Consumo dos brasileiros em supermercados avançou 3,28% em julho na comparação anual, mantendo o ritmo de crescimento no acumulado do ano, segundo ABRAS, com melhora na renda e queda dos preços de alimentos.
Consumo nos Lares Brasileiros cresce 3,28% em julho na comparação anual e acumula alta de 2,67% no ano, aponta ABRAS
Acumulado até julho mantém ritmo de crescimento próximo ao registrado no mesmo período de 2025 ABRAS
O Consumo nos Lares Brasileiros registrou alta de 3,28% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Em relação a junho, o indicador avançou 3,01%.
Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados.
Entre janeiro e julho de 2026, o consumo acumulou alta de 2,67%, praticamente repetindo o ritmo de crescimento registrado no mesmo período de 2025, de 2,66%. O avanço deste ano ocorre, portanto, sobre uma base que já havia apresentado crescimento no ano anterior. A trajetória, porém, foi distinta: em 2025, o indicador avançou gradualmente até julho, enquanto em 2026, depois de um início mais moderado, ganhou força entre março e maio, avançou em ritmo mais contido em junho e voltou a ganhar impulso em julho.
Esse desempenho de julho ocorreu em um ambiente de menor pressão dos preços dos alimentos. No IPCA, calculado pelo IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67% no mês. Dentro desse grupo, os preços da alimentação no domicílio caíram 1,14%, reduzindo a pressão sobre o orçamento destinado ao abastecimento das famílias.
Julho reuniu condições mais favoráveis ao consumo das famílias. A queda dos preços da alimentação no domicílio reduziu a pressão sobre o orçamento, enquanto o mercado de trabalho e os recursos em circulação ao longo do mês contribuíram para sustentar a renda. As férias escolares também alteraram a rotina das famílias, com mais refeições e lanches dentro de casa, analisa o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.
Os indicadores recentes do mercado de trabalho reforçam esse cenário de sustento da renda. Segundo a PNAD Contínua, do IBGE, a taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, abaixo dos 5,8% registrados no trimestre encerrado em abril e dos 5,6% observados no mesmo período de 2025.
O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.762, com crescimento de 3,3% no ano. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 383,5 bilhões, avanço de 4,1% no ano, o que representa mais R$ 15,1 bilhões a mais no ano.
Além do mercado de trabalho, o calendário de pagamentos colocou recursos em circulação em julho. O sexto lote do Abono Salarial PIS/PASEP destinou cerca de R$ 5,4 bilhões a 4,34 milhões de trabalhadores, enquanto o Bolsa Família transferiu cerca de R$ 13 bilhões para 19,3 milhões de famílias. O Conselho da Justiça Federal também liberou R$ 2,9 bilhões para pagamentos decorrentes de decisões judiciais.
Recursos creditados no fechamento de junho também contribuíram para a renda disponível no início de julho. Em 30 de junho, a Receita Federal pagou R$ 16 bilhões no segundo lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física, destinado a 9,6 milhões de contribuintes.
Mixo de consumo mostra avanço nas faixas de menor e maior preço
Os dados da NielsenIQ mostram uma mudança na composição das compras em julho. No total das cestas analisadas, os produtos posicionados na faixa de maior preço passaram de 12,5% em julho de 2025 para 13,4% em julho de 2026, enquanto itens de menor preço avançaram de 54,6% para 55,3%. A faixa intermediária recuou de 32,9% para 31,3%.
Entre as categorias, os maiores avanços da faixa superior de preço ocorreram em mercearia e perecíveis industrializados, ambas com ganho de 2,8 pontos percentuais de participação.
Os dados mostram que a atenção ao preço continua presente nas decisões de compra. O avanço simultâneo das faixas de menor e maior preço indica que não há uma migração generalizada para produtos mais caros, mas uma composição mais seletiva da cesta, com comportamentos distintos entre as categorias, analisa Milan.
Preços da Cesta AbrasMercado caem 1,24% em julho
na média nacional
Metade dos 12 produtos básicos registra queda nos preços;
preços das carnes bovinas permaneceram estáveis
O AbrasMercado, indicador que acompanha a variação de preços da cesta de 35 produtos de largo consumo, recuou 1,24% em julho e passou a acumular alta de 5,20% no ano. O resultado mensal ampliou a retração observada em junho (-0,28%) e reduziu o avanço acumulado, que havia encerrado o primeiro semestre em 6,52%.
Com a queda de julho, o valor médio da cesta passou de R$ 852,54 para R$ 841,95.
Na comparação com junho, os produtos básicos apresentaram variações distintas: recuaram o açúcar refinado (-3,41%), o café torrado e moído (-2,45%), o feijão (-2,17%), o óleo de soja (-1,56%) e o arroz (-0,43%). Em sentido contrário, avançaram o leite longa vida (+2,47%), a farinha de mandioca (+0,54%), a massa semola de espaguete (+0,51%) e a farinha de trigo (+0,04%).
No acumulado de janeiro a julho, as principais altas permanecem no feijão (+49,50%) e no leite longa vida (+25,11%). Em sentido oposto, registram queda o açúcar refinado (-13,82%), o café torrado e moído (-13,66%), o óleo de soja (-10,66%), a farinha de trigo (-4,74%), o arroz (-0,94%) e a massa semola de espaguete (-0,14%).
