidades profissionais. Da mesma forma, uma discussão de trabalho não pode ocupar todos os espaços da nossa vida pessoal.
Um desafio comum entre casais
Na Mentoria Voe Alto, que acompanha empresários do setor de beleza, Saulo e Luiz observam a mesma dificuldade entre negócios comandados por casais: muitas empresas sabem quem são seus sócios juridicamente, mas não definiram quem responde por cada cadeira na prática. Entre os perfis atendidos estão negócios em que um parceiro concentra determinadas responsabilidades enquanto o outro assume frentes diferentes, mas ambos precisam manter alinhamento sobre os objetivos da empresa.
A questão ganha relevância conforme o setor cresce. Em 2025, foram abertos cerca de 236 mil pequenos negócios de beleza no Brasil, segundo o Sebrae. Com equipes maiores, novas unidades e operações mais complexas, decisões que antes eram informais passam a exigir processos, responsabilidades e critérios claros.
Para Saulo e Luiz, a divisão também precisa ser revista conforme a empresa evolui. A entrada de novas lideranças, o crescimento da equipe ou uma nova estratégia comercial podem alterar as responsabilidades. O importante é evitar que a relação afetiva seja usada como substituta da estrutura empresarial.
Quando cada um entende a própria responsabilidade, a sociedade deixa de ser uma extensão do casamento e passa a funcionar como uma empresa. Continuamos tomando as decisões importantes juntos, mas não precisamos ocupar a mesma cadeira para caminhar na mesma direção, ressalta Luiz.
Sobre os protagonistas
Luiz Ferraz é empresário e especialista em micropigmentação e estética labial, com mais de 10 anos de atuação na área da beleza. Formado em Administração com ênfase em Marketing, possui formação técnica no Brasil e na Itália. É sócio e CMO do DUO+, lidera o fortalecimento técnico do Beauty Society, elevando o padrão de excelência operacional e formação profissional no setor.
Para saber mais, acesse o Instagram de Luiz ou o site do DUO+.
Saulo Abrahão é empresário e mentor, fundador do Método Voe Alto. Iniciou no setor da beleza em 2014 e transformou um salão de 60m² no DUO+, operação que hoje fatura mais de R$6 milhões por ano. Desenvolveu um método estruturado em mentalidade, gestão, liderança e traço, voltado à profissionalização de donos de salão que buscam crescimento organizado e previsibilidade financeira.
Para saber mais, acesse o Instagram de Saulo ou o site.
Sobre o Beauty Society é o ecossistema empresarial da área da beleza fundado por Saulo Abrahão e Luiz Ferraz. O grupo integra operação prática, formação estratégica e excelência técnica em um modelo de crescimento e profissionalização do setor. A empresa nasceu da consolidação do DUO+, salão conceito em São Paulo, com 600m² de estrutura e faturamento anual superior a R$6 milhões. O método Voe Alto é o braço educacional voltado à formação de empresários da beleza com foco em gestão, liderança e crescimento sustentável.
Fontes de pesquisa: links de referência no final do texto.

Saulo Abrahão e Luiz Ferraz



