Relatório do IBPT mostra que a sonegação fiscal soma bilhões e revela os principais motivos, impactos e setores envolvidos, com dados atualizados sobre autos de infração e tributos sonegados.
O mais recente estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) aponta que o Brasil deixa de declarar cerca de R$ 2,7 trilhões em faturamento por ano, com o ICMS surgindo como o tributo mais sonegado e IRPJ e CSLL também com altas taxas de irregularidade. A estimativa de tributos sonegados somam R$ 508,5 bilhões anualmente, o que representa uma carga tributária média de 18,8% sobre esse faturamento não declarado.
Segundo o IBPT, os principais motivos para autos de infração são a complexidade das obrigações acessórias, o cruzamento de informações entre fiscos e o registro incorreto da classificação fiscal dos produtos. O presidente-executivo João Eloi Olenike afirma que existem indícios de sonegação em 47% das microempresas, 31% das empresas de porte médio e 16% das grandes companhias. Afirmou ainda que quanto menor a estrutura da empresa, maior a complexidade do sistema tributário para ela, elevando a chance de infração.
Autuações fiscais de ICMS em todo o Brasil
Em 2024, os fiscos estaduais lavraram 152.878 autos de infração de ICMS, totalizando R$ 109,5 bilhões. Em 2025, esse número aumentou para 361.164 autuações, com mais de R$ 107,1 bilhões em créditos. Entre 2024 e 2025 houve um aumento de 136,24% nas autuações de ICMS, enquanto o montante dos valores caiu 2,15% no mesmo período.
De modo geral, o IBPT afirma que, em 2025, foram emitidos 776.321 autos de infração, com uma média de 2.126 por dia ou 88 por hora, totalizando R$ 349,1 bilhões em autos de infração de tributos federais, estaduais e municipais.
Comparações e cenário
Na comparação entre 2024 e 2025, houve queda de 70,6% na quantidade de autos emitidos pela Receita Federal contra pessoas jurídicas, embora o valor arrecadado com autos federais tenha crescido. A sonegação média das empresas, em 2025, ficou em 9,9% da arrecadação tributária. Historicamente, o índice de sonegação caiu desde 2002, quando era de 32%, chegando a 9,25% em 2022, com tendência de queda nos anos seguintes.
O IBPT aponta que, com maior clareza e simplificação da fiscalização, mais contribuintes cumprem com seus deveres, embora a complexidade permaneça como obstáculo, especialmente com a Reforma Tributária em curso. A instituição reforça o papel de transparencia fiscal e divulgação de dados abertos para a compreensão da carga tributária pela sociedade.
Sobre o IBPT
O IBPT foi fundado em 1992 para debater temas tributários, com foco em linguagem clara para a sociedade, promovendo transparência e pesquisas para entender o sistema tributário brasileiro. O instituto mantém bases de dados e serviços voltados a empresas e entidades setoriais.
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