No grupo das proteínas, que tem peso relevante no orçamento das famílias, julho foi marcado pela estabilidade das carnes, especialmente as bovinas cortes do dianteiro (+0,09%) e traseiro (-0,04%). O frango congelado teve leve alta de 0,22%, enquanto o pernil caiu 0,48% e os ovos, 2,73%.
No acumulado do ano, as carnes bovinas registram altas de 8,24% no traseiro e de 7,09% no dianteiro, enquanto os ovos avançam 3,52%. Em contrapartida, o pernil (-6,10%) e o frango congelado (-1,44%) acumulam queda.
Entre os vegetais frescos, julho foi marcado por fortes quedas no tomate (-29,09%) e na batata (-19,59%) em relação a junho. A cebola seguiu em sentido contrário, com alta de 7,74%. Mesmo após as retrações mensais, a batata acumula elevação de 46,44% no ano e o tomate, de 29,35%. Já a cebola alcança alta de 65,20% de janeiro a julho, a maior entre os 35 produtos acompanhados pelo AbrasMercado.
Nos itens de higiene pessoal, as variações de julho ante junho foram: creme dental (+0,91%), sabonete (+0,23%), papel higiênico (-0,24%) e xampu (-0,03%). No acumulado do ano, todas as categorias permanecem em alta: creme dental (+5,36%), xampu (+5,05%), papel higiênico (+4,34%) e sabonete (+4,02%).
Na limpeza doméstica, as principais altas vieram do detergente líquido para louças (+1,10%), seguido pelo sabão em pó (+0,85%) e pelo desinfetante (+0,49%). A água sanitária recuou 0,98%.
No acumulado de janeiro a julho, avançaram o desinfetante (+4,68%), o detergente líquido para louças (+3,21%) e a água sanitária (+2,98%), enquanto o sabão em pó registra leve retração de 0,22%.
Análise regional
Em julho, todas as regiões registraram queda no valor médio da cesta AbrasMercado na comparação com junho. A maior retração ocorreu no Sudeste, de 1,53%, com o valor médio passando de R$ 870,48 para R$ 857,12.
Na sequência, aparece o Norte, com queda de 1,50%, de R$ 941,00 para R$ 926,88.
No Centro-Oeste, a redução foi de 1,30%, com o valor médio passando de R$ 801,23 para R$ 790,83. O Nordeste apresentou queda de 1,29%, de R$ 773,03 para R$ 763,08, mantendo a cesta de menor valor médio entre as macrorregiões.
A menor retração foi registrada no Sul, de 1,21%, com o valor médio da cesta passando de R$ 928,72 para R$ 917,52.
Preços da cesta de 12 produtos básicos recuam 0,27% em julho
No recorte da cesta de 12 produtos básicos, o valor médio nacional recuou 0,27% em julho na comparação com junho, passando de R$ 357,39 para R$ 356,43. No acumulado de janeiro a julho, a cesta registra alta de 4,71%.
Entre os 12 produtos básicos, seis apresentaram queda em julho ante junho. As maiores retrações ocorreram no açúcar refinado (-3,41%), no café torrado e moído (-2,45%), no feijão (-2,17%) e no óleo de soja (-1,56%). Também recuaram o arroz (-0,43%) e a margarina cremosa (-0,16%).
Entre os produtos em alta no mês, o principal ganho foi registrado no leite longa vida (+2,47%), seguido da farinha de mandioca (+0,54%), da massa semola de espaguete (+0,51%) e do queijo mozzarella (+0,40%). Ficaram praticamente estáveis a carne bovina - corte dianteiro (+0,09%) - e a farinha de trigo (+0,04%).
Análise regional da cesta de 12 produtos
Na análise regional, o comportamento da cesta de 12 produtos básicos foi distinto entre as macrorregiões em julho. A maior queda ocorreu no Norte, de 2,05%, com o valor médio passando para R$ 440,00 em julho.
O Sudeste apresentou leve recuo de 0,05%, com o valor médio passando para R$ 370,00. Nas demais regiões, houve alta. No Nordeste, o avanço foi de 0,21%, com preço médio de R$ 317,67, mantendo a cesta de menor valor médio entre as macrorregiões. No Centro-Oeste, a elevação foi de 0,27%, de R$ 349,99 para R$ 350,94. A maior alta mensal ocorreu no Sul, de 0,44%, com o valor médio passando de R$ 379,86 para R$ 381,53.
Capitais e regiões metropolitanas
No Norte, Rio Branco apresentou o maior valor médio da cesta, de R$ 444,53, seguido por Belém, com R$ 435,47.
No Nordeste, Fortaleza registrou o maior valor médio, de R$ 320,33, seguida por Recife (R$ 319,95), São Luís (R$ 317,32), Aracaju (R$ 316,97) e Salvador (R$ 313,76), que apresentou o menor valor entre as localidades analisadas na região.
No Centro-Oeste, Brasília apresentou a cesta de maior valor médio, de R$ 355,87, seguida por Goiânia (R$ 352,85) e Campo Grande (R$ 344,11).
No Sudeste, os valores ficaram bastante próximos. Belo Horizonte registrou o maior valor médio, de R$ 370,67, seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 370,59), Grande Vitória (R$ 369,69) e São Paulo (R$ 369,07).
No Sul, Porto Alegre apresentou valor médio de R$ 381,87, ligeiramente acima de Curitiba, com R$ 381,20.
Assessoria de imprensa ABRAS
Raquel Drehmer 11 97063-7750
Letícia Bragaglia - 11 94730-5663



